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O 54º Festival de Cinema de Gramado chegou ao fim neste sábado, 22 de agosto, com Nosso segredo (Vitrine), de Grace Passô, consagrado como o grande vencedor da mostra competitiva de longas-metragens brasileiros. O drama mineiro conquistou três Kikitos, incluindo o de melhor filme, em uma noite de premiação transmitida ao vivo para todo o país pelo Canal Brasil, pela TVE e pelo YouTube.
Estreia de Grace Passô na direção de um longa de ficção, Nosso segredo chegou à Serra Gaúcha já com trajetória internacional. O filme teve estreia mundial em fevereiro, na 76ª edição do Festival de Berlim, onde disputou a mostra Perspectives, dedicada a obras de estreia, e, em março, competiu no Cinélatino de Toulouse, na França. Rodado na casa da família da diretora, em Belo Horizonte, o longa parte de Amores surdos, peça escrita por ela, para acompanhar uma família negra em luto cujo cotidiano é abalado pelo segredo guardado pelo filho mais novo.
Antes de assinar a direção, Passô já era um dos nomes mais respeitados do teatro e do cinema brasileiros. Como atriz, foi premiada como melhor atriz no Festival de Brasília e no Festival de Turim, na Itália, por Temporada, de André Novais Oliveira, e também no Festival do Rio, por Praça Paris. Dramaturga e cofundadora do grupo mineiro Espanca!, soma ainda trabalhos como No coração do mundo e Vaga carne, este codirigido por ela e por Ricardo Alves Jr., que assina a produção de Nosso segredo.
A premiação, porém, distribuiu os principais Kikitos entre vários títulos. Feito pipa (Paris), de Allan Deberton, foi o mais premiado da noite, com cinco troféus — entre eles melhor direção, melhor atriz (por unanimidade, para Teca Pereira) e melhor ator coadjuvante (Lázaro Ramos), além do prêmio de melhor filme pelo júri popular. Já Leite em pó (Vitrine), de Carlos Segundo, levou três prêmios, incluindo melhor filme pelo júri da crítica, melhor roteiro e melhor desenho de som.
Nas categorias de atuação, o Kikito de melhor ator foi dividido entre José Loreto, por Chorão: Só os loucos sabem (Downtown), e Christian Malheiros, por Justino: Nos bastidores do reino (Imovision). Naruna Costa foi premiada como melhor atriz coadjuvante por Pele de rinoceronte (Arthouse), enquanto Gonzaguinha, da maior liberdade (Synapse), de Susanna Lira, venceu como melhor longa-metragem documentário.
Segundo a imprensa e a crítica, a 54ª edição confirmou a vocação do festival para resultados pulverizados, sem um único filme a dominar a competição. Ao longo de 11 dias, Gramado exibiu 61 filmes em dez mostras e reuniu um público estimado em mais de 20 mil pessoas, com sessões lotadas no Palácio dos Festivais. Foram entregues 59 prêmios, sendo 40 Kikitos, além de mais de R$ 500 mil em premiações.
A edição também homenageou diferentes gerações do audiovisual: Selton Mello e Maria Fernanda Cândido receberam o Troféu Kikito de Cristal, Marcos Caruso ganhou o Troféu Cidade de Gramado, Andrea Beltrão foi agraciada com o Troféu Oscarito e Renata Almeida Magalhães, com o Troféu Eduardo Abelin. A abertura exibiu, fora de competição, Antártida (Paris), de Bruno Safadi, e o encerramento ficou por conta de La perra, da chilena Dominga Sotomayor, também hors-concours.
Confira abaixo os prêmios da mostra de longas-metragens brasileiros e documentários:
Vencedores do 54º Festival de Gramado
| Categoria | Vencedor(es) |
| Melhor filme | Nosso segredo (Vitrine), de Grace Passô |
| Melhor filme pelo júri popular | Feito pipa (Paris), de Allan Deberton |
| Melhor filme pelo júri da crítica | Leite em pó (Vitrine), de Carlos Segundo |
| Melhor longa-metragem documentário | Gonzaguinha, da maior liberdade (Synapse), de Susanna Lira |
| Melhor direção | Allan Deberton, por Feito pipa (Paris) |
| Melhor roteiro | Carlos Segundo e Rafael Copel, por Leite em pó (Vitrine) |
| Melhor atriz | Teca Pereira (por unanimidade), por Feito pipa (Paris) |
| Melhor ator | José Loreto, por Chorão: Só os loucos sabem (Downtown), e Christian Malheiros, por Justino: Nos bastidores do reino (Imovision) |
| Melhor atriz coadjuvante | Naruna Costa, por Pele de rinoceronte (Arthouse) |
| Melhor ator coadjuvante | Lázaro Ramos, por Feito pipa (Paris) |
| Melhor fotografia | Wilssa Esser, por Nosso segredo (Vitrine) |
| Melhor direção de arte | Lucas Osório, por Nosso segredo (Vitrine) |
| Melhor montagem | André Finotti e José Eduardo Belmonte, por Justino: Nos bastidores do reino (Imovision) |
| Melhor desenho de som | Waldir Xavier, por Leite em pó (Vitrine) |
| Melhor trilha musical | Otávio de Moraes, por Chorão: Só os loucos sabem (Downtown) |
| Menção honrosa | Yuri Gomes, por Feito pipa (Paris) |
| Menção honrosa | Onna Silva, por Justino: Nos bastidores do reino (Imovision) |
| Menção honrosa (documentário) | Empeleitada |
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