Referência
no mercado de
cinema no Brasil
A grade de lançamentos de maio a julho vai muito além dos blockbusters já anunciados. Enquanto o público aguarda os títulos mais badalados da temporada, uma lista igualmente interessante de filmes chega às salas semana a semana — com vampiras paulistanas, revoltas em fazendas, o retorno de Almodóvar e brasileiras que já passaram pelos festivais mais importantes do mundo.
Abrindo o período, em 21 de maio, o cinema nacional apresenta um de seus títulos mais originais do ano: Love Kills (O2 Play). Dirigido por Luiza Shelling Tubaldini — a mesma de A Princesa da Yakuza, que chegou ao top 10 mundial da Netflix em 2021 —, o longa é adaptação da graphic novel homônima de Danilo Beyruth e mergulha no centro decadente de São Paulo para contar a história de Helena (Thais Lago), uma jovem vampira negra que vaga pelo submundo da Cracolândia e se aproxima de Marcos (Gabriel Stauffer), um garçom ingênuo que aos poucos vai descobrindo os segredos dela. A diretora declarou que a intenção era transformar a capital paulista em uma "Gotham City tropical" — e o resultado foi exibido no Festival do Rio e no Festival de Sitges, maior evento de cinema de gênero do mundo, consolidando a produção no circuito internacional.
Uma semana depois, em 28 de maio, chega A revolução dos bichos (Paris), a aguardada adaptação animada do clássico de George Orwell dirigida por Andy Serkis. Com vozes de Seth Rogen, Glenn Close, Woody Harrelson e Kieran Culkin no original, o longa estreou no Festival de Annecy 2025 e atualiza a alegoria política de Orwell para o contexto da corrupção corporativa contemporânea, introduzindo novos personagens e uma abordagem que o roteirista Nicholas Stoller — de Esqueceram de mim — definiu como "estranhamente atual". A crítica se dividiu, mas o debate em torno do filme já lhe garante um lugar na conversa sobre o poder, a propaganda e a fragilidade das revoluções.
Novo longa de Julia Ducournau
Também no fim de maio (dia 28), os fãs de Pedro Almodóvar têm muito a esperar. Natal amargo (Warner) é o novo trabalho do cineasta espanhol e narra duas histórias paralelas que se desenrolam entre Madri e as Ilhas Canárias: de um lado, Elsa (Bárbara Lennie), uma publicitária que perde a mãe nas festas de dezembro e se afoga no trabalho para fugir do luto, até sofrer um colapso que a força a parar; de outro, Raúl Durán (Leonardo Sbaraglia), um cineasta incapaz de separar sua vida pessoal da ficção que cria.
Em 4 de junho, o circuito de arte recebe Alpha (O2 Play), terceiro longa da diretora francesa Julia Ducournau — a mesma de Crua (2016) e do vencedor da Palma de Ouro Titane (2021). O filme acompanha Alpha (Mélissa Boros), uma adolescente de 13 anos cujo mundo se desmorona quando ela retorna de uma festa com uma tatuagem feita à mão e passa a ser temida por colegas e familiares que suspeitam de uma doença de transmissão sanguínea que vira a comunidade de cabeça para baixo. Estrelado também por Tahar Rahim e Golshifteh Farahani, o longa foi exibido na competição oficial de Cannes 2025 e dividiu a crítica — o que, no universo de Ducournau, é quase uma certidão de originalidade.
Comédia com Ary Fontoura
No final de junho, em 25 de junho, a comédia nacional Amigos em fuga (Paris) promete uma das combinações mais simpáticas do semestre: Ary Fontoura, Luis Miranda e Rafael Portugal juntos em uma aventura cada vez mais fora de controle dirigida por Mauro Farias. Fontoura, um dos atores mais queridos do Brasil com mais de oito décadas de vida, continua sendo presença magnética em qualquer produção, e sua parceria com os dois comediantes é um dos pontos de curiosidade do lançamento.
Julho começa com Minions & monstros (Universal), no dia 2, que traz de volta os personagens mais caóticos e amados da Illumination. Desta vez, os minions invadem Hollywood e, no melhor espírito do gênero, acabam desencadeando uma crise de proporções globais ao tentar gravar um filme de monstros. Pierre Coffin, criador original dos personagens, volta à direção para garantir a linguagem e o humor que consagraram a franquia.
Em 9 de julho, chegam dois filmes brasileiros que já percorreram festivais com reconhecimento expressivo. Herança de Narcisa (Olhar Filmes), de Clarissa Appelt e Daniel Dias, marca a estreia de Paolla Oliveira no terror em um drama sobrenatural que a coloca no papel de Ana, uma mulher que retorna ao casarão de infância no Rio de Janeiro após a morte da mãe, a ex-vedete Narcisa. O reencontro com o passado abre antigas feridas, mistérios familiares e uma presença que se recusa a desaparecer. Vencedor do Prêmio de melhor filme pelo júri popular no Festival do Rio e exibido no Fantaspoa e no Cinequest Film Festival, na Califórnia, o longa impressiona pelo rigor psicológico e pela entrega da protagonista.
Doc sobre Elza Soares
Na mesma data, chega Elza (Gullane+), documentário de Eryk Rocha sobre Elza Soares, a cantora carioca que atravessou décadas de música brasileira como símbolo de resistência e reinvenção, até sua morte em 2022. Um retrato à altura de uma artista que foi do samba ao noise sem perder a coerência, o longa já passou por festivais e promete ser um dos documentários nacionais de maior impacto do ano.
Fechando a linha de terror do período, A morte do demônio: Em chamas (Sony) chega também em 9 de julho. Dirigido pelo francês Sébastien Vanicek — revelado com o aclamado Infestação (2023) —, o novo capítulo da franquia criada por Sam Raimi nos anos 1980 aposta em elenco inédito e história autônoma. A escolha de Vanicek sinaliza que a produção não quer apenas reciclar susto, mas trazer um olhar renovado a um dos clássicos do horror contemporâneo.
Para a lista completa de estreias dos próximos meses, consulte o Calendário de Estreias da Filme B.
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