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Cinema com Nachos
Publicado em abril de 2010 – Revista Filme B - Edição Especial - Show de Inverno


   Pedro Butcher e Fernando Veríssimo


A rede Cinépolis, maior grupo exibidor do México, inicia suas operações no Brasil



Em junho próximo, a rede de cinemas Cinépolis, do empresário mexicano Alejandro Ramírez, inaugura seu primeiro complexo no Brasil, na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Desde 1997, quando o primeiro grupo de exibição estrangeiro se instalou no país (a rede americana Cinemark), o mercado não vivia uma expectativa semelhante. E não é à toa: com mais de 2,2 mil telas, a Cinépolis está entre os cinco maiores grupos exibidores do mundo em número de salas.

No México, onde é líder absoluta de mercado, com 60% de market share, a rede está presente em 67 cidades e possui 224 cinemas. Ao todo, no país, são 2.124 telas – ou seja, um número bastante próximo do total de salas do circuito brasileiro.

Internacionalmente, a Cinépolis já opera em outros territórios da América Latina (Colômbia, Guatemala, Costa Rica, Panamá e El Salvador), mas, no ano passado, revelou planos de expansão mais intensos, com foco no Brasil e na Índia. O primeiro complexo do grupo na Índia, com quatro salas, começou a funcionar em dezembro do ano passado e, segundo a Variety, serão construídas 500 salas até 2016. Até dezembro de 2009, a Cinépolis já somava 12 complexos e 95 salas fora do México.

Por aqui, a empresa tem planos de abrir 290 salas até 2012 – o que já a posicionará como uma das maiores do mercado exibidor local. “O Brasil é um país com muito potencial no segmento da exibição cinematográfica”, diz Miguel Miers, executivo da companhia, que esteve presente no último Show Búzios. “Nossa estratégia será baseada nos mesmos princípios que aplicamos no México. Vamos usar o conhecimento já adquirido e adaptá-lo ao Brasil.”

O escritório da Cinépolis em São Paulo já funciona a todo o vapor, sob o comando do executivo Eduardo Acuna. “As possibilidades de crescimento do mercado de cinema aqui são imensas. O papel da Cinépolis é explorar esse potencial e crescer junto com o mercado brasileiro”, diz Acuna (leia entrevista completa a seguir).

ENTREVISTA Eduardo Acuna



Recentemente, a Cinépolis abriu seu primeiro complexo na Índia. Por que o grupo resolveu apostar no mercado internacional?
A Cinépolis é uma empresa que não tem capital aberto e não gosta de ter dívidas. Nossa política é reinvestir 90% dos lucros. Isso gera um crescimento exponencial. Crescemos no México até o mercado ficar saturado, e optamos então por fazer investimentos internacionais, começando pela Índia e pelo Brasil.

Por que o Brasil?
Porque o potencial do mercado de cinema aqui é imenso. O índice de habitantes por sala, quando comparado com outros mercados, como o mexicano e o americano, ainda é extremamente baixo. O papel da Cinépolis será explorar esse potencial e crescer junto com o mercado brasileiro.

E qual a meta da Cinépolis no mercado brasileiro?
A Cinépolis não chegou para ser líder, chegou para fazer negócios. A economia do país está crescendo e novos consumidores estão sendo incorporados. O cinema ainda é uma das formas de entretenimento mais baratas, mas a verdade é que ainda é acessível a poucos. Se a população tem mais renda, são grandes as chances de passar a frequentar as salas, o que representa um potencial gigantesco de expansão.

Por onde vão começar as operações e qual é a projeção do ritmo de crescimento da Cinépolis no Brasil?
Em 2010 vamos abrir 40 salas; em 2011, estão previstas 100 salas, e, em 2012, 150 salas. Para 2010, já temos cinco complexos certos. O primeiro, com oito salas, será inaugurado em julho, em Ribeirão Preto, no shopping Santa Úrsula. Na verdade, é um complexo que já existia, fechado desde 2008, e que passou por uma reforma completa para atender aos nossos padrões. O segundo será em Belém, com sete salas, previsto para agosto; o terceiro será em São Paulo, com nove salas, em setembro; o quarto, também em São Paulo, com oito salas, em outubro, e o quinto, em Salvador, terá seis salas, e deve abrir em novembro.

Existe algum motivo especial para começar as operações por Ribeirão Preto?
Não, foi uma questão de oportunidade. Nossa primeira prioridade no mercado brasileiro é aproveitar as oportunidades, que são muitas. Mas não vamos assinar projetos para ter participação de mercado. Gostamos de market share, mas gostamos mais de fazer bons negócios e de ter lucro.

