|
por
Fernando Veríssimo
Graças a um aumento expressivo de sua participação em
co-produções internacionais, o cinema brasileiro vive hoje um momento inédito
no cenário global. 2008 foi um ano particularmente significativo nesse sentido:
quatro co-produções nacionais foram selecionadas pelos mais importantes
festivais de cinema do mundo: Ensaio sobre a cegueira, de Fernando
Meirelles, e Linha de passe, de Walter Salles, disputaram a Palma de
Ouro em Cannes; e Birdwatchers, de Marco Bechis, e Plastic City,
de Yu Lik Wai (que, apesar de terem diretores estrangeiros, foram rodados no
Brasil), concorreram ao Leão de Ouro em Veneza.
O número de co-produções internacionais cresceu muito nos
últimos anos. Em 2003, faziam-se em média cinco parcerias por ano; hoje, este
número saltou para 32. “Diante da presença maciça do cinema americano no
mundo, há um desejo de co-produzir”, opina o produtor Maurício Andrade Ramos,
da Videofilmes, uma das mais experientes companhias produtoras na utilização do
formato. “Há uma busca por alternativas de produção entre os países”.
Para acompanhar essa tendência de internacionalização, o
Brasil lançou mão, há alguns anos, de um projeto setorial, esforço integrado
entre a iniciativa privada e a esfera pública. Os números, expressivos, são os
primeiros resultados concretos desse projeto, que resultou na criação, em 2006,
do Programa Cinema do Brasil, cujo objetivo é promover uma política capaz de
articular as medidas do poder público e as ações individuais dos produtores.
Desenvolvido
por meio de uma parceria entre a Apex (Agência Brasileira de Promoção a
Exportações e Investimentos) e o Ministério da Cultura, o Cinema do Brasil, que
conta com o apoio da Ancine e do Itamaraty, participou de mais de 20 festivais
e promoveu cerca de 20 encontros de negócios com representantes de países como
Alemanha, Canadá, França, Itália e Argentina. A estimativa é que o programa
movimente US$ 43 milhões em negócios envolvendo vendas e co-produções em 2008 –
um montante bem maior que os US$ 27 milhões de 2007.
Outras ferramentas importantes são os acordos
internacionais de co-produção, que cumprem papel fundamental ao estabelecer
condições para facilitar e incentivar o intercâmbio. Os acordos são
responsabilidade do governo brasileiro, que está desempenhando “um papel
extremamente positivo”, segundo Fabiano Gullane, sócio da Gullane Filmes,
produtora de Birdwatchers e Plastic City. “A Ancine, o Cinema do
Brasil, o MinC e o Itamaraty são pró-ativos no sentido de resolver os problemas
e criar um modelo brasileiro de co-produções”, elogia Gullane.
BRASIL JÁ TEM ACORDOS
COM NOVE PAÍSES
Atualmente,
o Brasil possui acordos bilaterais com Argentina, Alemanha, Canadá, Chile,
Espanha, França, Itália, Portugal e Venezuela, além de ter participação em acordos
multilaterais como o Convênio de Integração Cinematográfica Ibero-Americana e
o Acordo Latino-Americano de Co-Produção Cinematográfica – dois instrumentos
largamente utilizados pelos produtores brasileiros por meio de programas como
o Ibermedia. Atualmente, o país também negocia novos acordos com países
emergentes, como Índia, China e Israel, e revê acordos antigos cujos textos são
considerados ultrapassados no atual cenário internacional.
Os
acordos estipulam cláusulas e limites específicos para a realização das co-produções.
Em geral, uma das condições é o estabelecimento de um percentual mínimo na
divisão da propriedade da obra, correspondente ao aporte de cada produtora, de
forma que haja uma real conjugação de esforços e uma contribuição efetiva de
cada parte na criação de uma obra. Na prática, é isso que diferencia as
co-produções dos contratos de distribuição, patrocínio ou antecipação de
receita, e do chamado “production services” (modelo no qual a
participação da empresa contratada se limita à execução de serviços, não
fornecendo aporte ou investimento).
