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Distribuidores discutem formas de atrair o público no RioMarket

Distribuidores discutem formas de atrair o público no RioMarket

Taiani Mendes
06 out 26

Imagem destaque

Davi Campana
Na tarde de segunda-feira, 5 de outubro, o RioMarket juntou os distribuidores Jean Thomas Bernardini, fundador da Imovision, Patricia Kamitsuji, diretora-geral da Imagem, e Sandro Rodrigues, CEO da H2O, em um debate sobre o que o público quer ver.
 
Sendo o cinema um mercado de risco e magia, como bem pontuou Jean Thomas, tentar prever o comportamento do público nem sempre é frutífero. Ainda assim, a mesa concordou que urgência, senso de evento, boca a boca e motivação de debates são fatores que influenciam muito a compra de ingressos.
 
Patricia, que assumiu o cargo na Imagem em agosto, disse não ser contra os algoritmos como ferramenta, mas enxerga na supervalorização deles uma ameaça à originalidade. Na visão dela, é importante saber o que as pessoas querem e também criar o que as pessoas ainda não sabem que querem assistir. 
 
Davi Campana
Distribuidores no RioMarket
 
Jean Thomas, dedicado à distribuição e exibição de filmes independentes, mencionou a necessidade de cada filme ser trabalhado bem antes do lançamento de fato e lamentou o desaparecimento da imprensa especializada e da crítica, que deram lugar à dependência dos influenciadores. Outra dificuldade atual apontada por ele é que os filmes menores não têm mais tempo de serem descobertos em cartaz, pois são retirados logo na primeira semana caso não rendam o esperado, e muitas vezes só têm uma sessão por dia.
 
Segundo ele, a pandemia de covid-19 mudou muita coisa, inclusive o público do Reserva Cultural. Antes as sessões praticamente só tinham idosos e agora a frequência de jovens é muito maior, com destaque para a geração Z, muito interessada em filmes que rendem discussões. Na avaliação de Jean Thomas, longas que misturam gêneros também têm sido muito procurados e costumam render bem em suas salas.
 
Mais sessões não criam automaticamente mais público, e os três defenderam que a oferta é necessária e a demanda precisa ser construída.
 
Jean Thomas revelou que 72% dos frequentadores do Reserva vão até lá sem saber o que está em cartaz, e Patricia Kamitsuji voltou a defender a venda antecipada de ingressos mais baratos como forma de criar o hábito cinematográfico nos consumidores — uma ideia que ela também promoveu na entrevista exclusiva concedida à Filme B.
 
Um novo olhar para a distribuição
 
Na sequência, uma mesa mediada por Walkiria Barbosa, diretora do RioMarket/Festival do Rio e fundadora da Total Entertainment, reuniu Fred Avellar, executivo de marketing da Gullane+, Igor Kupstas, diretor da O2 Play, Felipe Lopes, sócio-diretor da Retrato, e Gabriel Gurman, fundador da +Galeria.
 
Davi Campana
Distribuidores no RioMarket
 
De modo geral, todos apontaram que a comunicação direta com o público-alvo de cada filme, usando criatividade e mobilização de nichos com campanhas direcionadas, é o que funciona melhor. 
 
Igor destacou os números de O convite e lembrou o bom timing do documentário musical Elis & Tom, só tinha de ser com você; Felipe destacou o êxito de Valor sentimental, mesmo com poucas sessões e sem versões dubladas; Fred ressaltou a campanha do documentário 3 Obás de Xangô, focada na Bahia e em terreiros de candomblé; e Gabriel comentou a necessidade do investimento em rádios AM para a divulgação do drama religioso Fé para o impossível, chamando a atenção para as especificidades de cada bolha.
 
Do lugar de produtora, Walkiria Barbosa contribuiu falando das parcerias e promoções envolvendo Se eu fosse você 3 (Disney), incluindo uma novela vertical dos bastidores. Já Gabriel apontou o objetivo da +Galeria de maximizar cada filme além do filme, transformando-o em IP antes mesmo de ser lançado.