Referência
no mercado de
cinema no Brasil
25-08-2025 - Edição 1449
O último fim de semana foi o mais fraco do ano até agora no Brasil. Entre 21 e 24 de agosto, foram vendidos 767 mil ingressos, arrecadando R$ 16,5 milhões, segundo dados estimados do Filme B Box Office Brasil. Até então, o pior fim de semana de 2025 havia sido o 13º (27 a 30 de março), com 778,6 mil / R$ 17,4 milhões.
A notícia não é boa, mas vamos contextualizar.
Quarteto Fantástico mantém liderança
Quarteto Fantástico - Primeiros passos (Disney) manteve a liderança pela quinta vez, chegando a um acumulado de 3,5 milhões de espectadores, seguido por um "quase empate" entre Os Caras Malvados 2 (Universal) e A hora do mal (Warner). Somente esses três filmes foram vistos por mais de 100 mil pessoas cada um. A animação teve a melhor sustentação do top 10, com queda de 36% em público e 38% em renda.
Anônimo 2 (Universal) estreou em oitavo lugar, com 25 mil ingressos vendidos, R$ 564 mil arrecadados e a menor média de público por sessão do top 10 (sete pagantes). Não é possível comparar com o desempenho do longa original, lançado no Brasil diretamente em VoD em 2021, durante a pandemia. Em 2023, o longa de ação estrelado por Bob Odenkirk foi disponibilizado em plataformas de streaming por assinatura.
Outra novidade no circuito foi a comédia dramática brasileira Uma mulher sem filtro (H2O), com 20 mil ingressos vendidos e R$ 410 mil arrecadados. Apesar da expectativa do mercado, a aposta claramente foi bem maior do que a demanda real.




| título | distr. | renda 21-24 |
dif. | público 21-24 |
cinemas | média púb/cine |
p.m.i. | sem. | renda acumulada |
público acumulado |
|
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Quarteto Fantástico: Primeiros passos | Disney | 2.949.373 | -40% | 138.996 | 696 | 200 | 21,22 | 5 | 74.884.301 | 3.555.320 |
| 2 | Os Caras Malvados 2 | Universal | 2.257.521 | -39% | 106.848 | 751 | 142 | 21,13 | 2 | 6.889.564 | 336.794 |
| 3 | A hora do mal | Warner | 2.247.856 | -47% | 101.569 | 637 | 159 | 22,13 | 3 | 15.328.849 | 758.334 |
| 4 | Faça ela voltar | Sony | 1.860.806 | - | 86.565 | 540 | 160 | 21,50 | novo | 2.100.473 | 101.585 |
| 5 | Uma sexta-feira mais louca ainda | Disney | 1.504.050 | -44% | 67.029 | 535 | 125 | 22,44 | 3 | 9.771.982 | 475.979 |
| 6 | Corra que a polícia vem aí! | Paramount | 884.049 | -63% | 39.481 | 614 | 64 | 22,39 | 2 | 3.969.499 | 187.444 |
| 7 | Amores materialistas | Sony | 807.396 | -51% | 26.103 | 180 | 145 | 30,93 | 4 | 12.679.193 | 537.454 |
| 8 | Anônimo 2 | Universal | 556.177 | - | 24.284 | 461 | 53 | 22,90 | novo | 621.999 | 28.320 |
| 9 | Superman | Warner | 435.147 | -63% | 20.150 | 213 | 95 | 21,60 | 7 | 90.766.690 | 4.252.664 |
| 10 | Uma mulher sem filtro | H2O Films | 401.472 | - | 19.152 | 537 | 36 | 20,96 | novo | 451.383 | 22.345 |
| 11 | Amores à parte | Diamond | 357.674 | - | 12.163 | 211 | 58 | 29,41 | novo | 388.473 | 13.628 |
| 12 | Invocação do Mal | Warner | 327.372 | - | 23.265 | 425 | 55 | 14,07 | 624 | 17.811.875 | 1.651.415 |
| 13 | Juntos | Diamond | 271.244 | -80% | 12.211 | 363 | 34 | 22,21 | 2 | 2.027.432 | 104.249 |
| 14 | Invocação do mal 2 | Warner | 210.096 | - | 14.850 | 425 | 35 | 14,15 | 481 | 47.108.991 | 3.639.135 |