“Existem
duas formas de co-produzir: financeiramente apenas, ou de uma maneira que o
filme não exista sem uma das partes”, diz Gullane. “É nessa segunda que estamos
focados, em projetos nos quais a participação brasileira seja estrutural, não
só financeira”. Sandra Kogut, diretora de Mutum – filme que tem
participação da produtora francesa Gloria Films e apoio do canal de TV Arte –,
acredita que a co-produção “abre mais possibilidades para o filme, além de
confrontá-lo desde o início com outras visões, outras culturas, outra maneira
de fazer”.
Por outro lado, também dá mais trabalho. “Coordenar as
diferenças nem sempre é fácil”, diz Sandra. Gullane completa: “É mais difícil
você administrar um projeto à distância, com a dificuldade das línguas, da
maneira de pensar”. Christian de Castro, produtor de Federal,
co-produção oficial com Colômbia e Hungria, chama a atenção para a maior
complexidade na elaboração de um projeto: “Uma co-produção pode exigir
diferentes contrapartidas que precisam ser negociadas, como, por exemplo, em
que país as locações ou a finalização devem ser executadas, ou se deve haver
inclusão de técnicos estrangeiros na equipe”, diz.
CO-PRODUÇÕES CRIAM
ALTERNATIVAS DE FINANCIAMENTO
“Muitas vezes, a co-produção é uma forma de dividir custos
e atrair recursos privados”, diz Maurício Ramos. De fato, entre as vantagens do
modelo está a divisão de tarefas práticas e criativas em todas as etapas:
desenvolvimento, captação, produção e distribuição. Mas o que mais impele
produtores ao formato, num universo de opções limitadas de financiamento, é a
possibilidade de acessar outras fontes de recurso. Eduardo Valente, que
atualmente finaliza seu primeiro longa, No meu lugar (co-produção da
Videofilmes com Portugal), concorda com seu produtor: “A vantagem principal é
conseguir se ‘desestrangular’ das restrições do modelo de produção brasileiro,
que, ao menos no que se refere ao chamado cinema de autor, é restritivo ao extremo”,
diz. “A co-produção abre portas, permite que a gente fuja do gargalo dos
editais”.
“Quase todos os filmes brasileiros são realizados, hoje,
com recursos 100% incentivados, mas uma parte dos filmes autorais, justamente,
já conta com recursos privados graças à co-produção”, afirma Maurício. A dupla
(ou múltipla) nacionalidade de um filme garante a ele, ainda, o acesso a
mecanismos públicos de financiamento e vantagens para a comercialização. “Uma
vantagem é o direito à cota de tela”, diz Flávio Tambellini, produtor de Mutum.
“Na Europa, por exemplo, existe uma garantia de exibição que aumenta as
possibilidades de retorno”.
“Ajuda muito que o filme exista em outros mercados”,
concorda Karim Aïnouz, o consagrado diretor de Madame Satã e O céu de
Suely (duas co-produções com países europeus). “Principalmente se você
tiver um bom agente de vendas”. Karim, que prepara Praia do futuro,
co-produção entre Brasil e Alemanha, diz ainda que “o lançamento em cinema no
Brasil é só vitrine. A existência de um mercado internacional foi o que fez com
que os filmes se tornassem rentáveis – afinal, eles deram mais dinheiro fora do
Brasil. Não foram blockbusters, mas fecharam as contas direitinho”.
Além
da ampliação de mercado, o ganho em know-how e a exposição internacional
também são elementos atraentes numa co-produção. Sandra Kogut, outra
realizadora experiente no assunto, resume as vantagens e desvantagens das
co-produções: “Dá trabalho, em todos os níveis, até nas diferenças culturais,
na maneira de lidar com o trabalho. Envolve também muitos aspectos
burocráticos e técnicos. Às vezes é enlouquecedor.... Mas acho que vale a
pena. Sempre. Traz outra dimensão a um filme, abre muitas outras perspectivas,
confronta o filme a outros olhares desde cedo, o que também é interessante”. E
completa: “é sempre enriquecedor lidar com diferenças”.
