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As vitórias históricas de O agente secreto (Vitrine) e Wagner Moura no Globo de Ouro neste domingo, 11, pavimentam uma nova jornada para o filme em direção ao Oscar.
Wagner tornou-se o primeiro brasileiro a vencer a categoria de melhor ator em drama, um ano após a também histórica vitória de Fernanda Torres, enquanto o thriller político de Kleber Mendonça Filho superou os pesos-pesados Foi apenas um acidente (Imovision), da França, e Valor sentimental (Retrato Filmes), da Noruega, e foi eleito o melhor filme em língua não inglesa — a primeira vez para um título nacional desde Central do Brasil (1998).
A vitória de O agente secreto não foi exatamente uma surpresa, já que diversos sites de apostas e publicações especializadas davam o resultado como provável. Mas também não havia certeza. Afinal, seus dois principais concorrentes foram indicados nas seções de melhor roteiro e melhor direção, o que não foi o caso da produção brasileira. Mesmo assim, ganhamos.
Um alerta vermelho havia sido acendido recentemente, quando tanto o Actor Awards (antigo SAG Awards) quanto o PGA (Sindicato dos Produtores) esnobaram, respectivamente, Wagner Moura e O agente em suas indicações. Boa parte dos membros das duas entidades é responsável por selecionar os indicados ao Oscar nas categorias de melhor ator e melhor filme. Além disso, o ator ficou de fora da longlist (pré-seleção) do Bafta.
A Variety, que vinha colocando Wagner na lista de prováveis indicados ao Oscar de melhor ator, subitamente tirou o brasileiro das apostas. O que aconteceu neste domingo muda tudo.
Influência do Globo de Ouro e o contexto político
Cabe lembrar que o júri do Globo de Ouro é composto por jornalistas internacionais, ou seja, não tem relação com os votantes do Oscar. Mas tem influência, já que O agente secreto passa, agora, a ter ainda mais projeção e visibilidade num momento em que as votações da maior premiação de cinema do mundo estão abertas. A Neon, distribuidora americana do longa de Kleber Mendonça Filho, deve aumentar o investimento na divulgação.
O contexto político atual também é um fator a se levar em conta. Em recentes entrevistas em talk-shows americanos, Wagner Moura não evitou críticas contundentes ao governo anterior do Brasil, definindo o período como uma era de "fascismo" e "autoritarismo". Neste domingo, em coletiva com a imprensa após ser laureado com o Globo, Kleber Mendonça Filho reforçou o assunto ao dizer que o país "deu uma volta para a direita nos últimos dez anos". Tais discursos politizados ressoam de forma relevante entre os profissionais e artistas de cinema em Hollywood, em sua maioria críticos ao governo de Donald Trump, que consideram autoritário e avesso a imigrantes e estrangeiros.
Não basta um filme internacional ser bom para ser coroado no Oscar. Diversos outros contextos, incluindo o político, são considerados durante toda a temporada de premiações. Não é raro que uma obra seja premiada não apenas pela sua qualidade, mas também pela mensagem que a escolha transmite ao mundo. Sempre foi dessa forma.
Hamnet e Uma batalha são os grandes vencedores
O agente secreto também concorria a melhor filme de drama, mas quem ganhou foi o favorito Hamnet: A vida antes de Hamlet (Universal), que também levou para casa o troféu de melhor atriz (Jessie Buckley). Na categoria de comédia/musical, o grande vencedor foi Uma batalha após a outra (Warner), contemplado com as estatuetas de melhor filme, melhor atriz coadjuvante (Teyana Taylor), melhor direção (Paul Thomas Anderson) e melhor roteiro.
Veja aqui a lista completa dos vencedores do Globo de Ouro 2026. Os indicados ao Oscar serão revelados em 22 de janeiro, e a cerimônia acontece em 15 de março.
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