| 15 | Invocação do mal 3 - A ordem do demônio | Warner | 206.955 | - | 14.300 | 424 | 34 | 14,47 | 221 | 31.322.728 | 1.859.784 |
| 16 | Princesa Mononoke | Sato Company | 185.728 | - | 6.143 | 11 | 558 | 30,23 | novo | 209.676 | 7.365 |
| 17 | Luiz Gonzaga - Légua tirana | O2 Play | 174.654 | - | 8.222 | 285 | 29 | 21,24 | novo | 193.563 | 9.543 |
| 18 | Jurassic World - Recomeço | Universal | 163.118 | -65% | 8.034 | 107 | 75 | 20,30 | 8 | 65.631.268 | 3.210.230 |
| 19 | Smurfs | Paramount | 96.624 | -71% | 5.140 | 173 | 30 | 18,80 | 6 | 23.981.291 | 1.277.013 |
| 20 | F1 - O filme | Warner | 89.769 | -69% | 2.090 | 25 | 84 | 42,95 | 9 | 35.640.358 | 1.401.451 |
Fonte: Filme B Box Office
| título | distr. | renda 2025 (R$ mil) |
público 2025 (mil) |
abertura público (mil) |
estreia | cinemas | renda total (R$ mil) |
público total (mil) |
|
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Lilo & Stitch | Disney | 213.471 | 10.352,9 | 2.733,1 | 22/5/25 | 783 | 213.471 | 10.352,9 |
| 2 | Como treinar o seu dragão | Universal | 120.404 | 5.843,4 | 1.038,0 | 12/6/25 | 746 | 120.404 | 5.843,4 |
| 3 | Um filme Minecraft | Warner | 110.797 | 5.400,9 | 1.430,2 | 3/4/25 | 771 | 110.797 | 5.400,9 |
| 4 | Superman | Warner | 90.767 | 4.252,6 | 1.078,5 | 10/7/25 | 789 | 90.767 | 4.252,6 |
| 5 | Quarteto Fantástico - Primeiros passos | Disney | 74.884 | 3.555,3 | 973,0 | 24/7/25 | 749 | 74.884 | 3.555,3 |
| 6 | Mufasa - O rei leão | Disney | 74.715 | 4.148,5 | 920,0 | 19/12/24 | 776 | 125.715 | 6.511,3 |
| 7 | Jurassic World - Recomeço | Universal | 65.631 | 3.210,2 | 985,9 | 3/7/25 | 784 | 65.631 | 3.210,2 |
| 8 | Capitão América - Admirável mundo novo | Disney | 62.654 | 3.015,9 | 867,0 | 13/2/25 | 756 | 62.654 | 3.015,9 |
| 9 | Sonic 3 - O filme | Paramount | 58.326 | 3.225,5 | 630,3 | 2/1/25 | 682 | 84.305 | 4.502,4 |
| 10 | O Auto da Compadecida 2 | H2O Films | 57.173 | 3.054,2 | 893,9 | 26/12/24 | 703 | 84.840 | 4.356,5 |
Fonte: Filme B Box Office
Fonte: Box Office Mojo
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Expocine divulga programação

Rapidinhas Especial

Hoje, excepcionalmente, a Filme B publica em sua seção Rapidinhas uma série de depoimentos em homenagem à vida de seu criador, Paulo Sérgio Almeida.
Ana Paula Sousa, Carta Capital
"Ah, Paulo Sérgio Almeida, que mestre e que amigo você foi para tantos de nós que, além dos filmes, amamos as coisas do mercado (o box office, as tabelas, as confusões). Ao saber da partida dele, há pouco, me veio imediatamente o som da sua voz. Ele era cheio de ênfases, ideias e entusiasmo e, mesmo pós-WhatsApp, gostava de telefonar.
O Paulo, para quem não o conheceu, foi cineasta e foi o criador do Filme B, nosso oráculo dos dados sobre o cinema brasileiro. O Filme B nasceu quando os dados de bilheteria eram um mistério. O boletim chegava por Fax, e era imperdível!
Meus primeiros contatos com o Paulo foram para entrevistá-lo. Depois, trabalhei para ele e cheguei a sonhar alguns sonhos profissionais mirabolantes com ele. Paulo Sérgio Almeida nos ajudou a entender a lógica do mercado de cinema no Brasil e, no meu caso, digo, sem exagero, que ajudou a definir alguns dos meus caminhos. RIP, Paulo querido. E obrigada por muita coisa."
