mercado de cinema na Nigéria é extremamente informal e teve uma grande explosão de produção nos últimos anos, que tem chamado a atenção mundial por suas características únicas, já que conta com 100% das produções realizadas em vídeo, e por seu tamanho, o que já lhe rendeu o apelido de Nollywood, pode ser considerada a terceira maior indústria de produção de cinema do mundo, atrás apenas de Hollywood e Bollywood. Em volume de produção, talvez seja até a maior, já que desde o final dos anos 90 são feitos mais de mil filmes por ano, todos filmados e distribuídos em vídeo.
Como já praticamente não existem mais salas de cinema na Nigéria, o mercado é exclusivamente de homevideo, com 90% da produção sem distribuição oficial, legalizada. Neste cenário é impossível falar com alguma precisão do tamanho desta indústria, onde estatísticas precisas são mais do que difíceis de se conseguir, elas simplesmente não existem. A única fonte oficial minimamente confiável é o National Censorship Board, responsável pela classificação indicativa, embora o órgão não dê conta do grande volume de produção, e de toda sua informalidade, com muitos filmes sendo “lançados” sem a indicação etária.
Assim como acontece com a produção de Bollywood, na Índia, a produção da Nigéria também é realizada em diferentes línguas. Cerca de 40% da produção é em pidgin-english, 35% em iorubá, 17,5% em hausa e os 7,5% restantes em outras línguas e dialetos locais.
Se por um lado as salas de cinema foram todas fechadas, por outro, o país conta com cerca de 15.000 videoclubes e locadoras, e em quase todo tipo de comércio pode-se encontrar filmes para vender ou alugar. Estima-se que cada filme venda cerca de 25 mil cópias, cada uma vendida a cerca de CFA 2.300 (USD 3,50), com a locação a CFA 200 (USD 0,30). No entanto, é impossível saber o número de locações de cada cópia e quantas pessoas assistem a cópia por cada locação. Logo, falar em número de espectadores é uma arte de estimativas e “chutes”.
Os preços das cópias e das locações são compatíveis com os preços do mercado pirata, justamente para poder competir de igual para igual, mas mesmo assim a pirataria também é um problema grave na Nigéria, país onde a grande maioria da população é de muito baixa renda, vivendo com apenas US$ 1,00 por dia.
Uma produção média de Nollywood é realizada em apenas 10 dias e custa aproximadamente US$ 15 mil. Os primeiros filmes de Nollywood eram todos filmados em vídeo analógico, VHS ou Beta, mas com o avanço e o barateamento da tecnologia digital atualmente todas as produções são feitas com câmeras digitais, principalmente no formato Mini-DV. Geralmente são os próprios produtores que se encarregam da distribuição das fitas e DVDs, garantindo um retorno financeiro fácil e rápido, com uma margem de lucro não muito ambiciosa, mas volume muito grande.
Com esse esquema de produção, em apenas 15 anos a indústria cresceu do zero para um mercado de cerca de US$ 250 milhões por ano que emprega milhares de pessoas. Estima-se que cerca de 300 diretores estejam em atividade, produzindo um total de aproximadamente dois mil filmes por ano.
Um mercado totalmente independente do governo, onde o financiamento às vezes é feito com empréstimos pessoais e informais, como de vizinhos, e que gira por si próprio, as fitas e DVDs têm anúncios de outros filmes na capa e às vezes até mesmo pequenos trailers de outras produções antes do filme começar.
O sucesso desta indústria reside principalmente no fato de a temática dos filmes ter um apelo direto com o público local, por tratar de preocupações, conflitos e realidades que freqüentam o noticiário e o imaginário da população local. Os temas mais freqüentes são a AIDS, corrupção, prostituição, religião e ocultismo. A produção nigeriana começa a conquistar espaço em outros paises da África, com seus atores fazendo sucesso de Gana à Zâmbia, e vai aos poucos ganhando prestígio internacional.
Breve histórico
O fenômeno da produção de Nollywood é comumente creditado ao início dos anos 90, quando a ausência total de salas de cinema e de incentivos e financiamentos paralisou completamente a produção cinematográfica nacional.
