Referência
no mercado de
cinema no Brasil
Na primeira mesa da quinta-feira, 26 de março, na seção de seminários do Panorama internacional Coisa de Cinema, a Vitrine Filmes, representada por seu gerente de lançamento, Bernardo Lessa, apresentou as estratégias de sucesso por trás do lançamento de O agente secreto, com mediação de Samuel Marotta, programador do Centro Cultural Unimed BH Minas.
Lessa inicia dizendo que, desde o documentário O crítico, Kleber Mendonça Filho tem uma boa relação com a Vitrine, e destaca que o diálogo aberto entre direção, produção e distribuição é fundamental: “algumas vezes ele até discorda de uma ou outra ação que propomos, mas respeita e acata.”
O profissional destaca que, assim como outros filmes brasileiros, O agente secreto compete com orçamentos gigantescos de filmes estrangeiros, e deve investir na criatividade para se sobressair.
Netflix entendeu a importância das salas de cinema
O agente secreto já está na Netflix. E a plataforma, como revelou Bernardo Lessa, já estava no projeto desde o início como coprodutora, o que ajudou a empresa a entender um antigo argumento do setor, apresentado a ela por Kleber e pela produtora do longa, Emilie Lesclaux: se o filme performasse bem nas salas, iria ainda melhor no streaming. Segundo Lessa, a Netflix foi extremamente respeitosa durante o processo.
E, para isso, a logo da empresa não foi exibida durante sua projeção no Festival de Cannes, e sua participação só foi anunciada depois. Lessa explica: “Se o público não soubesse que o filme depois iria para o streaming, sua performance nas salas seria melhor”. Consequentemente, seu valor de mercado também.
Além disso, a janela de quatro meses — 6 de novembro a 7 de março — que o filme teve foi muito maior que o padrão e, pelo que estava estabelecido no contrato, teria sido menor.
Ações offline viralizam online
Lessa contou ainda como a distribuidora subverteu a lógica, realizando ações feitas no "mundo real" que foram viralizadas online, como, por exemplo, quando pôs o cantor O Kannalha na varanda do Cine Glauber Rocha cantando sua música "O baiano tem o molho", muito usada na divulgação do filme. A música não foi licenciada, mas seu uso foi autorizado pelo cantor.
Materiais exclusivos para as salas de cinema
Para os exibidores presentes, Bernardo disse: “quando soltamos o trailer, a exclusividade era de vocês. Vocês eram nossa única janela. Não só o trailer. Se quisessem ver algo sobre o filme, tinham que ir às salas de cinema. Nós inclusive mandamos [o trailer] em DCP, e não em MP4, justamente para dificultar a vida [de quem quisesse passar fora]. Sempre privilegiamos as salas de cinema. Nossas peças publicitárias, desde o início, mandávamos primeiro para as salas de cinema e só depois para a internet.”
Marketing começou antes de o filme estar pronto
Lessa ressalta que optou por começar a lançar materiais do filme bem antes de ele estar pronto: “gravamos de maio a julho de 2024 e já expusemos material na Expocine do mesmo ano.”
“Primeira vez que fugiram de um filme brasileiro”
O profissional revelou ainda que, quando a Vitrine marcou a data de lançamento de O agente secreto para 6 de novembro, um "filme gigantesco" marcado para o mesmo dia foi adiado para evitar competição (o título não foi revelado). “Foi a primeira vez que fugiram de um filme brasileiro”, brincou.
Além dos investimentos privados, O agente secreto teve orçamento público para distribuição de R$ 5,5 milhões: R$ 3,75 milhões da Petrobras via SALIC, com R$ 250 mil de contrapartida da Vitrine; mais R$ 750 mil do FSA, somados a R$ 750 mil de contrapartida da Vitrine.
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