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Mudanças no modelo de financiamento do cinema brasileiro
buscam um novo ciclo de desenvolvimento para o setor
O ano de 2009 será marcante
para o cinema brasileiro. Com
um forte conjunto de títulos
chegando às salas, incluindo o campeão
absoluto de público das últimas décadas
– a comédia Se eu fosse você 2 –, os filmes
nacionais tiveram um excelente primeiro
semestre, atingindo números que
remontam aos resultados excepcionais
de 2003 e 2004. Ao contrário daqueles
anos, porém, quando um encontro feliz
de boas safras brasileiras e internacionais
resultou em recordes de bilheteria,
existe agora uma preocupação real em
sustentar os bons resultados e construir
um novo ciclo de desenvolvimento para
o mercado de cinema.
Este ano também marca o início das
operações do Fundo Setorial do Audiovisual
(FSA), instrumento que promete
instaurar uma verdadeira mudança de
paradigma no setor. Excessivamente dependente
de recursos de renúncia fiscal,
por meio de leis de incentivo como a Lei
do Audiovisual – modelo que viabilizou
o ciclo da retomada –, a produção de
filmes começou a esbarrar nas limitações
desse sistema: dependência de editais
públicos, atraso nos calendários de produção,
etc. A entrada em cena do FSA,
aliada a iniciativas recentes de injeção de
recursos no setor como os Funcines e
o programa Procult, do BNDES, marca
o compromisso do governo com a elaboração
de uma política setorial para o
desenvolvimento do audiovisual.
A principal novidade do FSA e dos novos
mecanismos de financiamento é o estímulo
ao risco. Pela primeira vez desde a
extinção da Embrafilme, o Estado passa
a trabalhar com um sistema que privilegia
o desempenho comercial, agindo
como sócio, investindo recursos reembolsáveis
e participando dos direitos de
comercialização das obras. No lugar das
muito discutidas comissões de editais,
entra em cena um sistema de seleção de
projetos que passa a avaliar o resultado
pregresso das empresas e o potencial de
mercado dos projetos.
“É como sair do colégio e ir para a faculdade”,
define a produtora Vânia Catani,
da Bananeira Filmes – uma das contempladas
pelas primeiras chamadas públicas
do FSA. “Estamos entrando em um
novo estágio do processo, um momento
de maturidade. Todos nós que atuamos
como produtores durante a retomada
tivemos que ser convertidos em empresários,
de modo que essa nova equação
de equilíbrio é o desafio”.
“Precisamos criar uma equação sustentável,
que articule o poder público e o
capital privado para diminuir o peso do
modelo de fomento não-reembolsável”,
afirma Manoel Rangel, diretor-presidente
da Ancine e um dos principais responsáveis
pela criação do FSA. Rangel,
em entrevista à Revista Filme B, afasta a
ideia de que o fundo tem por objetivo
substituir o antigo modelo de fomento
à produção: “o modelo caminha para
a especialização de mecanismos, cada
qual com suas características e objetivos”.
Mas ele destaca também que “uma
das metas da agência é fortalecer o peso
do investimento privado na economia
do audiovisual nacional, através de boas
práticas regulatórias”, incluindo o fomento
não apenas à oferta de produtos, mas
à demanda.
Veja, a seguir, a íntegra da entrevista
com o diretor-presidente da Ancine e
uma relação dos atuais mecanismos de
financiamento disponíveis para o cinema
brasileiro.
Entrevista
MANOEL RANGEL
Na entrevista a seguir, o diretorpresidente
da Ancine explica
os motivos que levaram o
governo a criar o Fundo Setorial
do Audiovisual e o Funcine,
procurando estimular o peso
do investimento privado na
economia audiovisual e permitir
um melhor planejamento do setor
FILME B - O que leva à chamada
mudança de paradigma na produção
de cinema no Brasil? Isso é uma
demanda do próprio setor? E como
você avalia o impacto dessa mudança
no ambiente de produção?
