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por
Fernando Verissimo
Contando com apenas quatro semanas cinematográficas (contra cinco semanas em 2008), agosto fechou com 5,4 milhões de ingressos vendidos e R$ 46,7 milhões em renda. No mês passado, pela segunda vez desde julho de 2009 (quando o mercado de cinema iniciou forte tendência de alta), os resultados de público e renda no Brasil apresentaram quedas significativas.
Na comparação dos números absolutos, esses valores representam quedas de 30,5% em público e de 26,6% em renda em relação a agosto do ano passado – mas, levando-se em consideração o fato de que agosto de 2009 teve uma semana cinematográfica a menos, calcula-se que a queda, de fato, tenha ficado entre 10% e 15%.
Market share do filme nacional no ano está em 16%
As quedas de agosto, porém, ainda não foram suficientes para abalar o crescimento do ano: os acumulados de 2009 seguem com altas significativas de 25% em público (que chegou a 77,8 milhões) e 30% em renda (R$ 664,2 milhões). A participação de mercado do filme nacional manteve o índice de julho, 16%, em parte graças ao lançamento da comédia Os normais 2, da Imagem Filmes, que estreou no dia 24 e, em duas semanas, atraiu 579 mil espectadores. O público dos filmes brasileiros registrou uma alta de 162% entre janeiro e agosto, enquanto o público dos filmes estrangeiros cresceu 13,7% ao longo de 2009.
Títulos pouco atraentes para o grande público e reflexos da gripe suína, que teve seu pico em agosto nas regiões Sul e Sudeste, são fatores que podem ter contribuído para o fraco desempenho do mercado no mês passado.
Múmia e Batman se destacaram no ano passado
Os filmes mais vistos no Brasil em agosto foram G.I.Joe – A origem de Cobra (Paramount), com 732 mil espectadores, e Força G (Disney), que vendeu 666 mil ingressos no período – boa parte deles para salas 3D. A título de comparação, no ano passado os dois títulos mais vistos foram A múmia – Tumba do imperador dragão e Batman – O cavaleiro das trevas, que, juntos, fizeram quase 3,5 milhões de espectadores somente em agosto.
Os resultados de agosto trouxeram a primeira reversão mais significativa da tendência de alta. Desde julho de 2009, quase todos os meses apresentaram alta, com a única exceção de fevereiro passado, que teve quedas de 4,7% em público e de 2,7% em renda. Contudo, além de terem sido quedas bem menores, o mês também contou com a desvantagem das quatro semanas cinematográficas contra as cinco semanas de fevereiro de 2008.
No mercado de cinema, os números de cada mês são calculados de acordo com a semana cinematográfica, que começa sempre numa sexta-feira, dia de mudança na programação, e termina na quinta-feira seguinte. Desse modo, um mês cinematográfico pode ter quatro semanas num determinado ano e cinco semanas num outro. Julho de 2009, por exemplo, terminou no dia 6 de agosto para os fins de fechamento dos números do mercado.

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