BRASIL
População:
190.732.694
Bandeira

MERCADO

ANO RECORDE - O mercado de cinema no Brasil ultrapassou pela primeira vez em 2010 a marca de R$ 1 bilhão em bilheterias – um recorde histórico. Os resultados finais de público (134,8 milhões de ingressos vendidos) e renda (R$ 1,26 bilhão) representam alta de cerca de 20% e 30% em relação a 2009, mas, sobretudo, firmam novos recordes para o mercado de cinema no Brasil. Três elementos chamam atenção na observação detalhada dos números do ano: o aumento de público e renda dos filmes em 3D; a contribuição robusta da produção nacional para o crescimento total; e o aumento da participação de mercado dos dez filmes mais vistos, que passou de 39% em 2009 para 42% em 2010.

3D - O crescimento do 3D foi um reflexo direto do fenômeno Avatar: o sucesso da aventura de James Cameron quebrou a resistência dos exibidores em relação aos altos investimentos e provocou uma verdadeira corrida por projetores digitais. Como conseqüência, público e renda dos filmes no formato cresceram mais de 200% em relação a 2009. O market share dos títulos exibidos com a nova tecnologia chegou a 19,4% (em renda), com R$ 244,7 milhões de arrecadação e 17,7 milhões de ingressos vendidos.

NACIONAIS - Com três filmes no top 10 (Tropa de elite 2, Nosso lar e Chico Xavier), o cinema nacional apresentou crescimento robusto e alcançou uma participação de mercado de 19% - o segundo melhor índice dos últimos anos, perdendo apenas para 2003 (22%).

DEZ MAIS - No total, nove filmes do top 10 alcançaram público superior a quatro milhões de espectadores – e essa foi a única vez na última década com tantos títulos acima dessa faixa de ingressos vendidos em um mesmo ano. O maior número, até então, havia sido cinco títulos por ano, nos rankings de 2004 e de 2009. Outro fator que chama atenção é o crescimento da participação de mercado das dez maiores bilheterias do ano, que passou de 40% em 2010. A lista encabeçada pelo nacional Tropa de elite 2 traz quatro filmes em 3D (Avatar, Shrek para sempre, Alice no país das maravilhas e Toy Story 3) e novos filmes de franquias bem consolidadas (A saga Crepúsculo: Eclipse, Alvin e os esquilos 2 e Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1). Com exceção de Harry Potter, todas as continuações superaram seus antecessores. O público somado dos filmes do top 10 chegou a 56,5 milhões de espectadores.

LEGISLAÇÃO E REGULAÇÃO

No início dos anos 1990, como consequência da abertura política pós-ditadura e de um melhor clima político e econômico, o governo federal brasileiro começou a dar os primeiros passos para desenvolver uma política cinematográfica. Em primeiro lugar, aprovou, em 1991 e 1993, as primeiras leis federais de apoio à cultura e à indústria audiovisual brasileira: a Lei Rouanet (Lei 8.313/91) e a Lei do Audiovisual (Lei 8.685/93), que se converteram na base legal fundamental para o desenvolvimento de uma indústria de cinema no Brasil. A primeira medida criou o Fundo Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), que possibilitou doações e patrocínios de empresas a projetos culturais em troca de incentivos fiscais. A segunda ampliou os instrumentos de apoio ao setor, tornando-os específicos para projetos de produção, de exibição e de distribuição.

Anos mais tarde, respondendo a uma nova demanda cinematográfica criada por meio dessas leis, foi aprovada, em 2001, a criação da Agência Nacional de Cinema (Ancine), responsável pela regulação do mercado cinematográfico brasileiro. A mesma medida provisória que criou a Ancine estabeleceu também o Funcine (Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional), o Prodecine (Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Nacional) e a Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional). Por meio dos seus programas e instrumentos de apoio, a Ancine dá suporte a projetos de produção, de exibição e de distribuição, além de estimular a participação de filmes brasileiros em festivais internacionais e incentivar a exibição das produções nacionais por meio da cota de tela. O total de recursos públicos ou incentivados aplicados em projetos cinematográficos em 2010 foi de R$ 265,8 milhões.

Em 2010, para tentar solucionar o problema do reduzido número de salas de exibição, o governo brasileiro, por meio da Ancine, lançou o programa “Cinema perto de você”, que oferece linhas de crédito para a construção de cinemas em cidades de médio porte. Para isso, há dois instrumentos principais: o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e o Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (PROCULT), que juntos disponibilizarão R$ 500 milhões para o programa.

CINEMA DIGITAL - Beneficiando-se do aumento de telas digitais no país – que praticamente triplicou de 2009 para 2010, passando de 97 para 264 de 2009 –, os filmes em 3D faturaram 19,4% do total da arrecadação em bilheteria. Algumas iniciativas presentes no programa “Cinema perto de você” dizem respeito à digitalização das salas de exibição do país. Entre as medidas tributárias, está a desoneração total dos tributos federais incidentes na importação e no comércio interno dos projetores digitais. Além disso, os equipamentos importados poderão ser financiados pelo FSA.

COPRODUÇÕES - O governo brasileiro estimula a realização de coproduções internacionais. O Brasil tem acordos de coprodução com Argentina, Canadá, Chile, França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal e Venezuela, além de integrar o Fundo Ibero-americano Ibermedia, programa de estímulo à promoção e à distribuição de filmes ibero-americanos, que faz parte da política audiovisual da Conferência de Autoridades Cinematográficas Iberoamericanas (CACI).




CINEASTAS DE DESTAQUE

Bruno Barreto (O que é isso, companheiro?, Bossa Nova)

Carlos Diegues (Orfeu, Deus é brasileiro)

Claudio Assis (Baixio das bestas, A febre do rato)

Daniel Filho (Se eu fosse você, Chico Xavier)

Eduardo Coutinho (Edifício Master, As canções)

Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Ensaio sobre a cegueira)

Hector Babenco (Pixote, Carandiru)

José Padilha (Ônibus 174, Tropa de elite)

Julio Bressane (Filme de amor, Cleópatra)

Karim Aïnouz (Madame Satã, O céu de Suely)

Nelson Pereira Dos Santos (Brasília 18%, A música segundo Tom Jobim)

Walter Salles (Central do Brasil, Diários de motocicleta)


PRINCIPAIS ÓRGÃOS OFICIAIS

Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura
www.cultura.gov.br

Agência Nacional do Cinema (ANCINE)
www.ancine.gov.br


Fontes: Focus, Marché Du Film 2011, European Audiovisual Observatory / Agência Nacional do Cinema (ANCINE)


PAÍSES