MANOEL RANGEL - Historicamente, o
setor sempre colocou para si um desafio
e uma aspiração, que é a conquista do
mercado. Essa foi a divisa que orientou
a atuação dos nossos produtores
e diretores desde o I Congresso
de Cinema Brasileiro, na década de
1950. O momento da fundação do
cinema brasileiro enquanto pensamento
e política colocou como divisa
a ideia de que esse mercado pertence ao
nosso cinema e que ocupar o mercado
era um objetivo de dupla importância.
Por um lado, realizar o ciclo econômico
da obra plenamente; por outro, fazer
com que esse fosse o veículo
com o qual falássemos com
milhões de brasileiros, ou seja,
a percepção de que nós realizamos
plenamente o processo
de encontro dos nossos filmes
e obras com o país. Essa ideia
foi retomada em 2000, durante
o 3º Congresso Brasileiro de
Cinema, que designou objetivos
mais amplos para o setor,
repondo questões históricas e
lembrando a importância de
haver um órgão regulando e
fiscalizando o mercado. Esse
é o impulso criador da Ancine.
O Congresso também estabeleceu
um conjunto de desafios
que vai nortear o desenvolvimento
da política pública nos
anos seguintes. A Secretaria
do Audiovisual e a Agência
Nacional do Cinema, desde
2003, atuam na perspectiva
de diversificação dessa política.
Isso significa manter um foco importante
na produção, mas também alargar o
próprio conceito de produção, lidando
com a necessidade de se realizar obras
para a televisão, por exemplo. Além disso,
percebeu-se a importância de haver uma política voltada para a distribuição,
de fortalecer distribuidoras brasileiras independentes
e de formar um pacto virtuoso
entre as distribuidoras e o ciclo de
produção de cinema no Brasil. Percebeuse
a importância de se trabalhar a questão
do acesso ao cinema e de ampliar
a circulação dessas obras. Percebeu-se
ainda a necessidade de incentivar a interação
entre a produção independente e
os distribuidores, as televisões abertas e
a televisão por assinatura. Nesse
contexto, é natural também que
ocorram mudanças no território
da produção.
Quais seriam essas mudanças?
A principal delas é que uma política
sustentável de ocupação do mercado
exige uma alteração nos pressupostos
de financiamento. Se o que foi
praticado no início dos anos 1990 até
o presente momento foi investimento a
fundo perdido, esse foi provavelmente
o único período da história brasileira em
que se trabalhou sob essa perspectiva.
Todo o ciclo da Embrafilme, ao longo
dos anos 1970 e 1980, é um ciclo de
investimento em troca de participação
da coprodutora, a própria Embrafilme,
e da distribuidora da Embrafilme.
O “fundo perdido” é, portanto, uma
ocorrência dos anos 1990, período do
desmonte das políticas públicas relacionadas
à cultura. A política que se criou
foi uma resposta a um tempo que se
modificou – teve e tem seus efeitos positivos,
mas também seus danos colaterais.
Nós não estamos substituindo essa
política, estamos desenvolvendo ao
lado dela uma outra, que diversifica o
foco da produção, modifica as bases de
relacionamento do Estado, persegue o
maior investimento privado, um maior
compromisso dos produtores com os
resultados econômicos e estéticos, e
que estimula os empreendedores a
correr riscos. Quando nos referimos a
resultados, não estamos dizendo que
eles são medidos apenas pela quantidade
de espectadores que um determinado
filme obteve nas salas de cinema,
mas também pelas vendas para a televisão
e para a TV por assinatura, pelo número
de unidades de DVD vendidas e
locadas e pela quantidade de mercados
internacionais a que essa obra chegou e
conseguiu ser comercializada.
O Fundo Setorial chega num momento
em que a produção nacional
volta a ocupar o mercado com
força. Mas a sensação é a de que o
setor ainda tem dificuldades para
planejar essa ocupação. No seu
entendimento, em que estágio de
maturação o Fundo encontra o ambiente
da produção nacional?
O Fundo chega num momento de transição.
Estamos entrando, em 2009, no
que parece ser um ciclo sustentável de
ocupação do mercado pelo filme brasileiro.
