Referência
no mercado de
cinema no Brasil
O 17º Show de Inverno chegou ao fim nesta quinta-feira, 28, em Campos do Jordão, com um segundo dia dominado pela grandiosidade da Disney e da Warner de um lado, e pela aposta corajosa no cinema brasileiro de gênero da Olhar Filmes do outro. A Sato Company reafirmou o apetite do público brasileiro pelo melhor do audiovisual asiático.
Também se apresentaram as independentes Elo Studios e Retratos Filmes, além de O2 Play e Universal.
Disney: o tamanho de Toy Story 5
Thiago Pelli, gerente de vendas da The Walt Disney Company Brasil, subiu ao palco com uma afirmação que soou como promessa e desafio ao mesmo tempo: "Vocês não têm noção do tamanho de Toy Story 5. Será o maior filme do ano."
A frase foi embasada em pesquisas internas da distribuidora sobre o elevadíssimo nível de "awareness" do público em torno da animação, mas também na energia das cenas exclusivas exibidas a seguir, que arrancaram gargalhadas da plateia.
Dirigido por Andrew Stanton, o mesmo de Wall-E, Toy Story 5 estreia em 18 de junho com um enredo que coloca os brinquedos de frente com seu maior adversário até hoje: a tecnologia. Quando Lilypad, um tablet inteligente em formato de sapo, passa a ser a nova obsessão de Bonnie, Woody, Buzz e Jessie precisam lutar por relevância numa era de eletrônicos. Na versão brasileira, Maísa empresta a voz à vilã Lilypad e Rafael Infante dá vida ao Amigo Rolinho, um dispositivo de treinamento com personalidade irreverente. As vozes clássicas da franquia — Marco Ribeiro como Woody, Guilherme Briggs como Buzz e Mabel Cezar como Jessie — também retornam.
Veja no Calendário de Estreias da Filme B as datas confirmadas dos títulos citados neste texto.
Pelli também garantiu, sem titubear, que Se eu fosse você 3 será a maior comédia brasileira de 2026. A produção da Disney Brasil, estrelada por Glória Pires e Tony Ramos, com Cleo Pires e Rafael Infante completando o quarteto, se passa duas décadas após os eventos dos filmes originais, quando o raio cai uma terceira vez na mesma família.
Pelli defendeu a janela theatrical. Ao garantir um período de até 100 dias entre os lançamentos no cinema e nas plataformas digitais, o executivo arrancou aplausos calorosos dos exibidores. Ele também apresentou o Infinity Vision, um novo selo de qualidade concedido a salas que atingirem certos requisitos técnicos e que, em troca, terão acesso a conteúdos exclusivos da Disney e a promoções especiais.
O line-up da distribuidora incluiu ainda Hexed, A Era do Gelo — Ponto de ebulição, Ponto sem retorno, Dentro da baleia e Vingadores: Doutor Estranho.
Warner: entre barulho e grandiosidade
A apresentação da Warner foi conduzida pela tríade de Hernán Viviano, vice-presidente da distribuidora na América Latina, Denise Novais, diretora de marketing, e Carlos d'Orey, diretor de vendas. Antes de qualquer trailer, Viviano abriu comemorando um recorde: mais de 35 mil ingressos vendidos para a final da Champions League, que será exibida nos cinemas neste sábado, 30 de maio — um número que reforça o quanto as salas de cinema têm se tornado palco de experiências coletivas além dos filmes.
A apresentação foi dividida em três blocos. No primeiro, dedicado a histórias originais, foram exibidos trechos de O fim da rua (produzido por J.J. Abrams e dirigido pelo mesmo diretor de Corrente do mal, David Robert Mitchell), The Great Beyond (assinado pelo próprio Abrams) e Digger, a aguardada parceria entre Tom Cruise e o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu. Neste último, Cruise aparece irreconhecível como Digger Rockwell, um magnata do petróleo. Iñárritu descreveu o resultado como "assustador, engraçado e lindo". A "comédia de proporções catastróficas" inclui Sandra Hüller, Jesse Plemons, John Goodman e Riz Ahmed no elenco.
