Exibidores aplaudem 'Minha melhor amiga' e se rendem à química entre Mônica Martelli e Ingrid Guimarães

Exibidores aplaudem 'Minha melhor amiga' e se rendem à química entre Mônica Martelli e Ingrid Guimarães

Fabiano Ristow
31 jul 26

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Os aplausos tomaram conta do Cine Marquise, em São Paulo, ao fim da sessão exclusiva de Minha melhor amiga realizada pela Paris Filmes nesta sexta-feira, 31 de julho. Diante da plateia de exibidores, o desfecho da comédia dirigida por Susana Garcia arrancou palmas efusivas — e o encantamento maior ficou por conta da química entre Mônica Martelli e Ingrid Guimarães, que dividem as telonas pela primeira vez após três décadas de amizade e de carreiras paralelas no teatro e na televisão.

É justamente esse encontro inédito que sustenta a aposta da distribuidora. Amigas na vida real — Mônica é madrinha de uma das filhas de Ingrid —, as duas "mulheres trabalham há 30 anos no teatro e na televisão e nunca haviam trabalhado juntas", ressaltou Marcos Fraccaroli, presidente da Paris Filmes, ao apresentar o filme aos exibidores. Antes da projeção, ele contou ter falado com Mônica, que mandou "um beijo" e o desejo de que a plateia gostasse do resultado.

O maior orçamento da história da Paris Filmes

Rodado no Rio de Janeiro, em Lisboa e em Sevilha, Minha melhor amiga chega às telas como a produção mais ambiciosa já bancada pela companhia. "Esse é o maior orçamento da história da Paris Filmes. A gente gastou R$ 37 milhões para produzir o filme."

O executivo enfatizou o investimento em trilha sonora, música e valor de produção como parte de uma estratégia deliberada de elevar o padrão da comédia nacional. "A gente tá apostando muito que o gênero comédia volte a monetizar o cinema", disse. Para ele, não se trata de humor solto: "Não é uma comédia de esquetes. Sempre tem uma mensagem por trás."

A aposta tem lastro. Baseado em episódios reais vividos pela dupla — que viaja e enfrenta perrengues com idiomas na vida como no roteiro —, o longa reúne dois nomes com histórico robusto de bilheteria. Mônica Martelli protagonizou Minha vida em Marte (2018), que levou mais de 5 milhões de espectadores aos cinemas e faturou mais de R$ 80 milhões, figurando entre as maiores bilheterias do cinema brasileiro. Ingrid Guimarães, por sua vez, estrelou Minha irmã e eu (2023), ao lado de Tatá Werneck, que ultrapassou 2,3 milhões de espectadores (sem contar a franquia De pernas pro ar). Os dois títulos têm em comum a direção de Susana Garcia, a cineasta de maior bilheteria do país: somadas, Minha mãe é uma peça 3, Minha vida em Marte e Minha irmã e eu venderam mais de 20 milhões de ingressos.

O plano de lançamento reforça a confiança da distribuidora. Minha melhor amiga estreia em 3 de setembro, com uma janela de exclusividade em salas de 60 dias — acima dos 45 dias habituais. O público-alvo é majoritariamente feminino e 40+, mas a campanha mira também a Geração Z e o público LGBTQIA+, com forte presença nas redes sociais das protagonistas. O trailer, segundo a Paris Filmes, lidera o tracking como o mais exibido. A promoção inclui ações que vão do Rock in Rio — onde as atrizes apresentam um show no dia 7 de setembro — a parceiros como Umbro, Vivo, Nivea, LATAM e Coca-Cola. Nas telas, as filhas das personagens são vividas por Giulia Benite e Gabi Amaral.

"Não é fácil juntar esse elenco", reconheceu. "É um projeto muito desafiador para nós, mas a gente tá feliz. E mostra uma evolução da companhia em tomar risco e fazer projetos melhores."

Fraccaroli aproveitou o evento para adiantar o próximo projeto da parceria: logo após promover Minha melhor amiga, a Paris Filmes começa a filmar Os homens são de Marte, com 27 minutos inéditos de Paulo Gustavo, em homenagem ao ator. O lançamento está previsto para o fim do ano.

"Ou o cinema brasileiro popular melhora a qualidade, ou vai afastar o público"

Para além do filme, Fraccaroli fez um diagnóstico do mercado. Ele defendeu o movimento da Paris Filmes rumo a produções cada vez mais próprias e de maior amplitude, justamente para enfrentar a concorrência dos grandes orçamentos do streaming. A conclusão, para ele, é direta: "Ou o cinema brasileiro comercial popular melhora a qualidade de produção, ou a gente vai afastar o público."

O presidente da distribuidora atribuiu produtor a responsabilidade de "subir a régua". "O consumidor precisa saber que na tela do cinema também tem filmes de qualidade e de boas histórias", afirmou, lembrando que a lógica dos grandes elencos já não basta: sem uma boa história e uma boa equipe técnica, não há bom filme. "Cada dia eu respeito mais a produção, porque não é fácil produzir. E a gente tá tentando melhorar."

Fraccaroli também reforçou a vocação da empresa para a sala de cinema. "Nenhum filme da Paris Filmes passa em nenhum lugar antes da sala de cinema", disse.

No mesmo evento, a Paris exibiu ainda a próxima grande aposta para o público infantil e saudoso: Coyote vs. Acme.