Camisa Listrada completa 25 anos, quer explorar mais gêneros e anuncia filme sobre Peçanha, com Antonio Tabet

Camisa Listrada completa 25 anos, quer explorar mais gêneros e anuncia filme sobre Peçanha, com Antonio Tabet

Fabiano Ristow
28 nov 25

Imagem destaque

Desirée do Valle / Divulgação

André Carreira e Adriane Lemos

Produtora por trás de sucessos como Fala sério, mãe!, Os farofeiros e Mussum, o filmis, a Camisa Listrada, fundada pelos sócios André Carreira e Adriane Lemos, completa 25 anos com a ideia de seguir novos rumos.

Sem abrir mão das comédias, a empresa quer se aventurar por outros gêneros no cinema e no streaming. Além de a produção e Os farofeiros 3 estar a todo vapor, a Camisa Listrada já confirmou as filmagens de seu próximo longa, Guido, com direção de Jayme Monjardim. O drama biográfico narra a história de Guido Schaffer, jovem surfista carioca que abandonou a carreira de médico e o noivado para se dedicar ao seminário, mas acabou morrendo afogado na praia do Recreio, no Rio. Atualmente, ele está em processo de beatificação no Vaticano e pode se tornar o primeiro santo carioca.

Em entrevista à Filme B, André Carreira aproveitou para anunciar um novo projeto: o primeiro longa para os cinemas sobre Peçanha, o policial interpretado por Antonio Tabet originalmente nos esquetes do Porta dos Fundos. "Pode ser o início de uma nova franquia nas telonas", diz o produtor, que também se queixa da imprevisibilidade do FSA e defende a regulamentação do streaming com "regras claras".

Após 25 anos de atuação no mercado, quais são os próximos passos para a Camisa Listrada?

Datas redondas são momentos de reflexão, balanço e projeção de trajetória. Até aqui tivemos muito êxito: média alta de bilheteria tanto no cinema quanto no streaming. Então nos perguntamos: “O que queremos agora?”. Estamos abrindo dois novos pilares de atuação. O objetivo continua o mesmo: realizar obras de grande público, com bom market share, contribuindo para as bilheterias e para o streaming. Esse DNA não está sendo colocado de lado; trata-se, antes, de diversificar. Nossos maiores sucessos vieram das comédias. Acreditamos que todo o know-how desenvolvido nesse gênero pode ser aplicado a outros. Por exemplo, nossa carteira agora avança em biografias. Continuamos apostando no que sabemos fazer; estamos filmando Farofeiros 3, mas os dois próximos longas serão de gêneros diferentes. Um deles é Guido, com pano de fundo na Igreja Católica. Depois vem Anônima, um thriller em parceria com Paulo Cursino. Portanto, além das comédias, teremos suspense e ação.

Como se dá a curadoria da produtora? Que histórias interessam a vocês?

A marca da produtora são filmes de alta qualidade técnica e alto valor de produção, além de grande potencial de comunicação com o público. Não focamos em cinema autoral – nada contra, mas não é nosso DNA. Buscamos projetos com potencial de alcance, minimizando riscos desde o desenvolvimento, com elenco forte e equipes reconhecidas.

Qual a sua análise sobre o mercado de cinema brasileiro atual? O que precisa melhorar?

Repetimos uma queixa quase unânime entre os produtores: falta previsibilidade no acesso ao FSA. Não há calendário, nem valores definidos, nem formato claro para as próximas linhas de financiamento. Cada filme parece exigir que reinventemos a roda. Por isso miramos o mercado internacional – coproduções que tragam recursos para o Brasil. Na Europa, por exemplo, os produtores sabem exatamente onde buscar o dinheiro; nós jogamos no escuro. Farofeiros 2 rendeu ótimo público, gerando recursos automáticos para a gente, mas até agora essas linhas não foram anunciadas. Como planejar elencos e cronogramas assim?

E como a produtora contorna essa imprevisibilidade?

Quando o FSA parou [na pandemia], praticamente paramos de produzir para cinema; voltamos aos originais para streaming, que mantiveram a casa funcionando. Projetos de grande porte sem FSA são muito difíceis. Artigos 1º, 1-A, 3º e 3-A ficaram mais robustos e nos ajudaram, mas não bastam. Buscamos coproduções com aportes maiores, patrocínio e investimento privado. Temos recorrido bastante ao licenciamento, ainda que o FSA imponha restrições. Hoje, para fazer um filme de 15-20 milhões de reais, é preciso misturar player, artigos de incentivo, iniciativa privada e, idealmente, FSA. Sem este último a competitividade cai.

Muitos profissionais se queixam de que produtoras são meras prestadoras de serviço para o streaming. Mas esse é só um dos pontos no movimento da defesa da regulamentação do setor. Como você vê esse cenário?

Sou totalmente a favor da regulamentação. Será benéfica para o mercado, desde que as regras fiquem claras. O tema se arrasta há anos; até as plataformas querem uma definição. É importante dizer que essas plataformas têm sido parceiras da Camisa Listrada não apenas como prestadoras de serviço. Durante um bom tempo atuamos só como fornecedores, mas hoje já conseguimos diálogos para coproduções sem incentivo e para licenciamentos. Há projetos independentes que serão produzidos em parceria com os streamings.

O que pode adiantar de novidade sobre a cartela da Camisa Listrada?

Em primeira mão: estamos preparando uma comédia que marcará a estreia do personagem Peçanha nos cinemas – o início de uma nova franquia. A peça de teatro já foi um sucesso, e acreditamos muito no potencial do filme, previsto para o line-up do ano que vem.