Japão produziu e ainda produz um dos cinemas mais ricos do mundo, tanto do ponto de vista comercial como artístico. Pelo menos três cineastas japoneses estão entre os mais importantes da história: Yasujiro Ozu (1903-1963), Kenji Mizoguchi (1898-1956) e Akira Kurosawa (1910-1998), nomes que influenciaram vários diretores contemporâneos.
A produção de cinema no Japão é fortemente baseada na iniciativa privada e está concentrada nas mãos de três grandes e tradicionais estúdios (Shochiku, Toho e Toei). A televisão também é uma importante parceira na produção de filmes para cinema, que muitas vezes são versões para a tela grande dos programas mais bem sucedidos da TV.
A animação e o filme de terror são dois gêneros particularmente populares do cinema japonês contemporâneo e, recentemente, começaram a obter repercussão internacional tanto nos grandes mercados como nos principais festivais. Em alguns casos, geraram remakes hollywoodianos.
A animação A viagem de Chihiro (Spirited Away), de Hayao Miyazaki, fez história ao se tornar o primeiro filme do gênero a ganhar o Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 2002. Foi também o primeiro filme japonês a ganhar o Oscar da categoria. Filmes de horror como Ringu, Ju-on: The Grudge e Dark Water quebraram recordes internos e foram amplamente vendidos para o cinema e o mercado de homevideo mundial. Esses três filmes também ganharam refilmagem nos Estados Unidos: O chamado, com direção de Gore Verbinski; O grito (The Grudge), que foi refilmado pelo próprio diretor japonês Takashi Shimizu, e Água Negra (Dark Water), o primeiro filme americano do diretor brasileiro Walter Salles.
No setor da exibição, o Japão chegou a ter 7,4 mil salas nos anos 60, número que começou a cair drasticamente com o aparecimento da TV e que atingiu seu pior estágio em 1993 (1,9 mil salas). A recuperação começou com a chegada do multiplex, nos anos 90. O país tem tradição de cinemas de arte porque, no auge da economia japonesa, várias empresas capitalizadas, em busca de prestígio, fizeram investimentos em salas sofisticadas. O grande número de salas foi um dos fatores que estimularam o também grande número de lançamentos anuais no Japão, que sempre variaram entre 500 e 600 títulos por ano, dos quais de 200 a 300 eram lançamentos nacionais. Em 2004, nada menos que 310 títulos japoneses chegaram ao circuito comercial.
O preço médio do ingresso no Japão está entre os mais altos do mundo: já foi de US$ 13, agora está em cerca de US$ 10.
Mesmo quando o mercado japonês entrou em choque, com a crise da economia asiática em meados dos anos 1990, o número de lançamentos de títulos nacionais manteve-se nos mesmos patamares. Hoje, o market share permanece alto, oscilando entre 30% e 40%.
O principal órgão japonês de apoio ao cinema é a UniJapan Film, organização sem fins lucrativos estabelecida em 1957 que é resultado de uma parceria entre a indústria audiovisual japonesa e o governo, através do Ministério de Relações Exteriores e do Ministério da Economia, Comércio e Indústria. A UniJapan cuida da difusão de filmes japoneses no exterior, organiza os estandes do Japão em eventos internacionais, oferece apoio para confecção de material publicitário para festivais e mercados, cobre custos de legendagem e viagem para festivais no exterior e ainda publica o anuário do cinema japonês. Também está entre as suas funções produzir estatísticas sobre o mercado de cinema no Japão e estabelecer um arquivo de filmes nacionais.