Obtivemos um bom desempenho
de público ao longo do primeiro semestre
e o segundo semestre anuncia uma
continuidade desse processo. E já sabemos
de antemão que a safra de filmes
para 2010 nos permitirá trabalhar com a
perspectiva de sustentabilidade dos índices
de ocupação que estamos atingindo
este ano, não por geração espontânea,
mas por planejamento realizado por um
conjunto de empresas privadas. Isso é
decorrência de um investimento contínuo
em produção. Além disso, houve
um esforço para trazer mais gente para
o jogo. Trouxemos as distribuidoras brasileiras,
que atuavam timidamente e que
agora chegaram para valer, a ponto da
Europa Filmes ter bancado algumas operações
de investimento com recursos
próprios, que foram A grande família e
Casseta e Planeta. A ponto também da
Imagem Filmes bancar um investimento
com recursos próprios em Os normais
2. Surgiu uma distribuidora que trabalha
apenas com filmes brasileiros, a Downtown.
E a Riofilme foi revitalizada e sinaliza
como um forte agente do mercado.
Todas as outras pequenas distribuidoras
brasileiras independentes com força no
mercado de vídeo despertaram para
isso. Também não é geração espontânea,
mas fruto de uma política de fortalecimento
das distribuidoras brasileiras
através do Prêmio Adicional de Renda,
dos Funcines, dos editais da Petrobras
focados em distribuidoras. E do próprio
Fundo Setorial, que oferece um capital
que permite a essas empresas realizar
o ciclo econômico de que se ocupam,
similar ao capital que o Estado brasileiro
oferece às companhias internacionais, as
majors, para que elas também realizem
um ciclo com o cinema brasileiro. Podemos
não ter a mesma capacidade de planejamento
de longo prazo que as majors
têm para o mercado internacional, mas
temos uma capacidade de planejamento
para dois ou três anos que é uma novidade
para os padrões brasileiros. Planejamento
de longo prazo não é marca
do modo brasileiro de operar os seus
negócios, mas recentemente começa a
haver uma mudança de cultura. O Estado
contribui dando estabilidade aos
instrumentos que ele põe em operação,
inovando, criando um ambiente que os
nossos produtores percebem e com o
qual procuram se relacionar da maneira
mais profissional. Eles diversificam o tipo
de obras em que estão empenhados,
procuram trabalhar mais filmes simultaneamente, e colocam aí um vetor importante
de comunicação de ocupação
do mercado interno, do mercado internacional
e de todos os segmentos.
A política de cinema no Brasil sempre
dependeu dessa relação entre
o Estado e o cineasta. Durante o
período da retomada, o setor viu
crescer a importância da figura do
cineasta-produtor, que trabalhava
seus projetos individuais. Você acha
que a figura do produtor começa
agora a se fortalecer?
O produtor-autor deve seguir e existir,
é um dado histórico e um traço
importante de vitalidade e diversidade
do cinema brasileiro. O dado novo é
o surgimento de casas de produção
que trabalham com diretores diversificados,
muitas vezes contratados, não
propriamente sócios da empresa, não
propriamente autorais, embora sempre
criativos. Existe hoje no Brasil um conjunto
de empresas que está produzindo
cinema, obras para televisão e
outras plataformas, operando
em termos profissionais e que
entendeu as transformações,
o novo cenário tecnológico, o
novo cenário do financiamento,
e está mais disposto a correr
riscos. Esse cenário tem a virtude
de ocorrer no momento em que as
bases do mercado estão melhores e no
momento em que a Ancine e o governo
colocam como foco a expansão do
mercado interno brasileiro, a ampliação
do parque exibidor e dos mercados de
DVD, TV por assinatura e TV aberta.
Qual o presente e o futuro dos Funcines?
Os Funcines começaram muito recentemente
e representam uma medida muito
inovadora para o nosso terreno. Foram
implementados antes que essas mudanças
estivessem plenamente assimiladas,
viveram as resistências necessárias e
também ajudaram a removê-las e a mudar
a cultura. Temos hoje dois Funcines
em operação e outros mais pleiteando
operação. Temos investimentos sendo
feitos nesses Funcines, que deram outro
potencial para as distribuidoras brasileiras
operarem – o melhor exemplo é o da
Lacan-Downtown. Os Funcines apostaram
em produções diversas e trouxeram
outros agentes para esse negócio do audiovisual,
como corretoras, bancos, empresas
que de outra forma não estariam
investindo. Portanto, acredito que os
Funcines cumprem, ao lado do FSA, um
papel importante na construção desse
novo paradigma.
