TRADIÇÃO E MODERNIDADE – O cinema no Japão é uma atividade com grande peso econômico e cultural. Com uma história que remonta aos primórdios do cinema, a indústria cinematográfica do país modernizou-se e, hoje, é caracterizada por uma intensa verticalização. Mais de 400 filmes são produzidos por ano, a grande maioria deles financiada pelo setor privado.
ESTÚDIOS – A produção está concentrada em três grandes estúdios que atuam no mercado há mais de cem anos. A Shochiku (de onde saíram os clássicos de de Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi) nasceu em 1895; a Toho (de Os sete samurais e Godzilla, entre tantos outros), em 1932; e a Toei (Power Rangers), antes conhecida como Tokyo-Yokohama Films, em 1938. Hoje, todos esses estúdios atuam também nos ramos da distribuição e da exibição.
SINERGIA – O modelo de produção local tem como base a sinergia entre o cinema, a indústria de histórias em quadrinhos e a televisão. Em muitos casos, os filmes de animação (animes)são adaptações dos mais bem sucedidos quadrinhos japoneses (mangas), que também chegam aos principais canais de TV.
MARKET SHARE – A produção local, que atingiu um recorde em 2009 com 448 títulos lançados, caiu em 2010 para 408 – mas a participação de mercado dos filmes japoneses continuou forte, com 53,6% de market share.
CRESCIMENTO – Em 2010, o mercado de cinema japonês apresentou bons índices de crescimento, sustentados principalmente pela expansão das salas 3D e filmes no formato. A arrecadação nas bilheterias aumentou 7,1%, chegando a JPY 221 bilhões (US$ 2,5 bilhões), enquanto o público total cresceu 3% (174,4 milhões).
CINEMA DE ARTE – A principal transformação recente do mercado japonês está no cinema de arte. Tradicionalmente, o país sempre foi um dos mais abertos do mundo para a produção estrangeira e autoral. Nos últimos anos, porém, os setores da distribuição e da exibição independentes atravessaram uma grande crise, que teve como principal conseqüência o fechamento de muitas salas (calcula-se que cerca de 760 pequenos cinemas tenham encerrado suas atividades nos últimos cinco anos) e a diminuição no número de filmes importados (que caiu de 404 títulos para 308 neste mesmo período).
DIGITALIZAÇÃO – O número de telas digitais no Japão mais do que duplicou de 2009 para 2010, passando de 440 para 983 (763 delas com tecnologia 3D). Atualmente, a exibição digital representa 28% do parque exibidor do país.
GÊNEROS – A animação e o filme de horror são dois gêneros particularmente populares do cinema japonês contemporâneo e, em muitos casos, têm obtido repercussão internacional tanto nos grandes mercados como nos principais festivais. Vários filmes de horror ganharam remakes em Hollywood, entre eles Água negra, dirigido pelo brasileiro Walter Salles.
MODELOS – A maioria dos filmes japoneses de grande orçamento é feita por meio da formação de consórcios reunindo vários produtores, possibilitando que cada uma deles invista em um projeto específico em troca de uma parte dos direitos do seu uso nas várias janelas de exibição. O sistema oferece vantagens ao possibilitar o uso de diversas mídias, o que cria inúmeras possibilidades de exploração comercial e sinergia das empresas envolvidas para a promoção da mesma. Os direitos do filme pertencem ao consórcio e as receitas são divididas entre seus membros de forma proporcional com o que cada um investiu.
DESAFIOS - Em 2011, o mercado cinematográfico japonês enfrenta um grande desafio em função do impacto provocado pelo terremoto que atingiu o país no começo do ano. Os efeitos foram sentidos em todas as indústrias, e a cinematográfica não foi exceção. No parque exibidor, até as maiores redes tiveram que fechar salas, algumas delas indefinidamente. A arrecadação em bilheteria, naturalmente, teve um declínio imediato na primeira semana após o terremoto, e os resultados finais devem ser profundamente afetados.
APOIO – O principal órgão japonês de apoio ao cinema é a UniJapan Film, organização sem fins lucrativos criada em 1957 pela indústria cinematográfica japonesa sob os auspícios do governo. Sua principal finalidade é promover o cinema japonês no exterior. O órgão também possui um programa de apoio às coproduções internacionais.
Hayao Myiasaki (A viagem de Chihiro, Ponyo – Uma amizade que veio do mar)
Takeshi Kitano (Fogos de artifício, Zatoichi)
Naomi Kawase (Suzaku, Shara)
Takashi Miike (Audition, Harakiri – Death of a Samurai)
Hirokazu Kore-eda (Maborosi, Depois da vida)
UniJapan Film
www.unijapan.org