Kleber Mendonça Filho, cineasta
"Eu conheci Paulo na pré-estreia de Banana Split no Cinema São Luiz. Eu era um jovem cinéfilo adolescente. Foi talvez a primeira vez que cumprimentei um cineasta de fora do Recife. Creio que isso foi em 1987. Muitos anos depois, eu e Paulo tomamos um longo café em Cannes onde ele opinou sobre o lançamento de O Som ao Redor, que na época nem distribuidora tinha. Uma grande presença no Cinema Brasileiro, uma grande energia positiva. Um grande abraço também nos muitos amigos e familiares."
Daniel Filho, cineasta
"Me lembro das moscas de Xerém, que se tornaram uma espécie de desafio para mim e meu amigo Paulinho durante a filmagem de Quilombo. Eu já havia trabalhado com ele em outros filmes, e sempre admirei sua versatilidade e paixão pelo cinema. Ele exercia várias funções no cinema, desde produção até diretor. Tudinho relacionado ao filme ele amava.
Quando eu cheguei ao set de Quilombo, Paulo me recebeu com um sorriso e me disse: "Vamos fazer isso funcionar!" Ele me convidou para um concurso de matar moscas, e me deu uma raquete elétrica de presente. E assim, começamos a passar as noites matando moscas e rindo juntos.
Aquelas noites foram inesquecíveis, e eu sempre vou me lembrar de Paulo como um homem que sabia aproveitar a vida e encontrar alegria em qualquer situação. Ele era um verdadeiro amante do cinema, e sua paixão era contagiante."
Leo Barros, produtor
"Paulo Sérgio enriqueceu o cinema brasileiro com filmes de sucesso e ajudou a elevar o patamar da nossa indústria audiovisual com a Filme B e seus dados e análises sobre o mercado. E era uma pessoa adorável. Ele fará uma falta imensa."
Roberto Gervitz, cineasta
"O trabalho de Paulo na Filme B foi fundamental para o cinema brasileiro. O Filme B se transformou no mais completo acervo de dados do cinema contemporâneo no país."
Sandro Rodrigues, H2O Films
"Um legado de paixão, amizade e visão para o Cinema Brasileiro. Paulinho não foi apenas um apaixonado por cinema, mas uma verdadeira fonte de conhecimento e um guia essencial para o mercado nacional. Com uma visão estratégica única, Paulo Sérgio conseguia antecipar tendências e projetar o futuro do cinema, transformando cada terça-feira em um encontro imperdível para os amantes do "Filme B" e do cinema. Sua capacidade de compartilhar informações valiosas e sua inconfundível vibração a cada novo filme ou notícia inspiravam e moviam toda a comunidade. O legado de Paulo Sérgio está marcado em sua paixão contagiante, em seu olhar perspicaz sobre o mercado e na forma como nos ensinou a celebrar o cinema em todas as suas formas. Ele fará uma falta imensa, mas sua luz continuará a guiar e inspirar o cinema brasileiro. Descanse em paz, Paulo Sérgio."
Andre Di Mauro, ator
"Paulinho amado! Meu amigo querido e diretor genial, que me confiou viver Ney em Banana Split, personagem inspirado em sua própria história. Meus sentimentos e todo o carinho à família. Você estará sempre na nossa memória e no nosso coração."
Lauro Escorel, cineasta
"Companheiro dessa nossa estrada desde 1968."
Paulo Halm, cineasta
"Foi um grande quadro do nosso audiovisual. Seu Banana Split é um delicioso filme para jovens. Meus sentimentos aos familiares e amigos, que sei serem muitos pelo Brasil adentro e afora."
André Miranda, O Globo
"Paulo sempre foi maravilhoso. Vai fazer uma falta imensa."
Maiz de Oliveira, Espaço Z
"O Paulo Sérgio foi mais que um parceiro de trabalho: um amigo leal do meu pai, Zé Maria, e um incentivador incansável do nosso mercado. Recordo-me das longas e habituais conversas entre os dois, que não mediam esforços para aproximar exibidores e distribuidores. Sempre será uma referência em informação e análise sobre a indústria do cinema no Brasil. Esteve conosco desde o início do Show de Inverno e em muitos projetos da Espaço/Z. Sentiremos imensamente sua falta. Grande parceiro! Descanse em paz, Paulinho!"
Marcos Oliveira, Cinesystem
"Grande Paulo! Uma enorme perda! Sentiremos muito sua falta! Valeu por tudo!"
Lucas Salgado, O Globo
"Paulo era realmente uma pessoa especial, sempre muito solícito e apaixonado pelo cinema."