E quais são as perspectivas para os
Funcines, digamos, daqui a cinco
anos?
Acho que teremos mais Funcines e mais
diversificados, que atuem na exibição,
na distribuição, na animação, com foco
na produção de obras para a televisão.
Acho que vamos começar a observar investimentos
de Funcines em empresas.
Acredito que a combinação dos instrumentos
regulatórios com os investimentos
e o forte compromisso do BNDES
com a alavancagem desse segmento
permitirão que tenhamos em perspectiva
um amadurecimento dos fundos.
Toda a política do setor, já há muitas
décadas, é desenvolvida visando
um horizonte de autossustentabilidade.
Na possibilidade do setor
cumprir esse seu objetivo, realizando
plenamente suas ambições, qual
seria o papel do Estado?
Considerando que a única coisa que
o audiovisual brasileiro tem ao seu alcance
é o mercado nacional e pequena
parcela do mercado internacional,
minha percepção é a de que o Estado
manterá uma atuação nesse setor durante
um longo tempo, uma atuação de
investidor, financiador, viabilizador da atividade privada. Acho que isso é absolutamente
indispensável para que o país
mantenha uma forte indústria de cinema
e audiovisual. E acho que aquilo que o
Brasil aspira a ser no cenário das nações
não se realiza se o Brasil não for um
forte produtor da sua própria imagem.
Se o país não conseguir ser exportador
da sua própria imagem, ser autônomo
nesse território, não há projeto
de grande nação que se realize.
Sem deter estruturas internacionais
de distribuição, a presença
do Estado como alguém que cria
as condições para que a atividade
privada se desenvolva vai ser de
longa duração. Mas também percebo
que é possível que, num processo de
dinamização da economia brasileira,
surjam empreendedores privados dispostos
a tomar a peito a tarefa de viabilizar
essa indústria. Num cenário como
esse, o Estado fará um movimento de
pêndulo. À medida que o privado assuma
mais responsabilidades, o Estado
vai se concentrar mais nos gargalos de
infraestrutura, nos entraves ao funcionamento
do mercado, atuando mais
como regulador e investidor do que
como fomentador ou apoiador. Mas
vejo isso como algo a ocorrer com o
tempo, pois ainda estamos nos passos
muito iniciais de formação de um pensamento
e de uma estratégia de longo
prazo.
CAMINHOS DA PRODUÇÃO Principais mecanismos de financiamento ao cinema no Brasil
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Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)
Fundo público voltado para o financiamento de programas e projetos da indústria
audiovisual brasileira. Criado em 2006 pela Lei nº 11.437, está alocado no
Fundo Nacional de Cultura e conta com recursos da Condecine (Contribuição
para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) e dotação
anual do Governo Federal. Suas diretrizes são definidas por um Comitê Gestor
composto por dois representantes do Ministério da Cultura, um da Ancine, um
representante da instituição financeira credenciada e dois representantes do
setor audiovisual. Cabe ao comitê definir a alocação dos recursos, as áreas prioritárias
de atuação, e o plano anual de investimentos. Em dezembro de 2007,
a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) se credenciou como a instituição
responsável pela administração dos recursos. O Fundo pode atuar em todos os
setores da indústria por meio de financiamento direto, empréstimos, equalização
de taxas de juros, participação em projetos de pesquisa e infra-estrutura, e
aquisição de capital de empresas brasileiras.
O FSA começou a operar em 2009 por meio de editais públicos (que serão
lançados semestralmente) em quatro linhas de ação:
• Linha A: Produção de longas-metragens para cinema;
• Linha B: Produção de obras audiovisuais para a TV;
• Linha C: Aquisição de direitos de distribuição de longas-metragens;
• Linha D: Comercialização de longas-metragens para cinema.
Total de investimentos em 2009: R$ 74 milhões
Mais informações: www.ancine.gov.br
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Funcines
Fundos de participação voltados para o setor audiovisual.
