Referência
no mercado de
cinema no Brasil
O cinema brasileiro coroou seus destaques do último ano na noite desta terça-feira (4), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em uma cerimônia que celebrou o quarto de século do Prêmio Grande Otelo. Comumente chamado de “Oscar brasileiro”, o prêmio da Academia Brasileira de Cinema mudou de casa — trocou a Cidade das Artes, na Barra, pela Cinelândia — e entregou 32 troféus em uma noite de resultados incomuns.
O mais simbólico deles veio na categoria mais disputada: pela primeira vez na história, o Grande Otelo de melhor longa-metragem de ficção terminou empatado. Manas (Paris), de Marianna Brennand, e O agente secreto (Vitrine), de Kleber Mendonça Filho, dividiram o prêmio máximo da noite, encerrando uma disputa em que o filme pernambucano dominou as categorias técnicas e a produção paraense levou as principais premiações artísticas.
O favorito e a surpresa
O agente secreto chegou como franco favorito, após bater o recorde de indicações do ano (18) e colecionar prêmios internacionais no Festival de Cannes, no Globo de Ouro e no Critics Choice (além, claro, das indicações ao Oscar). Ao fim da noite, somou quatro estatuetas: além de dividir o de melhor filme, venceu direção de fotografia (Evgenia Alexandrova), direção de arte (Thales Junqueira) e efeito visual.
Manas, por sua vez, superou o concorrente justamente onde mais pesa. Marianna Brennand levou o prêmio de melhor direção, e a equipe de roteiristas venceu por roteiro original. O drama ambientado na Ilha do Marajó ainda garantiu troféus de montagem de ficção e de melhor atriz coadjuvante, fechando a noite com cinco vitórias — uma a mais que o "rival".
O recorde de Dira Paes
Foi justamente o prêmio de atriz coadjuvante, por seu papel como Aretha em Manas, que rendeu a marca histórica da noite. Com o troféu, Dira Paes se isolou como a mulher mais premiada em categorias de atuação em toda a história do Grande Otelo. A atriz paraense já havia vencido três vezes como melhor atriz — por À beira do caminho (2013), Veneza (2022) e Pureza (2023) — e agora deixa para trás nomes como Laura Cardoso e Leandra Leal, que somam três estatuetas.
O campeão em número de troféus
Apesar do empate no prêmio principal, quem terminou a noite com mais estatuetas foi Homem com H (Paris), cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho. Foram seis troféus: figurino, maquiagem, som, trilha sonora, o melhor filme pelo voto popular e o cobiçado prêmio de melhor ator.
A vitória de Jesuíta Barbosa, que vive Ney na tela, teve peso extra: o ator superou uma categoria de titãs que incluía Wagner Moura — premiado em Cannes e no Globo de Ouro por O agente secreto —, além de Rodrigo Santoro, Irandhir Santos, Antonio Pitanga e Ary Fontoura. Coube ao próprio Ney Matogrosso, aliás, abrir a cerimônia, interpretando ao vivo O tempo não para, de Cazuza.
Os outros destaques
Nas demais categorias de longa, Denise Weinberg foi eleita melhor atriz por O último azul (Vitrine), de Gabriel Mascaro, filme que também rendeu a Rodrigo Santoro o prêmio de melhor ator coadjuvante. Velhos bandidos (Paris), de Claudio Torres — que reúne Fernanda Montenegro aos 96 anos —, venceu como melhor comédia, enquanto Apocalipse nos trópicos (Netflix), de Petra Costa, foi o melhor documentário. Rafaela Camelo levou o troféu de melhor primeira direção por A natureza das coisas invisíveis (Vitrine).
Entre as produções para TV e streaming, Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente (HBO Max) foi a melhor série de ficção, rendendo ainda o prêmio de melhor ator a Johnny Massaro. Alice Carvalho foi a melhor atriz em série, por Cangaço novo (Prime Video).