A partir daí, a produção televisiva se fortaleceu e as séries locais viraram um fenômeno de audiência, com os astros das séries ganhando prestígio de um star system nacional. Em 1992, no auge do sucesso, as principais séries pararam de ser produzidas por conflitos financeiros entre os produtores, os atores e os canais de televisão. As TVs, por sua parte, substituíram os programas por telenovelas mexicanas, deixando “desempregados” os produtores e atores nacionais que não tinham outro mercado que não a televisão. Foi então que o produtor Kenneth Nnebue reuniu alguns astros dos antigos programas e fez uma série em vídeo visando distribuição direta no mercado de homevideo, intitulada Living in Bondage. A recepção foi melhor que a imaginada e o sucesso de Living in Bondage foi imediato: estima-se que o primeiro filme da série tenha vendido cerca de 200 mil fitas VHS, sem contar com o comércio ilegal de cópias piratas.
Ainda em meados da década de 90, com a explosão digital, as produções do gênero se proliferaram em uma escala sem precedentes. A cada semana, cerca de 30 filmes são realizados e lançados nas locadoras, cineclubes e mercados da cidade, nos mais variados tipos de comércio.
Mas historicamente o fenômeno tem raízes um pouco mais antigas, datando da década de 80, quando a violência começou a afugentar o público dos cinemas e as pessoas preferiam ficar em casa. Com isso começou a força do então nascente mercado de vídeo cassete (VHS), que era um luxo acessível apenas para a elite local, que dispunha de aparelhos de vídeo e de fitas importadas ou pirateadas. Quem tinha um vídeo em casa passou a receber os amigos para ver filmes. Paralelamente essa mesma elite começou a contratar serviços de produção de filmagem de seus eventos pessoais - como casamentos, formaturas, aniversários e enterros - e esses filmes pessoais também passaram a ser exibidos para os amigos. Com isso a indústria de produção de vídeos “caseiros” cresceu e passou a diversificar, com filmagens também de peças teatrais. Daí para a produção de filmes com os atores e diretores das companhias de teatro.
Quando Living in Bondage foi lançado, em 1992, ele não foi o único, nem o primeiro, filme produzido em vídeo diretamente para a distribuição em homevideo da Nigéria, sendo apenas um expoente que conquistou um maior destaque, despertando a atenção para este mercado. Nascia assim Nollywood.
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Em outubro de 2006, o filme The Amazin Grace, de Jeta Amata, foi o primeiro filme nigeriano lançado no cinema desde 1979. Uma produção fora dos padrões de Nollywood, The Amazin Grace teve orçamento de US$ 400 mil, financiado por investidores privados, e se tornou o maior sucesso de bilheteria local, com cerca de 25 mil espectadores, ultrapassando o dobro da bilheteria de Sr. e Sra. Smith, o campeão até então. Com apenas quatro cinemas num país de cerca de 140 milhões de habitantes, o mercado cinematográfico de salas de cinema não é uma realidade muito atraente; estima-se que no mercado de homevideo, o filme de Amata tenha vendido cerca de um milhão de unidades.
A repercussão da produção nacional de vídeo tem chamado a atenção também do governo local e, nos últimos anos, surgiram ações como a criação de uma film commission nigeriana, uma escola de cinema, e a construção de um estúdio, o Tinapa Film Studio, que custou cerca de US$ 28 milhões e foi construído pelo governo da Nigéria em parceria com a companhia privada americana Dream Entertainment. O governo estuda também a criação de um fundo de US$ 40 milhões para a produção de filmes.
A estrutura institucional criada pela lei foi o Consejo Nacional del Cine (CONACINE), inicialmente um órgão dependente do Ministério da Educação. Seu estatuto foi alterado em 1996, transformando-o em uma instituição descentralizada de direito público, com personalidade júridica e gestão independentes, a cargo de uma diretoria mista constituída por representantes do poder público e dos setores privados relacionados com a atividade audiovisual. A finalidade principal do Conselho é a de impulsionar as atividades cinematográficas do país, através de atividades de coordenação, assessoramento e provisão de fomentos diretos para o setor.