Referência
no mercado de
cinema no Brasil
O esperado retorno da turma de Woody e Buzz comandou as bilheterias brasileiras na 25ª cine-semana de 2026 (18 a 24 de junho).
Toy Story 5 (Disney) abriu na liderança e fechou seus sete primeiros dias em cartaz com 1,68 milhão de ingressos vendidos e R$ 38,2 milhões arrecadados — números que não incluem as sessões de pré-estreia, responsáveis por outros 167 mil espectadores. O longa sozinho respondeu por cerca de dois terços de tudo o que foi vendido no país na semana, segundo dados do Filme B Box Office Brasil.
A marca é robusta, mas fica aquém da estreia de Toy Story 4 (Disney), que em junho de 2019 abriu sua primeira semana com 2,8 milhões de ingressos e R$ 45,8 milhões. Na comparação direta, Toy Story 5 vendeu cerca de 40% menos ingressos que o antecessor no mesmo período, ainda que a diferença em renda seja bem menor — pouco mais de 16% —, devido à mudança nos preços médios do ingresso (PMI) no intervalo de sete anos (de cerca de R$ 16,40 em 2019 para R$ 22,70 agora).
Impacto da Copa do Mundo
Boa parte do contraste, porém, se explica pelo calendário. Toy Story 4 estreou exatamente no feriado de Corpus Christi (quinta-feira, 20 de junho de 2019), o que turbinou seu dia de abertura — foram mais de 655 mil espectadores só na quinta de estreia, contra 171 mil de Toy Story 5 na quinta-feira 18. Além de não contar com feriado, o novo capítulo estreou em plena Copa do Mundo de 2026, que disputa a atenção do público brasileiro. Em 2019 não havia Mundial concorrendo pelas telas. Chama a atenção, aliás, que mesmo com 31% mais salas que o antecessor, Toy Story 5 tenha vendido menos ingressos — sinal de que o ambiente externo pesou.


E a Copa pesou de forma bem visível dia a dia. O Brasil entrou em campo duas vezes na semana: sexta-feira, 19 (vitória sobre o Haiti) e quarta-feira, 24 (3 a 0 sobre a Escócia, às 19h, horário de Brasília). Não por acaso, esses foram os dois dias mais fracos da semana entre os úteis. A quarta-feira 24, último dia da cine-semana, viu as bilheterias despencarem: foram 81 mil espectadores e R$ 1,6 milhão, ante 312 mil ingressos e R$ 6,5 milhões na quarta-feira anterior — uma queda de quase 74% no público de um dia para o equivalente da semana passada. A sexta de estreia, dia do jogo contra o Haiti, também enfraqueceu o mercado, com 119 mil ingressos, abaixo até da própria quinta de abertura, algo incomum para um dia que costuma ser mais forte.
Dia D encosta em 1 milhão
Entre os demais destaques da semana, Dia D (Universal) seguiu como vice-líder em sua segunda semana, com 291 mil ingressos no período, e está prestes a cruzar a marca de 1 milhão de espectadores. Todo mundo em pânico (Paramount) e Mestres do Universo (Sony) mantiveram-se no top 4 em suas terceiras semanas, somando, respectivamente, 2,37 milhões e 1,77 milhão de espectadores desde a estreia. Backrooms (Imagem) ultrapassou 1,18 milhão de público. Entre os títulos já com longa trajetória no circuito, O diabo veste Prada 2 (Disney) se aproxima dos 7 milhões de espectadores, e Michael (Universal) já passou de 7,4 milhões. A semana ainda trouxe um aperitivo do que vem por aí: Supergirl (Warner) fez pré-estreias na terça-feira, 23, e levou 31 mil espectadores antes de sua estreia nesta quinta-feira, 25.
No balanço geral, a cine-semana movimentou 2,54 milhões de ingressos e R$ 58 milhões. Apesar do freio imposto pela Copa, o desempenho ficou acima da média semanal de 2026: o ano vinha registrando cerca de 2,42 milhões de espectadores e R$ 52,6 milhões por semana, de modo que a semana de Toy Story 5 superou essa média em torno de 5% no público e 10% na renda. A estreia da Pixar, portanto, foi suficiente para puxar o mercado para cima mesmo num período adverso.
2026 acima de 2025
No acumulado do ano, o mercado tem 60,5 milhões de ingressos vendidos e R$ 1,31 bilhão arrecadados em 2026. É um patamar superior ao do mesmo período de 2025, quando o setor somava 59,6 milhões de espectadores e R$ 1,20 bilhão — alta de cerca de 1,5% em público e de quase 9,5% em renda.

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