Paris Filmes aposta na nostalgia dos Looney Tunes em 'Coyote vs. Acme'

Paris Filmes aposta na nostalgia dos Looney Tunes em 'Coyote vs. Acme'

Fabiano Ristow
31 jul 26

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A Paris Filmes apresentou a exibidores, nesta sexta-feira, 31 de julho, no Cine Marquise, em São Paulo, a segunda de suas duas grandes cartas para o segundo semestre: Coyote vs. Acme, a comédia híbrida de live-action e animação do universo Looney Tunes que a distribuidora traz aos cinemas brasileiros em 27 de agosto. Na mesma sessão que reuniu o mercado em torno de Minha melhor amiga, o longa do eterno Coiote foi exibido com exclusividade — e a aposta, segundo a companhia, se apoia num ingrediente poderoso: a nostalgia.

"Nós temos uma expectativa muito forte de que filmes saudosistas dialoguem com o pai ao mesmo tempo que dialoguem com as crianças", afirmou Jorge Assumpção, diretor da divisão de filmes da Paris Filmes, ao introduzir o projeto. Para ele, o trunfo do filme está justamente em conversar com duas audiências ao mesmo tempo, algo que costuma escapar às produções infantis convencionais. "Esse filme tem uma proposta diferente, e eu acho que o grande ganho dele é o que ele é: uma comédia", disse.

Assumpção comparou o potencial de resgate afetivo ao de Pica-Pau (1,6 milhão de espectadores), mas fez questão de estabelecer a diferença de patamar. "Se a gente estivesse comparando só por qualidade de produção, é infinitamente superior", afirmou, prometendo "uma surpresa fantástica" aos exibidores. O executivo resumiu o gancho universal da trama com bom humor: "Quem nunca teve problema com um serviço? Para o nosso amigo Coyote, a vida inteira, a Acme não funcionou: não entregava, explodia, dava ruim." Daí o mote do filme, em que o personagem decide processar a fabricante de suas armadilhas sempre defeituosas.

O peso criativo por trás do projeto foi outro ponto sublinhado por Assumpção. "A gente tá falando de James Gunn, então ele entende o que tá fazendo quando quer trazer o humor para dentro de um filme para surpreender as pessoas", destacou. Gunn, atual codiretor do DC Studios e diretor de Superman e da franquia Guardiões da Galáxia, assina a história ao lado de Jeremy Slater e Samy Burch. A direção é de Dave Green (As Tartarugas Ninja: Fora das sombras), e o elenco reúne John Cena, Will Forte e Lana Condor (Para todos os garotos que já amei) numa mistura de atores de carne e osso com os personagens animados dos Looney Tunes.

Um filme resgatado das prateleiras

Boa parte da expectativa em torno de Coyote vs. Acme vem de sua própria história de bastidores. Concluído em 2023, o longa chegou a ser engavetado pela Warner Bros., que optou por abatê-lo como prejuízo fiscal em vez de lançá-lo — decisão que gerou revolta entre fãs e parte do elenco, na esteira de casos como Batgirl. O filme só escapou do limbo após ser adquirido pela distribuidora independente Ketchup Entertainment, em 2025, e agora chega às telas mundo afora.

A repercussão recente reforça o otimismo. Após sua primeira exibição pública na Comic-Con de San Diego, em julho, o filme colecionou reações entusiasmadas da crítica especializada, com comparações a Uma cilada para Roger Rabbit e elogios ao equilíbrio entre humor e emoção.

O plano de lançamento mira múltiplas audiências simultaneamente. O público principal é o infantil, mas a comunicação também abraça os pais e adultos que cresceram assistindo aos Looney Tunes na TV, além de gamers, fãs de cultura pop, de animação e de cinema em geral. O filme estreia com classificação de 6 anos e ganha formatos especiais como Dolby Atmos (apenas na versão legendada), 4DX e D-BOX. A campanha explora o humor inteligente, os memes, os bordões visuais das plaquinhas do Coiote e o icônico "bip-bip" do Papa-Léguas como assinatura sonora — apoiada no fato de que, em 77 anos de perseguição desde sua estreia, em 1949, o Coiote jamais capturou o rival. Como comparativos de mercado, a distribuidora cita justamente títulos que uniram apelo infantil e nostalgia, caso de Pica-Pau.

A janela de estreia também foi pensada com cuidado: posicionado fora do período de férias e mirando seu público-alvo, o filme deve atravessar, em sua trajetória, a próxima Semana do Cinema — o que a distribuidora vê como reforço de fôlego para a carreira. A campanha inclui trailers já em circulação nas salas, standees, displays interativos para foto, cartelas de adesivos distribuídas em julho em sessões de grande público e ações digitais que surfam em temas do momento, como a Copa do Mundo.

Para Assumpção, o saldo tende a beneficiar toda a cadeia. "A gente tem um grande projeto na mão", afirmou. "Tenho certeza absoluta de que vai ser bom para todos: para a gente, para vocês, para o mercado, para a indústria, e para resgatar esse tipo de animação com live-action que anda dando certo."