Podem investir em todos os elos da cadeia
produtiva, incluindo produção, comercialização e
distribuição de filmes brasileiros; construção e reforma
de salas; projetos de infraestrutura e aquisição de
ações de empresas do setor. Os Funcines garantem
aos investidores a possibilidade de dedução fiscal de
100% do valor investido até o limite de 3% (pessoa
jurídica) ou 6% (física) do imposto de renda a pagar.
Além do benefício, os investidores têm a possibilidade
de recuperar o valor investido no fim do prazo
de duração do fundo, com possibilidade de rentabilidade
sobre este valor. Os administradores dos
fundos devem ser instituições financeiras registradas
na CVM.
• Funcine RB Cinema I – dedicado à produção e à
distribuição de filmes nacionais. Patrimônio líquido
em 2009: R$ 18,9 milhões.
• Funcine Lacan-Downtown – dedicado a longasmetragens
distribuídos pela Downtown Filmes.
Patrimônio em líquido em 2009: R$ 15,4 milhões.
Mais informações: www.ancine.gov.br
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Riofilme
A empresa de distribuição da prefeitura do Rio de Janeiro
desempenhou um papel fundamental no começo da
chamada “retomada”. Nos últimos anos, porém, perdeu
força e teve sua capacidade de investimento extremamente
reduzida. No começo deste ano, o ex-diretor da
Ancine Sérgio Sá Leitão assumiu a presidência da Riofilme
e, em agosto passado, anunciou um plano de reestruturação
e de retomada dos investimentos que, até 2012,
podem significar uma injeção de R$ 79,1 milhões no setor
audiovisual. Já em 2009 haverá um investimento de R$
6,9 milhões. Outro plano é a criação de um Funcine, que
deve ser aprovado até o fim de novembro e já tem participações
confirmadas dos seguintes agentes: prefeitura,
InvestRio, Secretaria Estadual de Cultura, Firjan e BNDES.
O capital será de R$ 15 milhões e o fundo deverá investir
60% de seus recursos na produção e comercialização de
filmes e 40% em exibição, com foco em áreas de baixa
oferta de salas.
Total de investimentos em 2009: R$ 6,9 milhões
Mais informações: www.rio.rj.gov.br/riofilme
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Procult
Programa de Apoio à Cadeia Produtiva do Audiovisual. A iniciativa,
lançada pelo BNDES em 2006, pretende estimular o desenvolvimento
da indústria audiovisual nacional por meio de investimentos nas áreas de
infraestrutura, produção, distribuição e exibição. O programa, que tem
orçamento de R$ 165 milhões, foi pioneiro ao oferecer empréstimos em
condições especiais à iniciativa privada, e não recursos a fundo perdido.
Valor investido até 2009: R$ 52 milhões, em 14 projetos.
Mais informações: www.bndes.gov.br
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Mecanismos de fomento direto da Ancine
Prêmio Adicional de Renda (PAR)
Estímulo baseado no desempenho de mercado das produtoras, distribuidoras
e exibidoras de filmes nacionais. Os prêmios, concedidos anualmente,
devem ser utilizados em novos projetos.
Valor investido em 2009: R$ 9,3 milhões
Prêmio Ancine de Qualidade (PAQ)
Mecanismo semelhante ao PAR, repassa recursos a filmes que conquistam
destaque em festivais de cinema no Brasil e no exterior.
Valor investido em 2009: R$ 700 mil
Mais informações: www.ancine.gov.br
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Editais nacionais
Programa Petrobras Cultural
São cinco áreas de seleção para o setor audiovisual:
produção de longas-metragens em 35mm; produção de
filmes para mídias digitais; produção de curtas 35mm; festivais
de cinema; e difusão de longas em salas de cinema.
Total de investimentos em 2009: R$ 26,6 milhões
Mais informações: www.petrobras.com.br
BNDES
Seleção pública de projetos cinematográficos voltada à
produção e à finalização de longas de ficção, documentários
e animações.
Total de investimentos em 2009: R$ 14 milhões
Mais informações: www.bndes.gov.br
Ministério da Cultura - SAv
A Secretaria do Audiovisual lança editais anuais destinados
à produção de curtas; ao desenvolvimento de roteiros
de longas-metragens, e ao apoio à produção de obras
cinematográficas de baixo orçamento (popularmente
conhecido como B.O.). O edital para filmes de baixo
orçamento apoiou cinco produções em 2009, com investimento
de R$ 1 milhão para cada contemplado.
