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Números baixos dos nacionais no 1º trimestre reforçam necessidade de políticas de comercialização

Números baixos dos nacionais no 1º trimestre reforçam necessidade de políticas de comercialização

Rodrigo Saturnino Braga
08 abr 26

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O mercado cinematográfico brasileiro registrou, no primeiro trimestre de 2026, quedas de 7%, em público, e de 1%, em renda, em relação a idêntico período de 2025. Foi uma performance destoante da verificada em outros países, como noticiamos no nosso último boletim.

O número de ingressos vendidos para filmes estrangeiros subiu 21%, enquanto a renda cresceu 8%. Houve, ainda, um acréscimo no número de lançamentos internacionais que cresceu de 73 para 98, ou 34%. Essa atividade demonstra, no tocante aos filmes americanos, que os efeitos da pandemia, seguida por uma grande greve dos talentos, estão superados, atingindo a expectativa dos analistas internacionais.

Por outro lado, o público dos filmes brasileiros exibidos entre janeiro e março de 2026 caiu 76%, queda acompanhada pela renda, 75% menor do que a auferida no primeiro trimestre de 2025. A participação de mercado caiu de 28,5% para 7,3%, em número de espectadores. 

Falta de filmes com capacidade de atrair público

Não há como negar que o baixo desempenho da produção brasileira é a principal razão para o declínio do número de espectadores do mercado, em um período de alta global. A menor audiência pode ser atribuída à falta de filmes com capacidade de atrair o público, como foram os casos de Minha irmã e eu, Os farofeiros 2 e Nosso Lar 2, em 2024, e de Ainda estou aqui, O Auto da Compadecida 2 e Chico Bento, em 2025. Os seis filmes listados venderam mais de um milhão de ingressos, cada um, no primeiro trimestre dos respectivos anos. Em 2026, o solitário O agente secreto cumpriu seu papel ao vender 1,3 milhão de tíquetes no período analisado e quase 2,5 milhões desde sua estreia em novembro de 2025. O segundo colocado é Velhos bandidos, lançado em 26 de março e assistido por quase 142 mil pessoas nos seus seis primeiros dias.

Já o número de lançamentos foi de 40, entre janeiro e março de 2025, para 18, em 2026, ou seja, um decréscimo de 55%. A principal razão parece estar na carência de recursos para a comercialização das obras, pois é muito grande o número de filmes prontos, com Certificado de Produto Brasileiro (CPB), mas sem datas de lançamento. O adiamento de datas das obras nacionais tem sido muito frequente, o que é um claro sinal de preparação deficiente e gera insegurança em produtores, exibidores e nos próprios distribuidores.

R$ 30 milhões para comercialização no Plano de Ação 2026

O Ministério da Cultura (MinC) implantou o Edital de Comercialização em Cinema – FSA, em 25 de agosto de 2025, cujos resultados preliminares foram anunciados em 19 de março último. No total, ainda dependendo de possíveis recursos administrativos, foram alocados R$ 60 milhões em 164 filmes, em apoios que variam de R$ 250 mil a R$ 2 milhões por filme. O longo período para a conclusão do edital pode ter provocado o represamento de filmes que estão sendo movidos para datas futuras, principalmente para o segundo semestre do ano. 

A falta de apoio à comercialização por parte do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA) aparenta continuar. O Plano de Ação de 2026, recém-aprovado, destina R$ 545 milhões para ações do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro (PRODECINE), dos quais somente R$ 30 milhões (5,5%) para a comercialização no mercado de cinemas. O PRODECINE é o principal programa de financiamento ao setor cinematográfico da indústria. Se nada mudar, o cenário de dificuldades para o cinema brasileiro ocupar uma participação relevante em seu próprio mercado vai prevalecer nos próximos dois anos, pelo menos.

MinC
Plano de Ação 2026 (valores em milhões R$)