HONG KONG
População:
7.100.000
Bandeira

MERCADO

TERRITÓRIO SINGULAR – As características particulares da história de Hong Kong explicam por que essa ilha, que não chega a ser um estado independente, é considerada um mercado à parte. Até 1997, Hong Kong foi um centro capitalista encravado no território da China comunista. Ocupada pela Inglaterra em 1841, durante a primeira Guerra do Ópio, a ilha foi formalmente cedida pela China pelo Tratado de Nanquim, no ano seguinte. O embargo das Nações Unidas ao comércio com a China durante a Guerra da Coreia serviu como estímulo para que Hong Kong se transformasse, a partir de meados da década de 1970 e principalmente na década de 1980, em um importante centro econômico e comercial da Ásia. Em 1997, respeitando o tratado estabelecido no período colonial, a ilha foi devolvida à China, que já vivia um processo de abertura econômica e política e se comprometeu a não modificar a estrutura econômica e social de Hong Kong.

POLO DE PRODUÇÃO - Nas décadas de 1970 e 1980, Hong Kong floresceu como um polo de produção cinematográfica, com filmes locais (principalmente de ação) capazes de conquistar o mercado interno e que, aos poucos, passaram a ser circular também pelo mercado externo. Vários talentos revelados pela indústria de Hong Kong foram absorvidos pelo cinema americano, como o cineasta John Woo e os astros Jackie Chan e Jet Li.

CRISEO mercado de cinema de Hong Kong foi seriamente abalado pela crise da economia asiática nos anos 1990 e vem apresentado quedas significativas desde então. Em 2010, como em alguns outros países, o 3D salvou o ano: apesar da queda de 11,6% do total de ingressos vendidos em relação a 2009, a arrecadação nas bilheterias subiu 13,3%, graças ao preço de ingresso premium cobrado pelo 3D digital.

MARKET SHARE LOCAL – A participação de mercado das produções locais, que já foi uma das maiores do mundo – em meados dos anos 1990 chegou a 70% -, continua caindo desde 2007. Apesar do número de lançamentos ter se mantido praticamente estável de 2009 para 2010 (54 títulos), o market share dos filmes realizados em Hong Kong ficou em 19%. Entre 2000 e 2007, esse índice girava em torno de pelo menos 30%. Em 2010, nenhuma produção local ficou entre os dez filmes mais vistos do ano.

LEGISLAÇÃO E REGULAÇÃO

FUNDOSApós a crise econômica dos anos 90, o governo resolveu tomar medidas para a proteção da indústria do cinema, com o objetivo de manter Hong Kong como um dos pólos de produção da Ásia e do mundo. A primeira medida foi a criação, em abril de 1998, do Film Services Office (FSO), órgão vinculado ao Television and Entertainment License Authority (TELA). Um ano depois, em abril de 1999, o FSO estabeleceu o Film Development Fund, um fundo com duração de cinco anos e orçamento pré-aprovado de HK$ 100 milhões, que durou até março de 2004 e apoiou 42 projetos nas mais diversas áreas, da produção e promoção de filmes de Hong Kong a programas de treinamento de pessoal. No fim de 2005, o FDF foi relançado com um orçamento de US$ 20 milhões. Em abril de 2003 foi criado um novo fundo, o Film Guarantee Fund (FGF), que tem um teto máximo de US$ 30 milhões e é destinado ao apoio à produção de longas por meio de instituições bancárias locais que ofereçam empréstimos facilitados para produtores. O empréstimo máximo garantido para cada filme é de 35% do valor do orçamento, ou US$ 2,65 milhões (o que for menor). Todas as companhias produtoras registradas em Hong Kong que tenham realizado pelo menos três filmes entre 1992 e 2001, com lançamento comercial em Hong Kong, estão aptas a concorrer ao empréstimo garantido.

CHINA – Desde que foi devolvido à China, Hong Kong também vem sofrendo transformações econômicas importantes com conseqüências diretas na produção cinematográfica. Em junho de 2003, após a assinatura do Hong Kong Closer Economic Partnership Agreement (CEPA, um acordo para a maior aproximação da parceria econômica entre Hong Kong e a China), foram criadas várias medidas para facilitar o intercâmbio audiovisual entre Hong Kong e a chamada mainland. Entre essas medidas está a liberação de impostos para a exibição de filmes de Hong Kong em território chinês, uma antiga reivindicação dos produtores locais que deve aumentar bastante as perspectivas de mercado dos filmes.

DIGITALIZAÇÃO – Das 155 salas de exibição de Hong Kong, 108 já detêm tecnologia 3D, o que explica a importância do formato nos resultados de bilheteria de 2010. É um dos poucos territórios do mundo já quase totalmente digitalizados.

COPRODUÇÕES – As coproduções são um dos meios de os grandes estúdios penetrarem no mercado cinematográfico de Hong Kong. Várias empresas norteamericanas formam parcerias com distribuidores locais e trabalham estreitamente não só na distribuição, mas também na produção. Na Ásia, a China é o principal parceiro de Hong Kong e suas produções dependem fortemente do mercado chinês para recuperar o investimento.




CINEASTAS DE DESTAQUE

John Woo (Bala na cabeça, A batalha dos três reinos)

Johnny To (Eleição – O submundo do poder, Exilados)

Wong Kar Wai (Cinzas do passado, Amor à flor da pele)

Andrew Law (Conflitos internos, A Beautiful Life)

Stephen Chow (Kung-Fusão, CJ-7 – O brinquedo mágico)

Ann Hui (All About Love, A Simple Life)

Tsui Hark (Seven Swords, Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame)

PRINCIPAL ÓRGÃO OFICIAL

The Film Services Office (FSO)
www.fso-createhk.gov.hk


Fontes: Focus, Marché Du Film 2011, European Audiovisual Observatory / Cinema no Mundo – Indústria, política e mercado. Ásia – volume III, Iniciativa Cultural, 2007 /
The Film Services Office (FSO)


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