ENTREVISTA
MÁRIO
DIAMANTE
Na entrevista a seguir, o diretor da Agência
Nacional de Cinema, Mário Diamante, analisa a importância estratégica das
co-produções para o cinema brasileiro e detalha as ações governamentais de
estímulo à internacionalização da produção. Uma dessas ações é o Seminário de
Co-produção Internacional, que acontece durante o Festival do Rio, realizado
pela Ancine, o MinC e o Ministério das Relações Exteriores
Quais as vantagens para
o produtor brasileiro que investe em co-produções?
A co-produção é acima de
tudo uma estratégia de comercialização e de internacionalização. É uma forma
de produzir que abre portas reais lá fora e é a melhor forma de internacionalização
porque influencia todo o projeto, que já sai com um desenho adequado para o
mercado interno e para outros mercados. A co-produção tem rendido bons
resultados para o cinema brasileiro. Conseguimos entrar em vários festivais
internacionais, por exemplo, graças a players estrangeiros que têm
participação financeira nas produções e, conseqüentemente, interesse no
sucesso da obra em seus territórios. Alguns produtores já encontram hoje na
co-produção uma oportunidade para fazer negócios, e o Estado tenta ajudar,
criando condições para o empreendedorismo. Temos aqueles que já estão no
mercado – como a Conspiração, os Gullane, Sara Silveira –, e temos aqueles que
estão estreando. Todos usufruem os mesmos benefícios – essa é a vantagem da
regulação igual para todos.
Qual a importância dos
acordos de co-produção nesse processo?
A co-produção é um assunto
naturalmente transversal, e ela passa pela questão legal, no que diz respeito
aos acordos internacionais. O processo é complexo: nós negociamos os itens
destes acordos em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, e em
seguida eles seguem para o Congresso Nacional, onde devem ser sancionados como
lei para entrar em vigor. Os acordos podem sair mais fechados ou mais abertos,
isso depende de uma série de fatores. Quando fazemos novos acordos ou
renovamos outros mais antigos, buscamos maior flexibilidade. O acordo com a
Alemanha é bem mais flexível agora, e estamos renovando com a Itália também,
em novos termos. Com a França, fomos até o limite permitido pelo CNC (Centre
National de la Cinematographie). Com a Argentina, por outro lado, queremos nos
aproximar mais pelo lado de trabalhos conjuntos, como ações de funding e
encontros de produção. O acordo que estamos desenhando com a Índia é bem
flexível; com Israel também, e começamos agora a negociar com a China.
Como são negociadas as
contrapartidas de cada país numa co-produção?
Vou dar dois exemplos. Com Ensaio
sobre a cegueira, tivemos um problema quanto ao elenco, por causa da legislação
canadense. Eles são muito mais protecionistas que a gente. Com Birdwatchers,
tivemos outro problema em função do “deságio” de nossa moeda em relação ao
euro. Ficava difícil para o produtor nacional cumprir a participação
patrimonial mínima, estabelecida em 30% segundo o acordo oficial com a Itália.
Mas havia a possibilidade de relativizar essas questões. Em casos de produções
tidas como de alto valor cultural ou produções de grandes orçamentos, as autoridades
dos países podem, em comum acordo, reduzir as exigências. Como o Birdwatchers
trata de um tema indígena, de alto valor cultural para o Brasil, conseguimos
reduzir a participação nacional para 20% e seguir em frente. E Ensaio sobre
a cegueira é uma grande produção internacional.
O que ainda precisa ser
aperfeiçoado em relação à legislação?
Hoje temos dificuldade para
acompanhar o desempenho comercial do cinema brasileiro fora do país. Temos o
Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior, que faz um acompanhamento da
balança comercial), mas lá existe apenas o item “audiovisual”, e o
licenciamento está desagregado. Não temos um “sisconserv”, que seria um órgão
semelhante para acompanhar a balança de serviços. O governo está construindo
isso, com a Receita Federal à frente. Da forma como está a legislação, não dá
pra contabilizar as co-produções não-oficiais. Queremos estudar isso pra poder
classificar. Plastic City é uma co-produção oficial, realizada fora do
âmbito dos acordos – não temos acordos com Hong Kong e China. Mutum é um
equity financing, com participação financeira do Fond Sud, mas
não é oficial porque é muito complicado fazer co-produção oficial com a França.