Hoje existem pouco mais de duas mil salas no Brasil. Na sua avaliação, o país pode chegar a quantas salas exatamente?
Se compararmos com o número de habitantes por sala do México, o Brasil poderia chegar a seis mil salas. O México, com 100 milhões de habitantes, tem 4,5 mil salas; o Brasil, com quase 200 milhões, poderia ter seis mil. Mas são países que apresentam condições muito diferentes para o mercado. Com as atuais condições do Brasil, não conseguiremos chegar lá.

Os custos de construção de cinemas no Brasil são considerados altos. Esse fator não torna mais difícil a abertura de salas em cidades de médio e pequeno porte? E, no entanto, não é justamente nessas cidades onde há mais espaço para crescimento? O que é possível fazer para resolver essa equação?
Os custos para construção aqui não apenas dificultam – eles são proibitivos para operações em cidades pequenas e médias. No México, temos cinemas em cidades de menos de 100 mil habitantes que são perfeitamente viáveis. Aqui no Brasil, os investimentos são altos demais e ainda não existe como fazer um bom cinema com possibilidade de retorno nessas áreas. Algumas providências a curto prazo estão sendo tomadas, como a isenção do ICMS para importação de equipamentos, que existe no estado do Rio, mas ainda é muito pouco. É preciso sobretudo reduzir o IPI, que é altíssimo.

A Cinépolis está acostumada a trabalhar com complexos com mais de dez salas. Como será no Brasil, onde os exibidores preferem cinemas com cinco ou seis salas, em média?
Não existe um tamanho ideal de complexo – mas, de fato, o mercado brasileiro tem demonstrado preferência pela construção de novos cinemas com poucas salas, o que termina limitando o número de sessões, de filmes e de horários para o cliente. De maneira geral, preferimos trabalhar com complexos maiores por causa disso: eles oferecem um serviço melhor, com mais sessões e menos filas nos fins de semana.

No México, vocês também têm empreendimentos fora de shoppings. Esse modelo também será aplicado no Brasil?
É possível, mas ainda não temos nada nesse sentido. É preciso estudar melhor o mercado.

Na sua opinião, quais seriam as medidas mais urgentes para alavancar o crescimento nas cidades pequenas e médias?
Existem aqui três temas que consideramos bastante complexos: a meia-entrada, que não beneficia os estudantes realmente necessitados e prejudica a todos que não são estudantes; a questão do Ecad, que ajuda a tornar a operação do cinema muito cara no país; e os impostos – tanto os da operação do cinema como os da importação de equipamentos. Um cinema no Brasil está custando quase 80% mais que um cinema no México.

E você vê alguma perspectiva de avanço a curto prazo?
Na verdade, não. No momento, o Brasil não tem uma liderança capaz de fazer avançar essas questões.

Os custos trabalhistas do Brasil também são maiores que os do México. Eles também representam uma preocupação para vocês?
Com certeza. No Brasil, a questão fiscal e a questão trabalhista podem levar uma empresa a morrer se esses custos não forem muito bem planejados. A questão trabalhista é bem importante, estamos muito focados nesse aspecto.

Os complexos terão projetores 35mm ou serão totalmente digitais? Eles terão salas 3D?
Os cinemas terão projetores 35mm e pelo menos um projetor digital, para viabilizar exibições em 3D.

Como você vê a importância do 3D para o mercado?
No processo de transição digital, que é bastante complexo, o 3D é um novo produto que de fato está ajudando o mercado a crescer. Ter pelo menos uma sala 3D, hoje, é fundamental.

Qual será o diferencial da Cinépolis?
A Cinépolis tem produtos diferentes e um jeito diferente de fazer as coisas. Temos nosso próprio jeito de operar cinemas e vamos trazê-lo para o Brasil, esperando que tenha sucesso.

No México, a Cinépolis participa da coprodução de alguns filmes locais. Existe essa intenção no Brasil?
Sim. Tudo vai depender dos projetos. Não é nossa prioridade por enquanto, mas no futuro, se houver uma boa oportunidade, podemos sim coproduzir filmes no Brasil.

  

Universo em expansão

Com um ritmo de inaugurações se mantendo em torno de 100 salas por ano, o circuito brasileiro vem passando por uma renovação gradual e registrando um crescimento real lento nos últimos anos. A chegada da gigante Cinépolis ao mercado local, no entanto, é apenas um dos sinais de que os investimentos devem retornar aos índices do período do boom do multiplex no Brasil. As diversas fontes de financiamento disponíveis atualmente para o setor, aliada a um mercado aquecido pelo 3D, aos bons índices macroeconômicos e à expansão do conceito de shopping center para a inclusão das classes C e D já começa a render frutos: para o ano de 2010 está prevista a abertura de mais de 140 salas – e isso apenas em shoppings (a previsão é de que, nos próximos três anos, mais de 70 shoppings sejam inaugurados no país). Confira abaixo a lista de complexos das principais empresas exibidoras confirmados para este ano.

  

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