Brasileiros colhem boas críticas em Berlim

Brasileiros colhem boas críticas em Berlim

Redação
17 fev 17

Imagem destaque

Divulgação

Julio Machado em Joaquim, de Marcelo Gomes

Os filmes brasileiros exibidos no Festival de Berlim colheram boas críticas dos grandes sites do mercado de cinema. O festival se encerra neste sábado com o anúncio dos vencedores do Urso de Ouro e demais prêmios da competição.

Por fazer parte da principal sessão, a Competição, o histórico Joaquim, de Marcelo Gomes, ganhou maior espaço nos sites. A Variety frisou o potencial do filme em futuros festivais. “Uma fotografia vibrante e personagens fortes se unem em diversas cenas memoráveis, e a mensagem de empoderamento deve gerar muitos convites ao filme depois de Berlim”, escreve o crítico Jay Weissberg.

“Joaquim terá um óbvio apelo para plateias brasileiras e portuguesas (...), mas este drama de época com ação pode atrair um interesse especial em mercados maiores graças ao seu esmero visual e à ressonância política na atualidade”, afirmou Stephen Dalton, da Hollywod Reporter.

Lee Marshall, da revista Screen, fez uma das críticas mais severas ao filme, sentindo falta de uma narrativa mais linear ao modo americano. “Detalhes como desenvolvimento da história e motivação do personagem ficam em segundo plano em relação a qualidades mais estáticas como a paisagem, o figurino e a direção de arte”, escreveu.

Enfoque feminista

Por ter aberto a seção Panorama, a mais prestigiada entre as paralelas do festival, outro drama histórico, Vazante, de Daniela Thomas, também ganhou seu espaço nos sites, que elogiaram o retrato da sociedade de classes brasileira no século 18 e o enfoque feminino. David Ronney, da Hollywood Reporter, lembrou que Thomas foi uma das diretoras da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, na qual deu especial atenção à presença dos escravos na história do país. “É um drama lento com uma postura muito austera em relação à narrativa, diálogos e personagens, que deve confiná-lo a um circuito marginal. Mas o rigor formal, uma beleza intensa, a maneira como mostra a crueldade racial e o destaque dado às mulheres num universo patriarcal devem chamar a atenção dos distribuidores internacionais especializados”, disse.

“Apesar dos diálogos esparsos, (...) a qualidade da direção deve garantir o interesse dos festivais e dos distribuidores do cinema de autor”, concordou Wendy Ide, no site da Screen.

Casa de bonecas

Em sua cobertura on line, a Hollywod Reporter deu especial atenção aos filmes brasileiros. Além de Joaquim e Vazante, dois outros longas brasileiros ganharam resenhas – o drama paulista Como nossos pais, de Laís Bodanzky, e o gaúcho Rifle, de Davi Pretto.

Sobre o primeiro, que mostra os conflitos de uma mulher de 30 anos casada e com filhos que descobre um segredo sobre seu pai, destacou a atuação da protagonista, Maria Ribeiro. “Há talvez muitas pontas soltas para que a narrativa do filme seja totalmente satisfatória. Mas isso também torna a história mais real e próxima à vida, e a vida também não fornece conclusões para tudo”, escreveu Boyd van Hoeji.

Rifle ganhou crítica mais negativa. “Um contexto potencialmente intrigante sofre com uma narrativa altamente minimalista. (...) Apesar de alguns momentos explosivos e paisagens notáveis, a abordagem muito naturalista e atuações decepcionantes vão dificultar a venda do filme fora dos festivais”, opinou Jordan Mintzer.