Total de investimentos em 2009: R$ 7,5 milhões
Mais informações: www.cultura.gov.br
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Leis de incentivo
Lei do Audiovisual
A lei 8685 foi promulgada em 1993 e sofreu modificações em 1996, 2001 e
2002. Estabelece mecanismos de incentivo fiscal que visam estimular a produção
de filmes e projetos nas áreas de exibição, distribuição e infra-estrutura.
Artigo 1º - Permite que pessoas físicas ou jurídicas possam abater até 100%
dos recursos utilizados na compra de direitos de comercialização de filmes,
desde que esses valores não ultrapassem 3% do imposto de renda devido (no
caso de pessoa jurídica) ou 6% (pessoa física). O Artigo 1º tem validade até o
exercício fiscal de 2010.
Artigo 3º - Permite que as distribuidoras estrangeiras utilizem até 70% do imposto
de renda devido sobre a remessa de lucros para o exterior em projetos
de coprodução de filmes; coprodução de telefilmes e minisséries; e desenvolvimento
de projetos. As empresas que optam pela utilização do benefício
ficam isentas do pagamento da Condecine, incidente em 11% sobre o valor da
remessa para o exterior.
Artigo 1º-A - Mecanismo introduzido na Lei do Audiovisual em 2006, permite
utilização de recursos incentivados para a produção de filmes e telefilmes nos
moldes do incentivo previsto na Lei Rouanet (mecenato) cuja vigência expirou
em 2007. O Artigo 1º-A expira em 2016.
Artigo 3º-A - Permite que empresas de radiodifusão e programadoras nacionais
de televisão por assinatura utilizem até 70% do imposto devido sobre a remessa
de recursos ao exterior no desenvolvimento e na coprodução de obras
audiovisuais brasileiras.
Artigo 39 (MP 2228-1)
Permite às programadoras internacionais de TV por assinatura a aplicação de
até 3% do imposto sobre suas receitas na co-produção de obras nacionais. Tal
como ocorre no Artigo 3º da Lei do Audiovisual, quem opta por recolher o
benefício fica isento do pagamento de Condecine.
Mais informações: www.ancine.gov.br
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Editais regionais
Prefeitura de Paulínia (SP)
A prefeitura publica anualmente um edital voltado para a produção
de filmes e telefilmes. Os contemplados pelo edital devem
ter, no mínimo, 25% das filmagens no município.
Valor investido em 2009: R$ 8 milhões
Mais informações: www.pauliniamagiadocinema.com.br
Prêmio Santander Cultural/Prefeitura de Porto Alegre/
APTC (RS)
Concurso anual de projetos de longa. Em sua próxima
edição, que abre inscrições no dia 5 de outubro, quatro
projetos serão contemplados com R$ 50 mil cada.
Valor investido em 2009: R$ 200 mil
Mais informações: www.santandercultural.com.br
www.portoalegre.rs.gov.br
Secretaria de Cultura do Governo de São Paulo (SP)
Os editais contemplam produções de telefilmes, curtas e longas.
O investimento é misto, ou seja, parte vem de estatais e parte
de companhias parceiras da Secretaria de Cultura.
Valor investido em 2009: R$ 12 milhões
Mais informações: www.cultura.sp.gov.br
Filme em Minas – Programa de Estímulo ao Audiovisual (MG)
O programa da Secretaria de Cultura de Minas Gerais e da Cemig
apóia a produções de longas e curtas e o desenvolvimento de roteiros,
entre outras categorias. Concede, ainda, o prêmio Minas
Film Commission a produções não-locais.
Valor total do investimento (2009/2010): R$ 4,26 milhões
Mais informações: www.cultura.mg.gov.br
Secretaria de Cultura do Governo do Rio de Janeiro (RJ)
O governo do Rio lançou no fim de 2008 um edital que contemplou
a exibição (implantação de salas alternativas) e produção
(curtas, pilotos de séries de TV e desenvolvimento de longas).
Valor investido em 2009: R$ 2 milhões
Mais informações: www.cultura.rj.gov.br
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