Referência
no mercado de
cinema no Brasil
O mercado cinematográfico brasileiro registrou, no primeiro trimestre de 2026, quedas de 7%, em público, e de 1%, em renda, em relação a idêntico período de 2025. Foi uma performance destoante da verificada em outros países, como noticiamos no nosso último boletim.
O número de ingressos vendidos para filmes estrangeiros subiu 21%, enquanto a renda cresceu 8%. Houve, ainda, um acréscimo no número de lançamentos internacionais que cresceu de 73 para 98, ou 34%. Essa atividade demonstra, no tocante aos filmes americanos, que os efeitos da pandemia, seguida por uma grande greve dos talentos, estão superados, atingindo a expectativa dos analistas internacionais.
Por outro lado, o público dos filmes brasileiros exibidos entre janeiro e março de 2026 caiu 76%, queda acompanhada pela renda, 75% menor do que a auferida no primeiro trimestre de 2025. A participação de mercado caiu de 28,5% para 7,3%, em número de espectadores.
Falta de filmes com capacidade de atrair público
Não há como negar que o baixo desempenho da produção brasileira é a principal razão para o declínio do número de espectadores do mercado, em um período de alta global. A menor audiência pode ser atribuída à falta de filmes com capacidade de atrair o público, como foram os casos de Minha irmã e eu, Os farofeiros 2 e Nosso Lar 2, em 2024, e de Ainda estou aqui, O Auto da Compadecida 2 e Chico Bento, em 2025. Os seis filmes listados venderam mais de um milhão de ingressos, cada um, no primeiro trimestre dos respectivos anos. Em 2026, o solitário O agente secreto cumpriu seu papel ao vender 1,3 milhão de tíquetes no período analisado e quase 2,5 milhões desde sua estreia em novembro de 2025. O segundo colocado é Velhos bandidos, lançado em 26 de março e assistido por quase 142 mil pessoas nos seus seis primeiros dias.
Já o número de lançamentos foi de 40, entre janeiro e março de 2025, para 18, em 2026, ou seja, um decréscimo de 55%. A principal razão parece estar na carência de recursos para a comercialização das obras, pois é muito grande o número de filmes prontos, com Certificado de Produto Brasileiro (CPB), mas sem datas de lançamento. O adiamento de datas das obras nacionais tem sido muito frequente, o que é um claro sinal de preparação deficiente e gera insegurança em produtores, exibidores e nos próprios distribuidores.
R$ 30 milhões para comercialização no Plano de Ação 2026
O Ministério da Cultura (MinC) implantou o Edital de Comercialização em Cinema – FSA, em 25 de agosto de 2025, cujos resultados preliminares foram anunciados em 19 de março último. No total, ainda dependendo de possíveis recursos administrativos, foram alocados R$ 60 milhões em 164 filmes, em apoios que variam de R$ 250 mil a R$ 2 milhões por filme. O longo período para a conclusão do edital pode ter provocado o represamento de filmes que estão sendo movidos para datas futuras, principalmente para o segundo semestre do ano.
A falta de apoio à comercialização por parte do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA) aparenta continuar. O Plano de Ação de 2026, recém-aprovado, destina R$ 545 milhões para ações do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro (PRODECINE), dos quais somente R$ 30 milhões (5,5%) para a comercialização no mercado de cinemas. O PRODECINE é o principal programa de financiamento ao setor cinematográfico da indústria. Se nada mudar, o cenário de dificuldades para o cinema brasileiro ocupar uma participação relevante em seu próprio mercado vai prevalecer nos próximos dois anos, pelo menos.

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