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Filme de youtuber vira hit e surpreende cinemas dos EUA

Filme de youtuber vira hit e surpreende cinemas dos EUA

Redação
05 fev 26

Imagem destaque

Divulgação

'Iron Lung'

Mark Fischbach, mais conhecido por seu alter ego digital Markiplier, ecoa nos corredores de Hollywood com uma nova sonoridade.

Seu filme de terror e ficção científica, Iron Lung, não apenas surpreendeu a indústria cinematográfica ao arrecadar mais de US$ 17 milhões nas bilheterias domésticas em seu fim de semana de estreia, mas também se posicionou logo atrás do líder Socorro! (Disney), de Sam Raimi, provando que a visão independente pode, sim, rivalizar com as grandes produções.

O êxito é ainda mais notável quando se considera o caminho tortuoso percorrido por Markiplier. Ele, que escreveu, dirigiu, estrelou e bancou a autodistribuição da obra, enfrentou um mar de ceticismo. Com uma década de experiência e uma base de 38 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, Fischbach buscou apoio em diversos estúdios e distribuidoras, apenas para receber portas fechadas. Um executivo chegou a zombar abertamente da ideia de que seu filme pudesse alcançar algum sucesso.

Com um orçamento modesto de US$ 3 milhões, Iron Lung já superou a marca de US$ 20 milhões globalmente (o Brasil ainda não tem lançamento confirmado). Markiplier embolsa metade da receita do filme — uma adaptação do videogame de David Szymanski, lançado em 2022.

Decisão pela autodistribuição

A decisão pela autodistribuição foi estratégica: "Não era um acordo muito vantajoso se eu abrisse mão do controle ou não pudesse controlar o marketing", explicou Markiplier ao The Hollywood Reporter. "Se não estou no controle dessas coisas, por que eu me esforçaria tanto para financiá-lo, dirigi-lo, editá-lo, apenas para entregá-lo no final para que chegasse aos cinemas?".

O fenômeno Iron Lung foi impulsionado por uma força incomum: a lealdade de seus fãs. Inicialmente, o filme teria uma exibição limitada a apenas três cinemas. No entanto, uma mobilização massiva da comunidade de Markiplier – que incluiu milhares de pedidos às redes de cinema, a ponto de muitos pensarem que se tratava de bots – fez com que as exibidoras reconsiderassem. O resultado foi a exibição em mais de 4 mil telas, com o suporte da Centurion Film Service. "Tenho 38 milhões de inscritos, e, mesmo que só  uma fração ainda esteja ativa, ainda são milhões de pessoas. Há muita gente disposta a ajudar e que realmente acreditou no que eu estava fazendo."

Na entrevista ao Hollywood Reporter, Markiplier comenta o que chama de preconceito persistente da indústria contra criadores de conteúdo do YouTube. "Ainda existe um estigma", ele afirma, expressando a esperança de que o sucesso de Iron Lung possa "mover essa montanha". Ele vislumbra um futuro onde tal transição seja normalizada, "até que se torne chato e seja como, 'Claro que um YouTuber pode fazer isso', e não haja nada a questionar".

Ele também reflete sobre a aversão ao risco de Hollywood, que parece presa à lógica de que "orçamentos maiores significam retornos maiores". Essa mentalidade, segundo ele, leva a indústria a "colocar tudo em uma única cesta" em busca de blockbusters bilionários, negligenciando projetos menores. "Este filme atraiu muito mais pessoas que não viam um filme há uns seis meses", observa Markiplier. "Está trazendo as pessoas de volta aos cinemas, e esse é um mercado inexplorado."

Desafios na produção

O processo de criação de Iron Lung, que acompanha um homem condenado (Markiplier) navegando um submarino por um oceano de sangue, foi repleto de desafios, especialmente para quem acumulava as funções de ator e diretor. Estar confinado em um cenário selado exigia uma confiança cega em sua esposa, Amy, que o auxiliava com a câmera e se comunicava por rádio. Além disso, o filme alcançou um feito singular: o recorde de sangue falso em uma produção cinematográfica, com uma estimativa de 80 mil galões, superando o antigo recordista, o remake de Evil Dead, de 2013.

Quanto ao futuro, Markiplier não descarta atuar novamente, mas revela uma maior paixão pela pós-produção e direção. Ele considera Iron Lung sua "tese final", o ápice de todas as suas habilidades. Embora aberto a futuras colaborações com estúdios, sua independência é inegociável. "Não quero que isso soe como um grande 'vai se ferrar' para cada estúdio", pondera. Ele só consideraria um cenário "muito estranho" em que um estúdio oferecesse "um orçamento ilimitado e também nunca nos desse uma única nota"

Por enquanto, Markiplier planeja continuar desenvolvendo ideias originais ou adaptando jogos e histórias, com o objetivo de "fazer algo maior com um orçamento mais eficiente da próxima vez" e "compensar ainda melhor as pessoas" envolvidas.