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“Ninguém comemora resultado de editais”, diz Tiago Mafra

“Ninguém comemora resultado de editais”, diz Tiago Mafra

Bernardo Siaines, de Salvador
27 mar 26

Imagem destaque

Patrícia Almeida / Divulgação

Debate com Tiago Mafra e Adriana Rattes

Na tarde de quinta-feira, Adriana Rattes, diretora executiva e sócia-fundadora do Grupo Estação, e Tiago Mafra, diretor executivo da Abraplex, participaram da mesa Exibição no Centro da Política Audiovisual: Pensar o Cinema a Partir do Público, com mediação de Cláudio Marques, diretor do Panorama Internacional Coisa de Cinema, do Cine Glauber Rocha e da AEXIB.

A mesa começou com uma provocação de Cláudio, que perguntou se é possível pensar o audiovisual a partir do público e da exibição, e não da produção.

Rattes disse: “Nunca tivemos a exibição no centro da política audiovisual. Por isso estamos com esse imbróglio com os streamings. Mas os exibidores não vão fazer nada sozinhos. Devemos juntar produção, distribuição, e construir algum consenso entre o mercado exibidor, guardadas as devidas diferenças, pra enfrentar essa questão.”

"Pequenos não falam com os grandes"

A profissional lembrou da falta de apoio público aos exibidores, ressaltando que o que mantém o negócio é a bilheteria e a bombonière, e destacou a dificuldade de comunicação entre os próprios exibidores: “os pequenos não falam com os grandes”. 

Rattes disse que é muito bom para o exibidor ter uma cinematografia nacional forte, valorizando os resultados de iniciativas como a Semana do Cinema, mas, por outro lado, disse que “muitos filmes nacionais lançados anualmente não têm potencial para fazer um público muito grande. Alguns deveriam ou poderiam pensar em não serem lançados em salas de cinema.”

Adriana disse ainda que “não se faz política apenas dando dinheiro através de editais. É preciso uma análise de onde estamos e de onde queremos chegar, e quais são os passos necessários para chegar lá. E saber que isso leva tempo". Ela criticou o baixo valor destinado à distribuição: "Não dá para lançar um filme com R$ 250 mil. É um orçamento ridículo." 

“Ninguém comemora resultado de editais”

O presidente da Abraplex, Tiago Mafra, proferiu uma frase dura, dizendo que ninguém comemora os resultados de editais: “Os 99% que perdem ficam chateados por não terem sido contemplados, enquanto o 1% que foi contemplado se pergunta: ‘tá bom, mas quando é o outro?’”. 

Mafra disse ainda que “não se pode delegar tudo ao FSA. O Comitê Gestor está sempre com a batata quente na mão. Não há espaço dentro do ambiente do Comitê Gestor para um debate mais profundo ou uma maturação de política. É como trocar de piloto com o avião voando. Além disso, há a idiossincrasia do próprio fundo, com contingenciamento de recursos e repasse de tesouro pro fundo”.

Outro apontamento feito pelo profissional foi que é hora de o governo acelerar os financiamentos indiretos para que não se dependa tanto do FSA.  O parágrafo 4º do artigo 1ºA, por exemplo, que permite usar recursos para reformar salas de cinema, nunca foi utilizado. 

O profissional levantou também um ponto pouco comentado: que os editais não pontuam roteirista, e que muitos acabam tendo que migrar para a TV e para o streaming para pagar as contas.