Referência
no mercado de
cinema no Brasil
Que balanço vocês fazem desses 20 anos de trajetória da Glaz no audiovisual?
O balanço é de muito orgulho. São 20 anos construindo uma produtora capaz de atravessar diferentes momentos do audiovisual brasileiro, de se transformar junto com o mercado e continuar relevante sem perder a característica principal: contar grandes histórias, com real conexão com o público. Mais do que olhar para as obras realizadas, celebramos a equipe que construímos, as parcerias que cultivamos e a capacidade de seguir nos reinventando. Dos curtas de animação e longas premiados às séries para streaming, nossa trajetória sempre foi marcada por muito carinho, dedicação e, sobretudo, confiança no talento brasileiro.
Quais são os maiores desafios para se manter relevante e ativo na produção nacional?
O maior desafio sempre foi acompanhar as transformações do mercado sem perder a identidade da produtora. Ao longo desses 20 anos, atravessamos mudanças nas políticas públicas, nos modelos de financiamento, nas tecnologias, nas plataformas e nos hábitos do público. Em um setor tão sujeito a ciclos e instabilidades, manter uma operação contínua exige conciliar ambição criativa e responsabilidade com os parceiros. Para nós, permanecer ativos e relevantes significa não depender de uma única linguagem, plataforma ou gênero. Significa continuar aprendendo, antecipar mudanças e produzir histórias que tenham identidade, qualidade e capacidade de dialogar com todo mundo.
Que transformações positivas e negativas do setor mais impactaram a produtora nesse período?
Entre as transformações positivas, destacamos a ampliação das possibilidades de produção e circulação das obras brasileiras. A chegada das plataformas, a multiplicação das janelas e o crescimento das séries abriram novas frentes de trabalho, estimularam os profissionais do setor e permitiram que histórias nacionais alcançassem públicos maiores, dentro e fora do Brasil. Também houve uma evolução criativa muito importante, com equipes cada vez mais qualificadas e maior diversidade de vozes.
Por outro lado, a instabilidade continua sendo um dos principais entraves. A descontinuidade das políticas públicas, as mudanças frequentes nas regras de financiamento e a concentração das decisões em poucos compradores dificultam o planejamento de longo prazo. A perda do market share do filme brasileiro, assim como a falta de regulamentação do streaming, somam com custos de produção cada vez mais altos e perda da IP pelo produtor como aspectos que dificultam a entrada de novas produtoras no mercado.
Como vocês enxergam o cenário atual da indústria cinematográfica brasileira? O que falta para o market share voltar a subir e os sucessos nacionais se multiplicarem novamente?
Precisamos ampliar nossa capacidade de produzir obras com vocação para a sala de cinema, sem reduzir a diversidade da produção brasileira. Orçamentos maiores para existir valor em tela capaz de competir minimamente com os filmes estrangeiros. Os sucessos se multiplicam quando existe escala, continuidade e variedade: filmes populares, autorais, infantis, comédias, dramas e produções de gênero. O talento e as histórias já existem. O que falta é uma estrutura industrial mais estável, capaz de transformar bons filmes em acontecimentos culturais com maior frequência.
Quais são as principais dificuldades para a produção de um blockbuster brasileiro hoje?
Um mercado não cria blockbusters de maneira isolada, mas por meio de uma produção regular de filmes populares, que permite testar gêneros, formar talentos, consolidar estrelas e compreender melhor o comportamento do público. Para multiplicarmos os grandes sucessos, precisamos combinar investimentos maiores, desenvolvimento contínuo, distribuição competente, comunicação modernizada e acesso competitivo às salas. O blockbuster é resultado de uma indústria funcionando de forma coordenada, e não apenas de um projeto excepcional.
Qual a expectativa da produtora para os próximos meses e para 2027?
Estamos a todo vapor, com grandes estreias já anunciadas, como Cabras da Peste 2 nos cinemas e Tiros no Escuro, em coprodução com a Anonymous BR, para a Amazon. Voltamos também às séries documentais de grande impacto, repetindo nossa parceria com a Globopay. Vem coisa boa por aí!
Falando nisso, o que os exibidores podem esperar de Cabras da Peste 2?
Muita comédia, mais ação ainda que no primeiro e as mesmas personagens que tanto amamos: Edmilson Filho e Matheus Nachtergaele juntos já causam, imaginem com a Samantha Schmutz se juntando à turma... Três estrelas da comédia, queridíssimos do público, dentro de uma franquia que já é sucesso e somados a um grande valor de tela com grandes sequências de luta e ação. Estamos muito felizes com o resultado e esperamos que nossos queridos exibidores também fiquem!
E quais são os próximos projetos da produtora para o mercado cinematográfico?
Estamos superfocados no lançamento do Cabras da Peste 2. Acreditamos demais no filme, o elenco está superempolgado, feliz e disposto a contribuir com o sucesso do filme nas salas de cinema. Outros projetos especiais estão em preparação, e nosso lugar de coração sempre será a sala de cinema - onde crescemos e aprendemos a nos comunicar com o Brasil. Comecei a minha carreira graças ao Toninho, nosso querido exibidor do Cine Roxy de Santos, e a sala de cinema sempre está no centro para a Glaz, como foi nos últimos 20 anos.
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