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  Atlas reúne dados de cinema em 34 países




    Publicado em 9/6/2008 – Boletim Filme B 551

por Alice Gomes

A revista francesa Cahiers du Cinéma lançou pelo sexto ano consecutivo, no último Festival de Cannes, uma edição especial dedicada ao estado do cinema no mundo. O Atlas 2008 traz uma análise dos resultados do cinema em 34 países no ano de 2007, além de uma reportagem especial sobre a importância crescente dos festivais internacionais para a circulação dos filmes de arte.

Na comparação do panorama geral apresentado pelo Atlas 2008 com a edição anterior, podemos acompanhar onde houve crescimento ou queda. Hong Kong aparece como o território que mais cresceu, com 15% de alta em público, depois de amargar anos de declínio. Segundo o texto, esse aumento veio principalmente graças à expansão do setor da exibição, com investimentos em complexos modernos, equipados com salas 3D e até mesmo com poltronas vibratórias. Por outro lado, a produção nacional diminuiu e houve uma pequena baixa de market share, mesmo com o aquecido mercado de co-produção com a China.

A revista não apresenta dados fechados do potente mercado da Índia, mas o texto afirma que 2007 entrou para a história como o ano em que Hollywood começou a co-produzir com a gigante Bollywood, o que gerou um aumento de market share da produção americana de 5% para 8%, com 361 filmes americanos em cartaz. Nenhum dos filmes americanos, porém, chegou ao top 20. O texto ressalta ainda que a economia do país cresceu 8,7%, e o mercado cinematográfico, 12%.

A China também aparece sem dados concretos, mas o texto afirma que o mercado no país dobra de tamanho a cada três anos. Em 2007, houve um crescimento de 26% em renda e foram construídos mais 492 cinemas modernos. Mas o governo continua mantendo um rígido controle sobre a atividade, com a censura e a reserva de mercado. Os filmes estrangeiros têm entrada controlada e as datas de lançamento nobres, como feriados, são reservadas para filmes locais, que tiveram 54% de market share.

A Rússia também foi um dos países com maior alta, com a vantagem de que o mercado cresceu como um todo – tanto para a produção local, que emplaca sucessos com razoável freqüência, quanto na exibição e distribuição de produtos internacionais. O texto diz ainda que a Rússia começa a expandir seus sucessos para os países vizinhos da antiga União Soviética, onde os filmes russos estão chegando cada vez mais fortes.

Exibição entrou em crise na Espanha

Entre os países com queda, destaque para a Alemanha, que amargou uma baixa de 8,2%, graças, principalmente, ao fraco desempenho dos filmes locais. Em 2007, nenhuma produção alemã conquistou público ou crítica. No entanto, os primeiros dados de 2008 mostram que o cinema alemão cresceu mais de 100% no primeiro trimestre.

A Espanha também registrou queda de público, de 3,8%, com cinco milhões de espectadores a menos, além de uma crise no setor da exibição. Ao longo do ano, 47 cinemas fecharam suas portas. Uma nova legislação voltada para o setor prevê uma cota para filmes europeus a o aumento da participação das TVs na produção de filmes espanhóis, o que provocou turbulência e uma forte reação dos grupos de exibição.

Na França, a queda de 5,4% pareceu preocupar menos o mercado do que a queda de market share e a crise do cinema autoral, que vem mobilizando produtores e distribuidores independentes. Em 2007, 228 filmes franceses foram realizados, mas os custos de produção se elevaram e os pequenos filmes enfrentaram dificuldades de produção e distribuição. Na exibição, os maiores grupos criaram novas estratégias para fidelizar o público e criticaram o sistema de subsídio do governo para os pequenos exibidores de arte.

México teve crescimento de 5,4%

Da América Latina, os únicos mercados analisados são Brasil, México e Argentina. O México teve um crescimento de 5,4%, e o texto destaca mudanças na legislação que criaram uma lei de isenção fiscal nos moldes da Lei do Audiovisual, permitindo um desconto de 10% do imposto de renda de empresas privadas. Em um ano de aplicação da nova lei, o governo já investiu mais do que em seis anos da lei antiga.

A Argentina aparece como tendo tido um ano catastrófico. Apesar de a queda do mercado ter sido pequena, o market share do filme local caiu para 9% e nenhum filme nacional gerou grandes debates de crítica ou sucesso de público.

Além dos artigos de cada país, o Atlas 2008 traz também uma reportagem especial sobre os festivais no mundo, analisando os diversos papéis que esses eventos têm desempenhado hoje em dia: político, educativo, estético, mercadológico e promocional, tanto local quanto mundialmente. Atualmente, os festivais desempenham um papel decisivo para toda a indústria cinematográfica, recebendo filmes em todos os estágios de produção, desde a concepção, financiamento e venda, até a exibição e mostras de clássicos restaurados. Cada vez mais os festivais investem nos mercados, que ganham peso e escopo, chegando a competir com a programação oficial em importância.


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