ARGENTINA
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MERCADO

CRESCIMENTO - O ano de 2010 foi bastante positivo para o mercado de cinema na Argentina, com índices de crescimento de 14% no total de ingressos vendidos e 43% em renda. O público de cinema chegou a 38 milhões (o nível mais alto desde 2004). Impulsionada pelas megaproduções em 3D – sete delas entre os dez filmes mais vistos do ano –, a bilheteria alcançou os melhores resultados da história, com ARS 678 milhões (US$ 173 milhões). O sucesso do 3D e a inflação provocaram também uma alta significativa no preço médio do ingresso, que subiu 27% em relação a 2009.

PRODUÇÃO NACIONAL - Para a produção nacional, no entanto, foi um ano de baque. Apesar de o número de lançamentos nacionais ter sido o maior dos últimos anos (123 títulos), o público dos filmes argentinos sofreu queda de 34%, enquanto o percentual de market share, caiu de 16% para 9,2%. Pelo menos em parte, essa queda era esperada, uma vez que 2009 foi marcado pelo estrondoso sucesso de O segredo dos seus olhos, de Juan José Campanella. O filme se tornou um fenômeno local, com 2,5 milhões de espectadores (número excepcional para as dimensões do mercado argentino), e, em janeiro de 2010, recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro – o que lhe garantiu uma extensa carreira internacional.

DIGITALIZAÇÃO - A projeção digital na Argentina ganhou um impulso em 2010. Das 944 salas do país, 100 se tornaram aptas a exibir filmes no formato 3D digital. Quase todo o circuito dedicado ao cinema de arte também possui projetores digitais – mas que não são compatíveis com os padrões estabelecidos pelo DCI (definição mínima da imagem de 2K).

LEGISLAÇÃO E REGULAÇÃO

FOMENTO - O INCAA, órgão fomentador e regulador do setor audiovisual na Argentina, é subordinado à Secretaría de Cultura de la Nación, e tem como principal instrumento a Lei de Fomento e Regulação da Atividade Cinematográfica (Lei nº 24.377). Fazem parte do modelo um fundo de créditos e subsídios para a produção de longas e curtas-metragens e cotas de tela de proteção ao filme nacional.

TAXAS – Em setembro de 2011, o INCAA publicou uma resolução polêmica, estabelecendo tarifas aos filmes estrangeiros exibidos no país, calculadas de acordo com o tamanho de cada lançamento. Em Buenos Aires, a tarifa varia de um valor mínimo equivalente a 300 ingressos multiplicados pelo número de salas (para filmes exibidos em até 40 salas) até 12 mil ingressos por sala (para filmes com mais de 161 cópias). Nas outras províncias, os valores caem pela metade.

FUSÃO – Em agosto de 2011, a Cinemark anunciou a compra da Hoyt na Argentina, tornando-se assim o maior grupo exibidor do país. Com a operação, o grupo passou a controlar 20 complexos, que somam 175 salas (cerca de 40% do mercado).

EXIBIÇÃO - Em 2004, o INCAA criou um programa denominado Espacios INCAA. Alguns cinemas de rua do país passaram a ser controlados pelo instituto, exibindo principalmente filmes argentinos com preços mais baixos e, eventualmente, filmes estrangeiros do circuito de arte e ciclos especiais.

COPRODUÇÃO - A Espanha sempre foi um dos principais parceiros da Argentina na realização de coproduções para o cinema. Com a recente crise, no entanto, o governo espanhol diminuiu sua verba para produções internacionais, o que se refletiu em uma drástica redução no número de coproduções hispano-argentinas.

ARGENTINA-BRASIL - Em 2010, a Argentina intensificou os laços com o Brasil por meio da criação de um fundo de coprodução com recursos de US$ 800 mil, para beneficiar projetos cinematográficos argentino-brasileiros. Os apoios estabelecidos priorizam as ajudas aos produtores minoritários em cada território. Além do Brasil e Espanha, o INCAA mantém convênio de coprodução com diversos países, entre eles Canadá, México, Chile, Itália, Marrocos e Alemanha.


CINEASTAS DE DESTAQUE

Juan José Campanella (O segredo dos seus olhos, O filho da noiva)

Pablo Trapero (Leonera, Abutres)

Daniel Burman (O abraço partido, Dois irmãos)

Marcelo Piñeyro (Plata quemada, O que você faria?)

Lucrecia Martel (O pântano, La mujer sin cabeza)

Lisandro Alonso (La libertad, Liverpool)

Carlos Sorin (Histórias mínimas, A janela)


PRINCIPAL ÓRGÃO OFICIAL

Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA)
www.incaa.gov.ar


Fontes: Focus, Marché Du Film 2011, European Audiovisual Observatory / INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales) / "Incentivos fiscales para la producción y coproducción audiovisual en Iberoamérica, Canadá y EE.UU" Steve Solot, 1ª edição, LATC, Rio de Janeiro, 2009 / "Distribución y Exhibición Digital en América Latina – Contexto mundial y realidad regional", Roque González, Investigador de medios audiovisuales del Observatorio del Mercosur Audiovisual / "Llega el cine digital a la Argentina", por María Laura Pacheco, Cinevivo


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