Bruno Wainer, Downtown Filmes
"Paulo faz parte da minha vida desde o set do filme Eu te amo, de 1980, dirigido pelo Jabor (Arnaldo). Ele assistente de direção, eu um continuísta de 19 anos. Nos reencontramos anos depois, ele à frente da Filme B e eu distribuidor, primeiro na Lumière e depois na DT. Nesse tempo, Paulinho foi extremamente generoso comigo, sempre abrindo espaço pra DT. considero o apoio do Paulinho fundamental pro sucesso alcançado pela DT, pela credibilidade que a Filme B nos deu perante o mercado e os exibidores. Considero Paulo parte muito importante da história da DT e do sucesso dos filmes brasileiros nos cinemas."
Jorge Assumpção, Paris Filmes
"Mestre eterno! Seu legado e luz continuam conosco! Obrigado por tudo!"
Alice Gomes, cineasta
"Paulo Sérgio Almeida, o querido Paulinho, foi muito mais que um chefe, foi um mestre que me ensinou tudo sobre o mercado de cinema no Brasil, um conhecedor ávido e apaixonado dos meandros das salas, da distribuição e da exibição, além de diretor entusiasmado de grandes sucessos de público que marcaram gerações. Com ele investiguei os mercados de cinema do mundo, acompanhei por quase 10 anos a evolução do cinema no Brasil ano a ano, semana a semana. Compilamos mais de 500 biografias de profissionais do cinema, ajudei a planejar aulas, filmes, projetos. Foi com ele que dei meus primeiros passos no roteiro e com quem tive a chance de ter a primeira e Inesquecível experiência em um set de filmagem. Formou na Filme B mais que uma empresa de análise de mercado, quem teve a chance e a honra de passar por lá viveu uma experiência de vida, uma família. E mais que tudo isso, foi um grande amigo querido da minha vida e da minha família nos últimos 25 anos. Obrigada por tudo."
Rodrigo Saturnino Braga, diretor Filme B
"Uma referência pessoal e profissional. Saudades do meu amigo."
Pedro Butcher, jornalista e professor da ESPM
"A última vez que encontrei Paulinho foi por acaso, no cinema - como não poderia deixar de ser. Era uma sessão de Homem com H, pequeno fenômeno de permanência no difícil mercado das salas, especialmente para o cinema brasileiro. Depois que saí do Filme B, onde trabalhei por mais de dez anos, nos encontramos algumas vezes no saguão do cinema da Praia de Botafogo, quase sempre por acaso - algo natural, consequência da paixão em comum pelo cinema -, outras vezes foram almoços combinados para colocar a conversa em dia e trocar ideias sobre o estado das coisas e o mercado de cinema, tão volátil nos últimos tempos.
Tudo o que aprendi sobre a indústria e o comércio do cinema, do ponto de vista prático, foi com Paulinho, um atento observador de determinados padrões que se repetem, de tendências, e também das turbulências, que não foram poucas, num período de transformações tecnológicas tão profundas. É incrível ver como o Filme B sobreviveu a tantos abalos e transformações. Com Paulinho fui tanto a Cannes quanto ao CinemaCon, em Las Vegas, a grande convenção em que as safras anuais dos estúdios americanos são apresentadas aos exibidores. Como trabalhamos. E como nos divertimos."
Thayz Guimarães, O Globo
"A Filme B foi meu primeiro emprego formal como jornalista depois da faculdade. Lá, tive o prazer de ter o Paulo Sérgio Almeida como chefe por longos (e intensos) cinco anos. Genial e genioso. Nos bicamos muitas vezes, mas também aprendemos a nos admirar e a confiar nos processos e tempos um do outro. Ele me chamava de baixinha, apesar de termos praticamente a mesma altura. Com ele aprendi um tanto de coisas que mais ninguém seria capaz de ensinar. O cinema nacional perdeu um de seus grandes nomes, mas tenho certeza que o céu está em festa — como não poderia deixar de ser. Vá em paz, meu querido!"
Ancelmo Gois, O Globo
"O Filme B é o IBGE do cinema. Paulo era um querido parceiro!"
Gustavo Leitão, O Globo
"Paulinho tinha tino para gente — os negócios vinham logo atrás. Seu lugar era num saguão de evento, onde podia circular como um bailarino entre amigos, parceiros e desafetos. Todo mundo merecia um dedo de prosa e era fonte potencial de uma notinha quente. A empolgação de estar no centro das rodas às vezes subia a níveis estratosféricos: em Las Vegas, na CinemaCon, parecia uma criança bêbada de docinho, à beira de uma síncope com tantas possibilidades. Ansiedade também era muito ele. Tinha sempre uma dúzia de projetos, mais notas que qualquer boletim poderia comportar, arquivos de fotos labirínticos que desafiavam o talento arquivista da Beth. Ideias brotavam, se chocavam e sucumbiam num fluxo constante, como uma respiração ofegante. Aprendi com ele que dá para olhar apaixonadamente para tudo, seja uma obra-prima do Scorsese, seja um Excel cheio de colunas.
