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por
Fernando Verissimo
Em primeiro lugar, vale destacar a gradual perda de importância dos cinemas de uma só tela - efeito do processo de modernização do circuito. Em 1999, nada menos que 61% do parque exibidor brasileiro era composto de cinemas de uma sala (em geral cinemas de rua), índice que caiu para 51% em 2005, e que agora, no final de 2008, chegou a 37,4%.
O número de cinemas de duas ou três salas sofreu praticamente nenhuma alteração ao longo deste mesmo período. Estes cinemas são, na maioria, antigas salas de rua ou de pequenos shoppings, que foram divididas e adaptadas para os novos tempos.
O setor registrou a maior expansão entre os complexos de quatro a nove salas – que tiveram um crescimento de quase 250% nos últimos dez anos, saltando de um total de 54 cinemas para 187. Isso demonstra claramente que esses multiplex ganharam a preferência dos exibidores – com destaque para os conjuntos de seis a oito salas, que foram os que mais cresceram nos últimos cinco anos.
Os cinemas com mais de 10 salas também foram alvo de investimentos no período, embora sua expansão tenha sido mais moderada. Como exigem grande investimento e possuem alto custo operacional, eles dependem de uma série de fatores para uma boa performance (como, principalmente, área com espaço urbano disponível e que tenha grande concentração de público), com maior risco. Além disso, há o fator programação, que, no caso de complexos com maior número de salas, passam a gerar no exibidor uma maior dependência das companhias distribuidoras.

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