o contrário de suas vizinhas Suécia e Dinamarca, a Noruega não desenvolveu uma indústria cinematográfica no período do cinema mudo. O país produziu seu primeiro filme apenas em 1911, e somente a partir da década seguinte a produção nacional passou a chegar regularmente às telas. A década de 1930 constituiu a chamada "Idade de Ouro" do cinema norueguês, um período de crescimento para a indústria local, com um aumento da popularidade de seus filmes.
A Noruega adotou seu primeiro ato legislativo para o setor em 1913, como resultado de uma preocupação pública com a influência que o cinema poderia exercer sobre o público. O ato tinha dois objetivos principais: garantir uma monitoração adequada dos filmes exibidos no país e impor um controle estrito sobre a indústria em geral e sobre a distribuição de filmes em particular. O ato atribuiu aos municípios a responsabilidade de operar o circuito exibidor, criando um sistema único de salas municipais que praticamente eliminou as salas particulares do mercado. Este sistema permanece em voga até os dias de hoje, razão pela qual há uma grande polêmica: os defensores do sistema argumentam em nome da diversidade de programação, que só poderia ser mantida deste modo; do outro lado, os exibidores particulares reclamam da competição desigual imposta pelo sistema, exigindo a privatização das salas municipais e a instituição de um ambiente de livre competição.
A Noruega tem um sistema único de financiamento da atividade cinematográfica. Por se tratar de uma comunidade pequena que faz uso de um idioma próprio e exclusivo, o capital privado é limitado, assim como o potencial de obtenção de lucros. Desta forma, a indústria depende majoritariamente do suporte público.
Em 2001, o parlamento norueguês (Storting) promoveu uma grande reestruturação do papel do estado na atividade, definindo uma série de objetivos específicos relacionados ao suporte público da produção audiovisual. Desde então, o número de produções nacionais exibidas anualmente no país aumentou em mais de 100% (saltando de 8 em 2001 para 19 em 2003) e o público do filme nacional vem aumentando gradativamente (apesar de um mau desempenho registrado em 2002).
O sistema norueguês é constituído por três principais órgãos:
O Norwegian Film Fund (NFF) atua em diversas áreas e é o órgão responsável pela administração dos recursos destinados à produção e à promoção de filmes. A dotação orçamentária do NFF anual é de aproximadamente NOK 320 milhões, cerca de € 40 milhões. A quantidade de filmes apoiados por ano varia muito de acordo com os projetos apresentados.
São nove as categorias passíveis da concessão de financiamento direto: 1) desenvolvimento, produção e distribuição de longas-metragens por esquema de seleção executiva (Commissioning Executive Selective Scheme); 2) desenvolvimento, produção e distribuição de longas-metragens por esquema automático, com critério comercial (Commercial Criteria – Automatic Scheme); 3) produção de curtas-metragens; 4) produção e desenvolvimento de documentários; 5) produção de séries de TV; 6) co-produções minoritárias; 7) produção de programas de TV; 8) produção de séries de documentários para TV; e 9) desenvolvimento produções interativas.
Além destas categorias, o NFF trabalha também com suporte via adicional de renda, um prêmio automático proporcional ao desempenho dos filmes no mercado, e com suporte específico para lançamento, com verbas para cópias e marketing.
Os recursos destinados às produções de longa-metragem são concedidos por meio de empréstimos reembolsáveis, que podem chegar até o limite de 50% dos custos totais de produção, com um teto de NOK 7 milhões – algo em torno de € 800 mil. Co-produções com outros países, de participação norueguesa majoritária ou minoritária, também podem fazer uso dos subsídios.
O prêmio adicional de renda é concedido automaticamente para qualquer filme nacional lançado no país, podendo chegar a 55% da arrecadação. A porcentagem é calculada em relação ao investimento e ao risco do produtor, antes do lançamento. Os filmes voltados para o público infantil (até 11 anos, de acordo com a censura local) podem receber até 100% de bônus sobre a arrecadação.
O Norwegian Film Institute (NFI) é o órgão responsável pela preservação e restauração de filmes nacionais, distribuição e promoção de produções nacionais e estrangeiras de qualidade, e pela promoção das produções nacionais em outros países. A instituição funciona sob os auspícios do Ministério para Assuntos da Cultura e Igreja, seguindo objetivos gerais estabelecidos pelo Storting.
O Norwegian Film Development é responsável pelo desenvolvimento da indústria e pela qualificação profissional, contando com um orçamento anual de NOK 3,6 milhões (cerca de € 450 mil) aplicados em concursos para desenvolvimento de roteiros e suporte ao desenvolvimento de projetos de curta-metragem. Seus recursos são originários do orçamento total destinado ao NFF.
Há ainda outras instituições menores em funcionamento, tais como: o Audio and Video Fund, que promove a produção e a distribuição em video; os dois Centros Regionais (Norte e Oeste), companhias de administração pública responsáveis por seus próprios fundos para o desenvolvimento da produção regional (em especial curtas e documentários); e o Norwegian Film Comission, uma fundação autônoma cujo propósito é o de encorajar a produção de filmes estrangeiros na Noruega.