Mostra do Filme Livre cresce e chega a BH

Mostra do Filme Livre cresce e chega a BH

Thayz Guimarães
10 mar 15

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Divulgação

Quatorze anos depois de criada, a Mostra do Filme Livre (MFL) comemora nesta edição mais uma etapa de seu crescimento, com a chegada a Belo Horizonte. Originalmente sediada no Rio de Janeiro, a programação, desde 2011, também pode ser vista em São Paulo e Brasília. Desta vez, 209 filmes independentes, escolhidos entre um recorde de 1,4 mil inscritos (40% a mais que no ano anterior), poderão ser conferidos nas quatro cidades, a começar pelo CCBB carioca, nesta quarta-feira, dia 11 de março.

A mostra, que começou de forma quase romântica, em 2002, com os cineclubes e cinemas de rua ainda em alta, ganhou relevo e grandeza desde então. Até o seu encerramento, em Belo Horizonte, no dia 23 de junho, a MFL ocupará os cinemas do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) das quatro capitais, com mais de 240 sessões. De lá, os filmes ainda seguem para o circuito de cineclubes espalhados pelo país – em 2014 foram 25 cidades, com um público aproximado de 2,3 mil pessoas. Além da seleção feita pela curadoria, serão exibidos outros 51 títulos convidados, com sessões especiais e homenagens.

Para Marcelo Ykeda, um dos curadores da mostra, a expansão da tecnologia digital proporcionou um aumento considerável no número de filmes realizados nos últimos anos, mas ainda são poucos os locais de exibição que contemplem esse público. Por isso, na contramão do circuito comercial, “a MFL se propõe a ser um grande panorama da produção brasileira independente, mostrando que é possível fazer cinema sem grandes orçamentos, mas com criatividade”, afirmou, explicando que outro objetivo da mostra é também oferecer ao público a possibilidade de entrar em contato com produções diversificadas, que na maioria das vezes não têm vez no “circuitão”, e à margem do eixo RJ-SP.

Programação homenageia cineastas pouco lembrados

Além de trazer novidades, a mostra também traz nova luz para cineastas que estavam esquecidos e sem filmar há anos. “Foi o caso do pernambucano Fernando Spencer e do carioca Luiz Rosemberg Filho, que voltaram à atividade depois da MFL”, completou Guilherme Whitaker, fundador e responsável por selecionar os curtametragens do evento.

Um dos nomes mais importantes do cinema experimental brasileiro, Maurice Capovilla será o grande homenageado deste ano. Ele acaba de finalizar o documentário Nervos de aço, sobre Lupicínio Rodrigues, estrelado por Arrigo Barnabé. O filme, que deve ser lançado comercialmente ainda este ano, terá exibições-teste, com a presença do diretor, na MFL de Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. Em entrevista ao Filme B, Capô, como é chamado pelos amigos, afirma que o cinema brasileiro já viveu muitos altos e baixos e é sempre importante preservar os trabalhos de mais alto nível. “Nesse processo, a Mostra do Filme Livre é essencial, porque ela resgata filmes importantes do passado e revela os que estão sendo feitos hoje, pela nova geração, filmes estes que ainda não conseguem se expressar para o grande público, porque não entram em cartaz, o que é uma pena”.

Definir o que seja um “filme livre” não é tarefa das mais fáceis. Nem mesmo para os curadores da mostra. Mas se as palavras faltam (ou sobram) nessa hora, a percepção do que é apresentado na telona já basta. “Temos tentado definir o filme livre mais como um filme em busca de um novo processo do que um filme realizado dentro de uma estrutura pré-determinada nos padrões do que seria um filme experimental”, arrisca o produtor, diretor e curador audiovisual Chico Serra, que depois preferiu se apropriar da expressão utilizada pelo colega de curadoria Ricardo Mansur: “Um filme em busca de uma nova gramática”. Por outro lado, Gabriel Sanna, o último a entrar para a equipe da MFL, propõe uma definição mais direta: “Diz de coragem e comprometimento, ao mesmo tempo certo desprendimento, no sentido de assumir o risco do fracasso a que qualquer artista se submete quando bota a cara na janela da rua”. E filosofa: “O que vem no vento só o tempo diz”.

Ela volta na quinta, de André Novais Oliveira, está na seleção

A vasta programação promete oferecer opções para todos os gostos. Entre os destaques, Ela volta na quinta, de André Novais Oliveira, é um filme realizado em família, na fronteira entre ficção e documentário, e fala sobre as preocupações e sonhos de uma geração. Já Batguano, comédia dramática de Tavinho Teixeira, se passa num futuro sombrio, no qual os super-heróis Batman e Robin dividem um trailer e levam a vida como repentistas de punk-rock.  Exclusivamente no CCBB Rio, a MFL prestará homenagem também ao cineasta e documentarista Silvio Tendler.  A Mostra do Filme Livre conta ainda com sessões dedicadas ao público infantil (Mostrinha Livre), debates, oficinas e cursos. A entrada é franca.

Confira a programação completa no site: mostradofilmelivre.com.

SERVIÇO RIO DE JANEIRO

14ª Mostra do Filme Livre – MFL 2015

Local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (Cinema I, Cinema II e cabines)

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 - Centro

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Datas: 11 de março a 5 de abril

Ingressos: entrada franca

Lotação: 102 lugares (Cinema I), 50 lugares (Cinema II) e 6 cabines

Horários da Bilheteria: das 9h às 21h. (tel.: 3808-2052)