Filme de Ken Loach vence a Palma de Ouro

Filme de Ken Loach vence a Palma de Ouro

Thiago Stivaletti, de Cannes
22 mai 16

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Divulgação

I, Daniel Blake: vencedor da Palma de Ouro

O drama britânico I, Daniel Blake, de Ken Loach, venceu neste domingo, dia 22, a Palma de Ouro do Festival de Cannes. O filme conta a história de um operário doente que não consegue receber seu seguro-desemprego devido à imensa burocracia do sistema social no Reino Unido. No Brasil, o longa será lançado pela Imovison.

Esta foi a segunda Palma do diretor – a primeira foi por Ventos da liberdade, há exatos dez anos. Poucos diretores venceram a Palma de Ouro duas vezes: além de Loach, Francis Coppola, o austríaco Michael Haneke, os belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne e o sérvio Emir Kusturica.

Aclamado pela crítica internacional quando estreou no Festival de Cannes, o brasileiro Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, saiu sem nenhum prêmio da cerimônia de premiação neste domingo.

A filipina Jaclyn Jose, do drama Ma’Rosa, tirou as chances de Sonia Braga levar a Palma de melhor atriz por Aquarius. Jaclyn vive a mãe do título, uma mulher que vende drogas para sustentar os filhos e acaba indo presa.

O Grande Prêmio do Júri (segundo melhor filme da competição) foi para o canadense Xavier Dolan, 27 anos, com o drama Juste la fin du monde (Apenas o fim do mundo), sobre um rapaz que volta pra casa depois de muitos anos longe para anunciar à família que vai morrer em breve. O prêmio surpreendeu, depois que o filme recebeu muitas críticas negativas no festival. Menino prodígio criado por Cannes, com cinco de seus seis filmes exibidos no festival, ele já havia sido premiado há dois anos com Mommy

O prêmio de melhor diretor foi dividido entre o francês Olivier Assayas, pelo suspense Personal shopper, com Kristen Stewart, e pelo romeno Cristian Mungiu, por Graduation – o diretor já ganhou a Palma de Ouro por 4 meses, 3 semanas e 2 dias. Na cerimônia, Mungiu alertou para o pouco espaço dado ao cinema de autor no mundo hoje. 

O iraniano The salesman, de Asghar Farhadi – o mesmo de A separação, vencedor do Oscar –, que foi incluído por último na competição, levou dois prêmios: melhor roteiro e ator (Shahab Hosseini), pelo professor que precisa lidar com uma provável tentativa de estupro da mulher.

American honey, da britânica Andrea Arnold, sobre jovens americanos que vendem revistas viajando os EUA numa van enquanto levam uma vida selvagem de sexo e drogas, levou o Prêmio do Júri.

O Brasil levou apenas um prêmio, uma menção especial do júri (um segundo lugar) para o curta A moça que dançou com o diabo, de João Paulo Miranda Maria. A Palma de Ouro na categoria foi para um curta espanhol, Time code.

 

Confira a lista dos premiados:

 

Palma de Ouro

I, Daniel Blake, de Ken Loach (Reino Unido)

 

Grande Prêmio do Júri

Juste la fin du monde (Apenas o fim do mundo), de Xavier Dolan (Canadá/França)

 

Melhor diretor

Olivier Assayas, por Personal Shopper (França)

Cristian Mungiu, por Graduation (Romênia)

 

Melhor atriz

Jaclyn Jose, por Ma’ Rosa, de Brillante Mendoza (Filipinas)

 

Melhor ator

Shahab Hosseini, por The salesman, de Ashgar Farhadi (Irã)

 

Melhor roteiro

Asghar Farhadi, por The salesman (Irã)

 

Prêmio do Júri

American honey, de Andrea Arnold (Reino Unido/EUA)

 

Prêmio Caméra d’Or (melhor primeiro filme)

Divines, de Houda Benyamina (Afeganistão)

 

Melhor curta-metragem

Time code, de Juanjo Gimenez (Espanha)

 

Menção especial – curta-metragem

A moça que dançou com o diabo, de João Paulo Miranda Maria (Brasil)

 

Palma de Ouro de Honra

Jean-Pierre Léaud, ator dos filmes de François Truffaut como Os Incompreendidos