CRESCIMENTO – O ano de 2010 foi excepcionalmente bom para o mercado de cinema italiano. O total de ingressos vendidos teve alta de 11%, para 123,4 milhões (o melhor resultado desde 1986), e a arrecadação da bilheteria aumentou 18%, alcançando um recorde de € 797 milhões (US$ 1,1 bilhão). Esse crescimento foi puxado pelo bom desempenho dos blockbusters americanos, particularmente os títulos em 3D, mas também pelo sucesso de produções locais. A comédia Benvenuti Al Sud, remake do francês Bienvenue chez les Ch’tis, tornou-se o filme italiano mais rentável de todos os tempos, com bilheteria de cerca de US$ 40 milhões.
PRODUÇÃO – Apesar de mais uma redução do financiamento público ao setor, a atividade produtiva cinematográfica na Itália subiu para 142 filmes, depois de ter ficado em 133 em 2009. Em 2010, das dez produções mais vistas do ano, cinco eram nacionais, o que elevou significativamente o market share do cinema local para 32% (contra 24,4% em 2009).
BLOCKBUSTERS LOCAIS – Apesar de o cinema italiano ter perdido significativamente o prestígio internacional do passado, sua produção é hoje bastante forte em blockbusters locais, principalmente em comédias de grande apelo popular, lançadas com fortes campanhas de mídia. Um exemplo é a série Natale a... (Natal em...), estrelada por Christian De Sica (filho de Vittorio de Sica) e dirigida por Neri Parenti. A série começou em 1995, com Vacanze di Natale, foi retomada em 1999, com Vacanze di Natale 2000, e, desde 2001, com Merry Christmas, vem marcando presença anualmente em circuito, sempre perto do Natal, como por exemplo Natale sul Nilo (2002), Natale a India (2003), e até Natale a Rio (2008). Todos costumam fazer pelo menos três milhões de espectadores.
FINANCIAMENTO – De acordo com membros da Associação Nacional da Indústria Cinematográfica, Audiovisual e Multimídia (Anica), o financiamento público destinado à produção de filmes para cinema em 2010 foi de € 35,4 milhões, que representaram 11% do total do investimento em produção (de € 312 milhões). Além da Anica, o Cinecittà e a Direzione Generale per il Cinema do Ministério do Bem e da Atividade Cultural da Itália são os órgãos destinados ao “desenvolvimento e a promoção da atividade cinematográfica italiana”. Em conjunto, as três entidades apoiam a produção, a distribuição, a exibição e a infraestrutura de cinema, por meio de fundo de fomento centralizado, administrado pelo Ministério da Cultura com base em acordos com instituições financeiras. O Cinecittà, empresa de capital predominantemente estatal, é o mais famoso estúdio da Itália e centraliza a coordenação de investimentos públicos para as produções italianas e a promoção e lançamento dos filmes nacionais.
INCENTIVOS REGIONAIS – O país tem uma rede sofisticada e eficiente de 20 comissões regionais de suporte ao cinema. Turin-Piedmont é a comissão mais forte e mais bem consolidada, oferecendo financiamentos e facilidades para a produção com seu estúdio próprio, o Cineporto. Em 2010, 13 filmes foram rodados na região, que investiu € 31,6 milhões no setor.
REDUÇÃO – Num contexto geral, algumas medidas do governo sinalizavam um ano difícil para o setor italiano de artes em 2011. Uma delas era a redução do fundo único de artes (FUS) de € 428 para € 258, o que ameaçava as operações de instituições bem estabelecidas, como o Festival de Cinema de Veneza e o Cinecittá. Depois de inúmeros protestos, no entanto, em março deste ano o governo finalmente decidiu restabelecer o orçamento do fundo único e substituir a taxa sobre os ingressos vendidos pelo aumento na taxa sobre a gasolina.
INCENTIVOS FISCAIS – Um recente aumento no sistema de incentivo fiscal, aberto para produções estrangeiras, mostrou que a concessão de subsídios para o financiamento do cinema pode ser muito atrativa para produtores internacionais. Devido à iniciativa, produções altamente lucrativas, como O Turista, com Johnny Depp e Angelina Jolie, e Um homem misterioso, com George Clooney, levaram cenários italianos para as telas de todo o mundo. Em julho deste ano, em coprodução com uma companhia da Itália, Woody Allen iniciará as filmagens em Roma do seu próximo filme, The Bop Decameron. No país, produções em larga-escala podem trabalhar com produtoras nacionais para terem acesso a 25% de crédito fiscal da parte italiana das filmagens. Ou, se um produtor estrangeiro decide trabalhar com um coprodutor italiano oficial, ele pode desencadear um financiamento em cascata: estadual, regional e 15% a mais de crédito fiscal.
DIGITALIZAÇÃO – Com o apoio do sistema de crédito fiscal, ao fim de 2010, o setor exibidor já tinha convertido aproximadamente 28% das salas de cinema do país para a projeção digital, totalizando 899 telas com a tecnologia.
COPRODUÇÕES – Por meio do Ministério do Bem e da Atividade Cultural, o país mantém acordos de coprodução cinematográfica com 38 países.
Nanni Moretti (O quarto do filho, Habemus Papam)
Marco Bellocchio (Bom dia, noite; Vencer)
Paolo Sorrentino (Il Divo, Aqui é o lugar)
Bernardo Bertollucci (Beleza roubada, Os sonhadores)
Matteo Garrone (L’imbalsamatore, Gomorra)
Emanuele Crialese (Novo mundo, Terraferma)
Dario Argento (Terror na ópera, Drácula 3D)
Roberto Benigni (A vida é bela, O tigre e a neve)
Neri Parenti (Natale a New York, Natale a Rio)
Ministero per i Beni e la Attività Culturali - Direzione Generale per il Cinema
www.cinema.beniculturali.it
Cinecittà
www.cinecitta.it
Cinetel
www.cinetel.it
Anica
www.anica.it