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Warner vende ‘Cara-de-Barro’ a exibidores como o terror do Halloween

Warner vende ‘Cara-de-Barro’ a exibidores como o terror do Halloween

Fabiano Ristow
09 out 26

Imagem destaque

Divulgação

'Cara-de-Barro'

A Warner reuniu exibidores na manhã de quinta-feira,8, no Cinesystem Pompeia, em São Paulo, para uma sessão antecipada de Cara-de-Barro, terceiro longa do novo universo cinematográfico da DC, que estreia nos cinemas brasileiros em 22 de outubro. A projeção foi pontuada por reações de aflição da plateia diante das cenas de violência e de body horror — justamente o tom que a distribuidora quer transformar em trunfo comercial.

“É a primeira vez que a gente entra num vilão e mete o pé no acelerador com uma campanha de terror”, disse Rodrigo Fante, diretor de vendas da Warner, antes da sessão. A estratégia é colar o lançamento ao Halloween, data que, segundo ele, ganha peso a cada ano no calendário de consumo brasileiro. “Assim como a Black Friday já é quase um mês e não mais uma sexta-feira. Então vamos aproveitar isso: é terror, Halloween, Cara-de-Barro nos cinemas.”

O executivo também enxerga no filme a chance de explorar a galeria de antagonistas do Homem-Morcego. “Se você tem um super-herói que tem a variedade de vilões que o Batman tem, alguma coisa quer dizer sobre ele”, afirmou.

Pré-estreia e mídia

Fante fez um aceno direto aos exibidores: a Warner libera pré-estreias em shoppings que ofereçam contrapartida em mídia, como anúncios em elevadores e vinhetas. “A gente tem tanta confiança nesse produto que libera isso pra vocês. É um bom filme pra fazer sessão de boca a boca”, disse. “Acho que as pessoas vão se surpreender de acompanhar uma história de origem de um vilão com essa pegada de terror.”

O calendário também entrou na conversa. O lançamento cai na semana do segundo turno das eleições, em 25 de outubro, e o executivo admitiu que o domingo deve ser um dia complicado para as salas — por isso a aposta em abrir a carreira no meio da semana, como a Warner costuma fazer com títulos do gênero. A pré-venda de ingressos já está aberta.

A classificação indicativa brasileira ainda não saiu, e a distribuidora trabalha com a expectativa de 16 ou 18 anos. Nos Estados Unidos, a MPA deu ao filme classificação R, citando violência sangrenta intensa, gore, linguagem, nudez e uso breve de drogas. É o primeiro título do novo universo da DC com essa restrição.

Primeira aparição de Gothan

Dirigido por James Watkins, de Não fale o mal, com roteiro de Mike Flanagan e Hossein Amini, Cara-de-Barro acompanha Matt Hagen (Tom Rhys Harries), ator em ascensão que tem o rosto desfigurado e se submete a um tratamento experimental que o transforma numa criatura de argila. Naomi Ackie, Max Minghella, David Dencik e Eddie Marsan completam o elenco, e Matt Reeves assina a produção ao lado de James Gunn e Peter Safran. Com 1h48, o longa marca a primeira aparição de Gotham no novo universo da DC.

O filme foi reposicionado justamente para surfar o Halloween: a estreia americana, antes prevista para 11 de setembro, passou para 23 de outubro. No Brasil, chega um dia antes. Segundo a imprensa americana, o orçamento é de US$ 40 milhões — modesto para os padrões da DC. Os primeiros rastreamentos do Box Office Pro projetam abertura entre US$ 23 milhões e US$ 33 milhões nos EUA.

Os precedentes da casa

No histórico da própria Warner no país há dois termômetros favoráveis. O primeiro é Coringa, outra história de origem de um vilão do Batman, com classificação adulta e lançada em outubro: em 2019, abriu com R$ 31 milhões e 1,8 milhão de espectadores, recorde para o mês, e superou 9 milhões de ingressos no país.

O segundo é Premonição 6: Laços de sangue, que em maio de 2025 fez a maior estreia de um terror para maiores de 18 anos da história do Brasil, com quase 600 mil ingressos. É nesse público — o do terror adulto, e não apenas o do fã de super-herói — que a Warner mira com Cara-de-Barro.