É preciso cumprir muitos itens franceses, a pontuação é difícil. Além disso,
precisamos e vamos mudar nosso trabalho internamente – o que não dá é para
mudar a lei. Queremos fazer uma Instrução Normativa que seja um verdadeiro
estatuto: quem quiser fazer uma co-produção encontrará nesse estatuto tudo o
que precisa ser feito, do início ao fim. Por fim, precisamos cobrir o que
chamamos de um hiato normativo. A nossa legislação tem um hiato sobre algo
chamado “reconhecimento provisório”. Não temos isso aqui no Brasil, só
utilizamos quando é uma produção do Programa Ibermedia, porque a Caaci
(Conferência de Autoridades Audiovisuais e Cinematográficas da Ibero-América),
entidade sob a qual funciona o programa, usa o reconhecimento provisório. Até
agora, resolvíamos esse problema emitindo o CPB da co-produção, um certificado
de produto brasileiro especial para co-produções. Mas como você vai certificar
uma obra que não existe ainda? A lei 2.228 é muito sucinta sobre isso. Ela fala
sobre três tipos de obra brasileira: a que é feita por produtora brasileira, a
que é feita por produtora brasileira em co-produção com países com que temos
acordo, e a feita por produtora brasileira em co-produção com países que não
temos acordo. Todas podem ter CPB no final. Essa recomendação preliminar é o
que diz que a obra está de acordo com a legislação vigente. E isso permite que
você capte e acesse os modelos de financiamento público estrangeiros, que
funcionam através de fundos.
Quais são os outros
caminhos para a internacionalização do cinema brasileiro?
Uma coisa que não costumamos
fazer, mas que temos que fazer, são os screenings, ou seja, trazer
compradores do mundo inteiro para o Brasil. No Festival do Rio vamos realizar
um encontro de produtores do Mercosul. Também estamos tentando criar um fundo
do Mercosul. Tudo sempre voltado para a promoção do cinema e do talento
brasileiro. A política de cinema no Brasil é voltada para o produto brasileiro.
As leis de incentivo são para isso. Se não tivéssemos talentos, seria mais
simples virarmos production services para o resto da vida. A
sensibilização dos produtores nós já temos. Patrocinadores sensíveis a isso
também – o próprio BNDES deu exemplo, ao contemplar Blindness e Plastic
City em seu edital do ano passado. Podemos agora entrar com recursos nossos
através de editais e através do Fundo Setorial do Audiovisual. As linhas que
serão criadas para TV e cinema podem ter uma modalidade específica para
co-produção, para complementação, para contrapartida brasileira a um
investimento real e concreto internacional. Esse é o problema de quase todas
as co-produções, porque o modelo lá fora é de recurso direto, e o nosso aqui é
de patrocínio. O patrocínio é volátil, mas se o Fundo tiver as co-produções
como uma política, ele pode fazer isso dentro de uma linha mais ampla de
produção, e, no futuro, fazer algo específico para co-produção internacional.
Não apenas para a promoção, mas para as etapas de comercialização, um passo
depois. Outra medida que devemos tomar é dar atenção ao que chamo de P&A
internacional, que é o que a Unifrance faz, por exemplo. Podemos auxiliar o
lançamento de obras brasileiras no mercado de salas de cinema estrangeiro,
utilizando mecanismos como o Prêmio Adicional de Renda, os Funcines ou o
próprio Fundo Setorial. Quem for lançar um filme brasileiro em Paris, em Hong
Kong, Londres ou Los Angeles poderia poderia obter financiamento para parte
dos investimentos em cópia ou advertising, potencializando o filme que
tem chance. Nós temos que ter uma carteira de filmes que tenham chance.
Qual o diferencial que
um filme realizado em co-produção com o Brasil tem no mercado internacional?
A verdade é que o Brasil não é muito conhecido
lá fora. Isso é um dado pequeno, mas que tem um grande impacto na cultura.
Atualmente, o Brasil começa a criar uma imagem internacional que vai ajudar o
cinema. A gente tem que aproveitar esta boa onda do cinema brasileiro lá fora,
mostrando a competência dos nossos artistas, mostrando nosso esforço. E temos
que viajar, dar continuidade. É muito importante mostrar o que está
acontecendo para quem está do lado de fora. E nosso trabalho é garantir que vai
ter sempre lá um cara de terno e gravata do lado dos produtores dizendo que há
interesse na internacionalização do cinema brasileiro. De forma que, quando
pintar uma possibilidade de co-produção com o Brasil, não haja aquela desconfiança.
