“Netflix entendeu importância das salas”, diz Bernardo Lessa, da Vitrine, sobre janela de 'O agente secreto'

“Netflix entendeu importância das salas”, diz Bernardo Lessa, da Vitrine, sobre janela de 'O agente secreto'

Bernardo Siaines, de Salvador
26 mar 26

Imagem destaque

Patrícia Almeida / Divulgação

Bernardo Lessa, da Vitrine

Na primeira mesa da quinta-feira, 26 de março, na seção de seminários do Panorama internacional Coisa de Cinema, a Vitrine Filmes, representada por seu gerente de lançamento, Bernardo Lessa, apresentou as estratégias de sucesso por trás do lançamento de O agente secreto, com mediação de Samuel Marotta, programador do Centro Cultural Unimed BH Minas.

Lessa inicia dizendo que, desde o  documentário O crítico, Kleber Mendonça Filho tem uma boa relação com a Vitrine, e destaca que o diálogo aberto entre direção, produção e distribuição é fundamental: “algumas vezes ele até discorda de uma ou outra ação que propomos, mas respeita e acata.” 

O profissional destaca que, assim como outros filmes brasileiros, O agente secreto compete com orçamentos gigantescos de filmes estrangeiros, e deve investir na criatividade para se sobressair.

Netflix entendeu a importância das salas de cinema

O agente secreto já está na Netflix. E a plataforma, como revelou Bernardo Lessa, já estava no projeto desde o início como coprodutora, o que ajudou a empresa a entender um antigo argumento do setor, apresentado a ela por Kleber e pela produtora do longa, Emilie Lesclaux: se o filme performasse bem nas salas, iria ainda melhor no streaming. Segundo Lessa, a Netflix foi extremamente respeitosa durante o processo. 

E, para isso, a logo da empresa não foi exibida durante sua projeção no Festival de Cannes, e sua participação só foi anunciada depois. Lessa explica: “Se o público não soubesse que o filme depois iria para o streaming, sua performance nas salas seria melhor”. Consequentemente, seu valor de mercado também. 

Além disso, a janela de quatro meses — 6 de novembro a 7 de março — que o filme teve foi muito maior que o padrão e, pelo que estava estabelecido no contrato, teria sido menor. 

Ações offline viralizam online

Lessa contou ainda como a distribuidora subverteu a lógica, realizando ações feitas no "mundo real" que foram viralizadas online, como, por exemplo, quando pôs o cantor O Kannalha na varanda do Cine Glauber Rocha cantando sua música "O baiano tem o molho", muito usada na divulgação do filme. A música não foi licenciada, mas seu uso foi autorizado pelo cantor. 

Materiais exclusivos para as salas de cinema

Para os exibidores presentes, Bernardo disse: “quando soltamos o trailer, a exclusividade era de vocês. Vocês eram nossa única janela. Não só o trailer. Se quisessem ver algo sobre o filme, tinham que ir às salas de cinema. Nós inclusive mandamos [o trailer] em DCP, e não em MP4, justamente para dificultar a vida [de quem quisesse passar fora]. Sempre privilegiamos as salas de cinema. Nossas peças publicitárias, desde o início, mandávamos primeiro para as salas de cinema e só depois para a internet.”

Marketing começou antes de o filme estar pronto

Lessa ressalta que optou por começar a lançar materiais do filme bem antes de ele estar pronto: “gravamos de maio a julho de 2024 e já expusemos material na Expocine do mesmo ano.” 

“Primeira vez que fugiram de um filme brasileiro”

O profissional revelou ainda que, quando a Vitrine marcou a data de lançamento de O agente secreto para 6 de novembro, um "filme gigantesco" marcado para o mesmo dia foi adiado para evitar competição (o título não foi revelado). “Foi a primeira vez que fugiram de um filme brasileiro”, brincou.

Além dos investimentos privados, O agente secreto teve orçamento público para distribuição de R$ 5,5 milhões: R$ 3,75 milhões da Petrobras via SALIC, com R$ 250 mil de contrapartida da Vitrine; mais R$ 750 mil do FSA, somados a R$ 750 mil de contrapartida da Vitrine.