Site traz panorama do documentário no Brasil

Site traz panorama do documentário no Brasil

Thayz Guimarães
10 set 15

Imagem destaque

Divulgação

Cena de A entrevista, de Helena Solberg

Antônio Leal, Aníbal Requião, Julio Ferrez, Diomedes Gramacho e Humberto Mauro foram alguns dos primeiros documentaristas surgidos no Brasil. Responsáveis por um vasto acervo audiovisual das primeiras décadas do século XX, esses nomes, porém, podem soar estranhos até mesmo ao público cinéfilo, já que suas obras ficaram praticamente esquecidas, guardadas no fundo de arquivos como os da Cinemateca Brasileira. Agora, uma iniciativa inédita pretende alterar esse panorama.

Batizado de Documentário Brasileiro, o banco de dados idealizado pela pesquisadora Karla Holanda, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), foi lançado esta semana, com o objetivo de reunir informações sobre toda a produção documental brasileira em uma única plataforma. A atualização é contínua e ininterrupta, mas o catálogo já está no ar com fichas mais de 4 mil títulos – curtas, médias e longas –, de cerca de 2,2 mil diretores. A lista traz um conjunto de dados como direção, ano de produção, sinopse, duração e links para críticas ou, em alguns casos, para a versão digital das obras. 

Dentre os filmes listados, destacam-se registros centenários, a exemplo de Inauguração da Avenida Rio Branco (1903); alguns bastante curiosos e pouco óbvios, como Segunda Exposição Agro-Pecuária de Passo Fundo (1940) e Cirurgia da estenose mitral (1960); além de filmes raros, como o curta A entrevista (1966), da diretora Helena Solberg. Produções recentes de documentaristas consagrados, como Eduardo Coutinho (Edifício Master; Cabra marcado para morrer; Jogo de cena; As canções; Últimas conversas), e outros menos conhecidos, também fazem parte da coleção.

Missão de preencher lacunas

“Como pesquisadora, eu sentia uma necessidade enorme de ter um banco de dados digitalizado, disponível na internet, onde pudesse pesquisar todo o material de maneira simples”, comenta Karla. Para ela, também era importante preencher algumas lacunas, especialmente as referentes à produção feminina no cinema nacional. Pensando nisso, o site foi construído com base em uma ferramenta que também traz a busca por gênero do(a) realizador(a).

Os usuários podem contribuir com a alimentação da plataforma, através da aba “Submissões”, onde é possível sugerir a inclusão de filmes próprios ou mesmo indicar outros, de terceiros, que ainda não constem na relação. Depois de submetidos, os filmes passam por uma checagem e padronização criteriosa da equipe, e só então são acrescentados ao banco de dados.

Três anos de pesquisa intensa

A ideia de desenvolver um projeto desta magnitude surgiu há quase dez anos, quando Karla, hoje professora do curso de Cinema da UFJF, ainda morava em São Paulo e preparava sua dissertação de mestrado sobre a produção de documentários no Nordeste.

Mas o projeto do Documentário Brasileiro começou a tomar forma, de fato, em 2012, e já no ano seguinte foi criado o grupo de pesquisa Documentário e Fronteira, de onde seriam selecionados os primeiros alunos-bolsistas para trabalhar no inventário do material.

Ao longo de três anos foram investidos cerca de R$ 32, 6 mil, através de oito bolsas de estudo, no valor de R$ 340, pagas pela UFJF e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) durante de 12 meses cada.

O resultado pode ser visto em documentariobrasileiro.org.