Referência
no mercado de
cinema no Brasil
Antes de a sessão começar, o Cinemark Jardim, em São Paulo, já parecia uma festa junina. O café da manhã era temático da festa que marca a metade do ano, e exibidores circulavam com camisas xadrez e chapéus — o dresscode "caubói" foi um pedido da Disney inspirado no personagem que deu origem a tudo. Nesta quarta-feira, 10, a major reuniu donos de cinema para uma sessão exclusiva de Toy Story 5, que estreia em 18 de junho nos cinemas brasileiros, com sessões antecipadas no dia anterior.
A brincadeira com a estética caipira não foi gratuita: antes do início do filme, a Disney exibiu um vídeo que percorreu as três décadas de história da franquia — de 1995, quando o primeiro Toy Story revolucionou o cinema de animação ao ser o primeiro longa totalmente gerado por computador, até os dias de hoje, com mais de US$ 3 bilhões acumulados em bilheteria global pelos quatro capítulos. A mensagem era direta: "Toy Story não é só uma franquia. É um marco na cultura pop."
A frase sintetiza a aposta da distribuidora para este que é, segundo suas próprias pesquisas internas, o maior candidato ao posto de filme do ano no Brasil. Thiago Pelli, diretor de vendas da Disney no Brasil, reforçou dados de tracking que sustentam o otimismo da empresa.
"Continua sendo o maior nível de interesse e reconhecimento do público de todas as nossas animações, maior ainda que Divertida mente", disse Pelli, antes de revelar um indicador concreto de demanda: "As pré-vendas já começaram e a demanda para as sessões noturnas está alta, o que mostra que o público adulto também está ansioso. Lembrem-se disse na hora de pensar na programação."
Divertida mente 2 (2024), vale lembrar, ocupa o posto de maior bilheteria da história no Brasil, com R$ 444,5 milhões arrecadados a partir da venda de 22,4 milhões de ingressos.
A trama de Toy Story 5 dialoga diretamente com um dilema que pais e educadores enfrentam hoje: o avanço das telas sobre o tempo de brincar. Ao colocar Woody e Buzz em disputa com um tablet inteligente (dublado por Maísa no Brasil) pela atenção da criança Bonnie, a Pixar transforma num roteiro de animação algo que já virou pauta recorrente da pediatria e da psicologia infantil: a substituição gradual dos brinquedos tradicionais por dispositivos digitais que entregam estímulo imediato e personalizado.

O clima de festa foi reforçado por uma surpresa musical. Antes da sessão, foi exibido o clipe de "Amigo estou aqui" — a regravação da canção icônica da franquia assinada por João Gomes, o maior nome do atual cenário do arrocha e do forró pop no Brasil. Outro nome de peso na trilha é Taylor Swift, que também assina uma faixa original para o filme, ampliando o alcance da campanha para públicos completamente diferentes.
"Você tem João Gomes gravando a música e fazendo clipe, tem a Taylor Swift fazendo música lá fora, tem participação de Bad Bunny no elenco, tem esse grau de reconhecimento, tem um tema extremamente relevante para a sociedade como um todo. Tudo isso nos faz acreditar nessa ideia de que é o maior filme do ano", disse Pelli, antes de concluir: "Vocês vão assistir agora, se não o melhor, um dos melhores Toy Story de toda a franquia."
A Disney presenteou os exibidores com dois brindes: uma mochila infantil colorida com a temática de Toy Story e bonecos da linha Funko Pop dos personagens. Os presentes não são apenas uma gentileza, mas uma prévia do tsunami de produtos licenciados que já estão chegando às prateleiras. A expectativa é que Toy Story 5 movimente a economia para além das bilheterias, em acordos de licenciamento com marcas de brinquedos, roupas, alimentos e decoração.
Pelli já havia sinalizado, no 17º Show de Inverno, em Campos do Jordão, a disposição da Disney em proteger a janela de exibição, garantindo 100 dias entre a estreia nos cinemas e o lançamento em plataformas digitais. O movimento é lido pelo mercado como um gesto de confiança no potencial do título e um compromisso com os exibidores.
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