DEPOIMENTOS
BIRDWATCHERS
Fabiano Gullane, produtor
“Birdwatchers é um mergulho profundo na questão
indígena, na questão das minorias, com um diretor que tem um senso político
muito forte. Esse projeto era para ser aqui no Brasil mesmo ou não faria
sentido, não existiria. A Itália é produtora majoritária (80%) e o Brasil,
minoritário (20%). O filme foi feito sob as regras do tratado de co-produção
Brasil-Itália. Foi difícil financiar aqui e lá, mas depois de dois anos de
trabalho, conseguimos. 100% das filmagens foram realizadas aqui no Brasil. Da
equipe, só o diretor e dois atores vieram da Itália. Foi um ótimo negócio para
a indústria brasileira. O filme é quase todo em português, com algumas poucas
falas em guarani”.
PLASTIC CITY
Fabiano Gullane,
produtor
“Plastic City é dirigido por Yu Lik-wai,
que veio ao Brasil e se encantou com as comunidades de migrantes orientais que
vivem em São Paulo. Ele ficou muito seduzido a contar uma história dentro dessa
comunidade. O roteiro foi feito a quatro mãos com o Fernando Bonassi. Trabalhar
o fuso de São Paulo com o fuso de Hong Kong é coisa de maluco. Foi uma grande
dificuldade. Não existe tratado de co-produção Brasil-China, então, o produtor
brasileiro teria que ter 40% do filme para que ele fosse considerado produto
brasileiro, de modo que o projeto foi estruturado em cima disso. A Gullane tem
60% do projeto e a co-produtora chinesa (Xstream), 40%. Foi um grande
aprendizado dos brasileiros com chineses e vice-versa. Foi uma escola muito
grande. Veio o diretor, toda a equipe de fotografia, que faz os filmes do Wong
Kar-wai, e o resto foi feito com profissionais brasileiros (arte, figurino,
som). No elenco, tivemos um mix: três protagonistas internacionais e dois
brasileiros. Do lado brasileiro, Milhem Cortaz, Alexandre Borges, Antonio Petrim
e Tainá Müller. Ele é falado 60% em português, 30% em chinês e 10% em espanhol
e inglês”.
FEDERAL
Christian de Castro, produtor
“Da mesma forma que um filme é único em si,
todo o processo para a negociação de um filme é diferente dos outros. No caso
do Federal, a co-produção é com a empresa colombiana Trebol Comunicaciones,
feita no âmbito do acordo latino-americano de co-produção, no qual o filme
deveria ter membros colombianos na equipe técnica e no elenco. Os produtores e
diretor conversaram e chegaram ao nome da atriz colombiana Carolina Gómez para
interpretar a personagem principal, e indicaram alguns técnicos da Colômbia.
Com a produtora e distribuidora francesa EuropaCorp começamos uma co-produção
dentro do acordo Brasil-França. No entanto, a adequação do projeto às
exigências da autoridade cinematográfica francesa, o CNC, inviabilizou
financeiramente a idéia. Como a EC queria participar do filme, foi feita uma
pré-venda dos direitos de distribuição para alguns territórios internacionais.
O roteiro já previa um personagem americano, então foi natural que a decisão
da escolha do ator (Michael Madsen) fosse tomada em conjunto com o distribuidor
internacional”.
NO MEU LUGAR
Eduardo Valente, diretor
“Ainda não posso falar muito, já que a
experiência do meu filme com a co-produção de fato ainda não aconteceu. Vamos
mixá-lo em Portugal, e isso acontece agora em setembro. Sobre o possível
desempenho do filme em outros mercados, pelo fato de ser uma co-produção, no
nosso caso, afeta num sentido bem pontual: por conta do acordo, o filme tem
lançamento assegurado em Portugal. Mas também afetará porque, ao ser
co-produzido por empresa portuguesa, o filme passa a ser considerado também
europeu e isso ajuda em determinadas possíveis caminhadas do filme”.
|