O segundo bloco foi das franquias. Da magia à sedução - Feitiço de amor reúne Sandra Bullock e Nicole Kidman nos papéis das irmãs Owens, mais de 25 anos após o original de 1998, com direção de Susanne Bier. O Gatola na Cartola inaugurou o novo logo da Warner Animation, sinalizando uma nova fase da divisão. Mas o auge da sessão — e talvez do dia — foi a exibição de dez minutos de Duna 3. A conclusão da trilogia de Denis Villeneuve, prevista para dezembro, adapta "Duna: Messias" e se passa 17 anos após os eventos do segundo filme, com Timothée Chalamet e Zendaya de volta, acompanhados de Robert Pattinson, Anya Taylor-Joy e Javier Bardem. O material exibido arrancou aplausos prolongados da plateia.
O terceiro bloco pertenceu ao DC Studios. Cara-de-Barro abriu o segmento, e Supergirl fechou com chave de ouro. A Warner prometeu um talent tour de Supergirl em Copacabana — e, fora do Show de Inverno, já concretizou a promessa: uma grande intervenção artística foi instalada nas areias da praia, marcando a chegada da equipe ao Rio entre os dias 13 e 15 de junho.
Olhar Filmes: filmes de gênero com ambição
A apresentação da Olhar Filmes se destacou por oferecer algo menos comum no mercado brasileiro: um line-up de filmes de gênero — terror, slasher, ficção científica, folk horror — feito no Brasil.
A distribuidora abriu o painel com Apenas coisas boas, um romance, mas logo mergulhou no território nichado. A herança de Narcisa foi apresentado como mais um drama sobrenatural do que um terror convencional, com a atriz Paolla Oliveira aparecendo em vídeo para garantir que está "empenhadíssima na divulgação" do projeto. Virtuosa foi descrito como um terror slasher, gênero que ainda encontra pouca representação no cinema nacional.
Um dos momentos mais instigantes foi a apresentação de Doutor Monstro, um true crime brasileiro dirigido por Marcos Jorge e estrelado por Taís Araújo. A première nacional do longa ocorrerá no Cine PE, o que sinaliza a confiança da distribuidora no potencial do filme junto ao circuito de festivais.
A ficção científica ficou a cargo de Yellow Cake, estrelado por Tânia Maria (O agente secreto), produzido por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, e dirigido por Tiago Melo.
O encerramento do painel ficou com Nova Éden, um folk horror dirigido pelo cineasta Aly Muritiba — cineasta cada vez mais consolidado como um dos nomes mais relevantes do cinema brasileiro contemporâneo.
Sato Company: o melhor da Ásia, agora em live-action
Victor Akira Sato, diretor de Negócios e Operações da Sato Company, reafirmou o posicionamento da distribuidora como porta de entrada do audiovisual asiático no Brasil — e, nesta edição do Show de Inverno, a pauta foi dominada por adaptações live-action de animes consagrados.
A primeira aposta apresentada foi Blue Lock, descrito por Victor como "um Round 6 do futebol". O filme, produzido pela Credeus, o mesmo estúdio por trás de Golden Kamuy, e distribuído no Japão pela Toho, parte do mangá de Muneyuki Kaneshiro e Yusuke Nomura — uma das séries mais vendidas de todos os tempos, com mais de 50 milhões de cópias em circulação —, e chega aos cinemas japoneses em agosto, coincidindo com a Copa do Mundo. A comparação com Round 6 não é à toa: o anime, que imagina um brutal programa de treinamento para forjar o mais egoísta e letal dos centroavantes, possui a mesma combinação de tensão extrema, espírito competitivo e virada moral que fez o sucesso sul-coreano dominar o streaming.
Terra à deriva 2 e o clássico Akira em remasterização 4K também integraram o line-up. Entre as apostas mais encantadoras, a versão live-action de Serviço de entregas da Kiki, lançada como Kiki no Brasil, promete emocionar os fãs do Studio Ghibli e conquistar novos públicos. Completaram a apresentação 5 centímetros por segundo em live-action, Sol da meia-noite, Confusão na Amazônia, Em busca da vitória e Uma família inesperada.
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