IA: “O gênio saiu da lâmpada”, diz Fernando Cabral

IA: “O gênio saiu da lâmpada”, diz Fernando Cabral

Bernardo Siaines, de Gramado
21 ago 25

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Ticiane da Silva

Já no início de seu painel, Fenando Cabral, da Tomun, perguntou se alguém na plateia estava chateado com o fato de o Festival de Gramado ter recebido uma mostra de filmes em IA. Uma pessoa ou outra levantou a mão. Depois, perguntou se alguém tinha gostado desse fato. A reação foi a mesma. “Vou parar de constranger vocês”, brincou, antes de dar sequência à palestra “Dados, IA e o futuro da criatividade no audiovisual”.

A promessa não foi totalmente cumprida, pois, em seguida, Cabral trouxe alguns dados… constrangedores. Por exemplo: de uma análise dos filmes de ficção nacionais exibidos em 2023 e 2024, a porcentagem de protagonistas amarelos, indígenas, pretos ou pardos nos filmes de romance foi 0. Todos os protagonistas eram brancos. Nos outros gêneros, a situação era um pouco melhor, mas ainda assim muito longe de representar, proporcionalmente, as várias etnias da população brasileira.

Cabral lamentou também a lenta recuperação do market share de filmes nacionais, que atingiu 10,1% em 2024, longe dos 21,7% do fenômeno que foi 2020, e ainda aquém da média de 12,5% dos últimos cinco anos pré-pandêmicos.

Ressaltou também um fato interessante, este mais geral: que, a cada três ingressos vendidos, dois são para algum filme de aventura. O especialista notou que campanhas de marketing que exploram esse viés costumam ter resultados positivos. Já no streaming, o gênero não é tão popular assim.

Streaming x Cinema: gêneros preferidos são diferentes

E a aventura não é a única diferença. Os tipos de filmes prediletos de quem assiste no sofá de casa e na poltrona do cinema não são os mesmos. Enquanto no cinema predominam aventura, fantasia, animação e ficção científica, no streaming, os maiores sucessos são os longas de suspense, romance, drama e crime. 

IA: curta feito com R$ 1,5 mil

Para terminar os prognósticos, Fernando Cabral mostrou uma estimativa de orçamento de um eventual curta feito com IA, somando a assinatura de ferramentas de produção de vídeo (Google AI Ultra), roteiro (Chat GPT Plus) e trilha sonora (Suno Pro) a uma de pós produção. O total ficam em R$ 1,56 mil. 

Mas os filmes feitos por IA têm seus defeitos. E talvez ainda precisem, por muito tempo, de humanos para corrigi-los. Ele explica que um emprego humano que a IA talvez demande é o de continuísta de pós-produção, e explica: “em planos de diálogo, por exemplo, em que a câmera está focada numa pessoa, depois troca para outra e volta, costumamos ter problemas. Essa volta normalmente vem defeituosa em termos de continuidade, o que deve demandar um continuísta humano para corrigir”.

Ele também alega que a Open AI (a empresa responsável pelo Chat GPT), por exemplo, não só quer, como precisa que sua inteligência artificial substitua os roteiristas. “Para eles, se isso não acontecer, é porque deu errado. Muito dinheiro foi investido, o plano é que isso se concretize. Será um grande prejuízo [para eles] se essas substituição não acontecer”. 

Segundo o especialista, a Inteligência Artificial já é uma realidade: “o gênio saiu da lâmpada”.