Apresentada por Marieta Severo e Silvia Buarque, sob direção artística de Batman Zavareze, a cerimônia de 25 anos ainda reservou novidades cênicas — os finalistas chegaram ao Teatro Municipal em um trem exclusivo do VLT Carioca — e uma homenagem a Luiz Antonio Viana, primeiro presidente da Academia.
| Categoria | Vencedor(es) / Filme / Série |
|---|---|
| Melhor Filme pelo Voto Popular | Homem com H (Paris Filmes) |
| Melhor Longa-Metragem Ficção | Manas (Paris Filmes) e O agente secreto (Vitrine Filmes) |
| Melhor Longa-Metragem Comédia | Claudio Torres — Velhos bandidos (Paris Filmes) |
| Melhor Longa-Metragem Documentário | Petra Costa — Apocalipse nos trópicos (Netflix) |
| Melhor Longa-Metragem Infantil | Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put — O diário de Pilar na Amazônia (Disney) |
| Melhor Longa-Metragem Animação | Alê Camargo e Jordan Nugem — Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul (Paris Filmes) |
| Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano | O riso e a faca (Portugal) e Belén (Argentina) |
| Melhor Direção | Marianna Brennand — Manas (Paris Filmes) |
| Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem | Rafaela Camelo — A natureza das coisas invisíveis (Vitrine Filmes) |
| Melhor Atriz de Longa-Metragem | Denise Weinberg — O último azul (Vitrine Filmes) |
| Melhor Ator de Longa-Metragem | Jesuíta Barbosa — Homem com H (Paris Filmes) |
| Melhor Atriz Coadjuvante | Dira Paes — Manas (Paris Filmes) |
| Melhor Ator Coadjuvante | Rodrigo Santoro — O último azul (Vitrine Filmes) |
| Melhor Roteiro Original | Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides, Antonia Pellegrino e Camila Agustini — Manas (Paris Filmes) |
| Melhor Roteiro Adaptado | Daniel Rezende — O filho de mil homens (Netflix) |
| Melhor Direção de Fotografia | Evgenia Alexandrova — O agente secreto (Vitrine Filmes) |
| Melhor Direção de Arte | Thales Junqueira — O agente secreto (Vitrine Filmes) |
| Melhor Figurino | Gabriella Marra — Homem com H (Paris Filmes) |
| Melhor Maquiagem | Martín Macías Trujillo — Homem com H (Paris Filmes) |
| Melhor Montagem de Ficção | Isabela Monteiro de Castro — Manas (Paris Filmes) |
| Melhor Montagem Documentário | David Barker, Tina Baz, Nels Bangerter, Jordana Berg, Victor Miaciro e Eduardo Gripa — Apocalipse nos trópicos (Netflix) |
| Melhor Efeito Visual | Alexandre Boiron, Luuk Meijer e David van Heeswijk — O agente secreto (Vitrine Filmes) |
| Melhor Som | Ana Luiza Penna, Martín Grignaschi e Armando Torres Jr. — Homem com H (Paris Filmes) |
| Melhor Trilha Sonora | Guilherme Amabis, Mariana Amabis e Rica Amabis — Homem com H (Paris Filmes) |
| Melhor Série de Ficção (TV/Streaming) | Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente – 1ª temporada (HBO Max) |
| Melhor Atriz em Série de Ficção | Alice Carvalho — Cangaço novo (Prime Video) |
| Melhor Ator em Série de Ficção | Johnny Massaro — Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente (HBO Max) |
| Melhor Série de Documentário (TV/Streaming) | Caçador de marajás – 1ª temporada (prod. Boutique Filmes / Waking Up Films) |
| Melhor Série de Animação (TV/Streaming) | Osmar, a primeira fatia do pão de forma – 3ª temporada (prod. 44 Toons) |
| Melhor Curta-Metragem Ficção | Amarela (curta-metragem, dir. André Hayato Saito) |
| Melhor Curta-Metragem Documentário | Sebastiana (curta-metragem, dir. Pedro de Alencar) |
| Melhor Curta-Metragem Animação | A tragédia do lobo-guará (curta-metragem, dir. Kimberly Palermo) |
© Filme B - Direitos reservados