Alguns projetos tinham vida curta — mas rancores também. Fui chefiado por ele uns bons anos na Filme B, editando o Boletim, e naturalmente tivemos divergências ao longo do caminho. Mas ele não deixava o ar pesar por muito tempo: logo quebrava o climão com uma piada, uma mudança de assunto, uma reunião de apaziguamento disfarçada de tarefa. Paulo me ensinou que dá para levar o entusiasmo com a gente para todo canto, do escritório segunda de manhã ao jantar chique no Nobu do Caesars Palace (sem esquecer as 14 trocas de roupa na loja da Armani de Miami). Oxalá eu viva mais uns 30 com esse brilho no olho."
Fabiano Ristow, editor Filme B
"A relação entre Paulo e eu era de chefe-funcionário, mas, eventualmente, passei a vê-lo como mentor e amigo, derrubando o mito de que todo chefe é chato. Afinal, foi ele quem me ensinou que bilheterias de cinema não eram apenas números: revelavam, também, o que o brasileiro buscava em sua vida. Podia ser alívio em momentos de rebuliço social; medo para ver que a vida podia ser bem pior; ou risadas para esquecer dos boletos no início do mês.
A gente discordava muito sobre filmes e séries. Mas as opiniões dele eram tão bem fundamentadas em técnica, linguagem e potencial mercadológico que, sempre que eu via algo na TV ou nas telonas no fim de semana, pensava: "O Paulo vai amar/odiar isso", e não via a hora de chegar a reunião de pauta de segunda-feira para discutir.
Uma vez, no início dos quase seis anos que convivemos, quis um feedback sobre meu trabalho na Filme B. Não entendia por que o Paulo apostava tanto em mim. Só que, em vez de perguntar "O que você está achando de mim até agora?", o que saiu da minha boca, sem querer, foi simplesmente: "Você gosta de mim?". Ele deve ter notado o meu constrangimento diante do ato falho, porque gargalhou e respondeu: "Claro, eu te amo!". Ufa. Agora é tarde (ou não) para dizer, mas eu também te amo! Paulo para sempre."
Cris Denik, marketing Filme B
"O mais estiloso da Filme B! Nosso grande e querido amigo e chefe, Paulinho Sérgio."
Luiz Gonzaga de Luca, consultor e especialista de mercado
"Prefiro contar uma história gostosa. O Paulo adorava que eu a contasse. Foi o dia que o Paulo Sérgio salvou um evento da Embrafilme com a presença do Presidente Figueiredo.
Era a gestão do Celso Amorim e se decidiu fazer uma première com a presença do Presidente da República. O filme escolhido foi Na estrada da vida, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e interpretado pela dupla caipira Zé Rico e Milionário. A sessão aconteceu no Cine Brasília na Capital Federal. O curta Dá-lhe, Rigoni!, do Paulinho, foi exibido antes do longa. O cinema estava sem ar-condicionado, e Figueiredo queria abandonar a sessão devido ao calor insuportável. No coquetel depois da sessão, o presidente demonstrava claramente o seu famoso mau humor até que lhe apresentaram o Paulo Sérgio. Entabularam uma conversa falando de cavalos e jóqueis lendários. Para surpresa geral, os convidados presenciaram o irritadiço Figueiredo gargalhando. O evento estava salvo pelo Paulinho."
Luiz Severiano Ribeiro Neto, Kinoplex
"Paulinho amigo de longa data, conhecido conhecedor de Cinema como um todo, vou sentir saudades."
Beth Ribeiro, assistente Filme B
"Se me pedissem para defini-lo com poucas palavras, eu diria 'um mestre'. Ou 'o melhor chefe do mundo'. Desde nosso encontro profissional na Top Tape, em 1996, e depois me juntando à Filme B, no primeiro aniversário, em 1998, lá se foram quase 30 anos de parceria, amizade, muitas histórias engraçadas, muito cinema, muitos números, planilhas, análises. E, principalmente, muito aprendizado. E muito amor envolvido. Muito obrigada por tudo. Até breve, Paulo Sérgio Almeida!"
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