Warner aposta nos dinossauros de 'O fim da rua', e Universal mobiliza influenciadores pelo boca a boca de 'Só por uma noite'

Warner aposta nos dinossauros de 'O fim da rua', e Universal mobiliza influenciadores pelo boca a boca de 'Só por uma noite'

Fabiano Ristow
30 jul 26

Imagem destaque

Divulgação

'O fim da rua' e 'Só por uma noite'

Warner e Universal reuniram exibidores na noite desta quarta-feira, 29, no Cinesala, em São Paulo, para uma sessão dupla com dois dos principais lançamentos das distribuidoras para agosto: O fim da rua, que a Warner lança em 13 de agosto, e Só por uma noite, que a Universal coloca nas telas uma semana depois, em 20 de agosto. A ideia foi dar aos donos de sala uma dimensão antecipada do potencial de mercado de ambos os títulos.

Quem conduziu a abertura foi Rodrigo Fante, gerente de vendas da Universal/Warner, que fez questão de elogiar a casa escolhida. "Percebi que vários falaram: 'Nossa, há quanto tempo eu não venho nessa sala'. Essa Cinesala é muito simpática, é uma delícia assistir filme aqui, a programação é muito boa", disse. Adhemar Oliveira, um dos sócios do cinema de rua fundado em 1962, estava presente e foi muito aplaudido.

O fim da rua: "Pefeito para cinemas populares"

Primeiro título da noite, O fim da rua é um dos cartões de visita mais ambiciosos da Warner na calendário de lançamento. Dirigido por David Robert Mitchell — o mesmo do indie Corrente do mal (It Follows) — e produzido por J.J. Abrams sob o selo Bad Robot, o longa nasceu como um dos projetos mais secretos de Hollywood, rodado em IMAX e mantido em sigilo por meses sob o título provisório "Flowervale Street", depois rebatizado internacionalmente como The End of Oak Street.

A trama parte do cotidiano suburbano dos anos 1980: um casal vivido por Anne Hathaway e Ewan McGregor começa a notar mudanças estranhas na vizinhança até que, após uma violenta tempestade, moradores da rua acordam transportados para a era pré-histórica, cercados por dinossauros. O elenco ainda conta com Maisy Stella e Christian Convery. Foi essa aposta de gênero que chamou a atenção de Fante ao apresentar o filme aos exibidores.

"É um filme importante para a Warner e perfeito para o nosso país. A gente sabe que filmes com dinossauro, filmes de ação... Sem ser Jurassic Park, acho que é o primeiro filme de dinossauro assim", afirmou o executivo. "Ele é perfeito para o nosso mercado, principalmente nos cinemas bem populares. É uma chance da gente fazer uma renda bem interessante."

A leitura tem lastro na bilheteria recente. Os brasileiros mantêm uma relação de fidelidade com a temática: neste ano, Jurassic World: Recomeço abriu com 820 mil espectadores em seu primeiro fim de semana no país, reforçando uma franquia que já passou dos US$ 6 bilhões no mundo. Um novo filme de dinossauros que não seja um "Jurassic" chega, portanto, a um público já aquecido — combustível ideal para o boca a boca que a Warner quer provocar.

Fante foi realista sobre a concorrência da data, mas cravou a posição do título dentro da janela. "A gente tem total ciência de que nesse momento está entrando um filme aí de pelo menos 12 milhões de espectadores [Homem-Aranha]. Não é a nossa expectativa ficar em número um, mas, dos produtos que entram no dia 13, ele é o principal filme da data", disse.

O executivo aproveitou para cobrar apoio dos exibidores na divulgação, apostando na força do trailer nas salas ao longo das próximas semanas. "Quando for dia 13 de agosto, Homem-Aranha, pelos nossos cálculos, já terá milhões de espectadores. Então a gente tem milhões dentro das salas de vocês passando o trailer desse filme", ponderou. "Agora é a hora de botar o material."

Vale notar que O fim da rua chega às telas brasileiras montado sobre uma onda de visibilidade para sua protagonista: Anne Hathaway está em evidência com A Odisseia, de Christopher Nolan, um dos grandes acontecimentos do calendário de 2026, junto com O diabo veste Prada 2 (Disney).

Só por uma noite e a volta da comédia romântica

Fechando a noite, a Universal apresentou Só por uma Noite, que estreia em 20 de agosto. O trunfo do filme está na assinatura: é dirigido e produzido por Will Gluck, o mesmo nome por trás de Todos menos você, fenômeno que em 2024 levou 2,16 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros, movido justamente pelo boca a boca e pela repercussão nas redes.

"Vocês vão assistir e vão ver que as comédias românticas realmente estão querendo voltar", disse Fante. "É o mesmo jeitinho de fazer comédia, de conversar com esse público: tem música, tem diversão, é jovem, original."

Desta vez, Gluck troca o par Sydney Sweeney–Glen Powell por uma nova dupla de protagonistas de forte apelo. Monica Barbaro, indicada ao Oscar por seu papel como Joan Baez em Um completo desconhecido e revelada ao grande público em Top Gun: Maverick, divide a tela com Callum Turner, ator britânico em ascensão (de Masters of the Air e cotado em rumores para o próximo James Bond) que também vive um momento de altíssima exposição midiática ao lado da esposa, a cantora Dua Lipa. O elenco de apoio reforça o pacote com nomes como Maya Hawke, Julia Fox, Molly Ringwald e LeVar Burton.

A premissa aposta no "alto conceito" que costuma render conversa: baseado em roteiro de Travis Braun que liderou a Black List de 2024 (lista que reúne os roteiros de cinema mais bem avaliados de Hollywood ainda não produzidos, votados por executivos e profissionais da indústria), o filme se passa num mundo onde o sexo antes do casamento só é permitido uma noite por ano, e acompanha um casal que se conhece justamente nessa data. Para acionar o mesmo motor que impulsionou Todos menos você, a sessão contou com a presença de diversos influenciadores brasileiros, convidados a assistir ao filme e a alimentar a conversa nas redes desde já — sinal claro de que a distribuidora aposta no boca a boca como principal alavanca de bilheteria.

Ao antecipar o formato da noite, Fante já havia adiantado a lógica: depois da primeira sessão, exibidores e criadores de conteúdo se encontrariam num coquetel antes de o segundo filme rodar. "Interajam, fiquem lá. Quando vocês voltarem, não vai ter esse idiota aqui com o microfone falando; é chegar, sentar e já assistir ao filme", brincou.

Com dois lançamentos de perfis opostos — o susto pré-histórico de apelo popular e amplo, e a comédia romântica jovem e viral —, Warner e Universal desenham para a segunda metade de agosto uma estratégia que combina volume de salas e engajamento nas redes, apostando que o público brasileiro faça o resto naturalmente.