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Farabi Cinema Foundation
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No começo dos anos 90, os grandes festivais de cinema do mundo atentaram para a produção iraniana, dando repercussão mundial a um fenômeno que produziu alguns dos mais premiados cineastas contemporâneos (entre eles Abbas Kiarostami e Mohsen Makhmalbaf). Em pouco tempo, a “onda iraniana” pulou das telas dos festivais para os circuitos de arte de vários países do mundo.

O Irã é um país de longa tradição cinematográfica (o cinema chegou lá em 1896), mas sua produção nacional tomou corpo como indústria entre 1966 e 1976. Em 1972 foi criado o Festival de Teerã, que se tornou a principal caixa de ressonância nacional dos filmes iranianos. Mas o reconhecimento mundial de sua produção contemporânea só se tornou possível após a guerra Irã-Iraque, que terminou em 1988.

O cinema foi tomado pelo governo iraniano como um instrumento educativo. Em função disso, uma das organizações governamentais que mais impulsionaram a produção de filmes foi o Institute for Intelllectual Development of Children and Young Adults(Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos), que teve seu departamento de cinema criado em 1969. Esse fato, aliado à forte censura exercida pelo governo, ajuda a explicar o foco temático nas crianças e a preferência narrativa pelas histórias simples, centradas nas dificuldades do cotidiano do cidadão comum. Muitos dos principais cineastas iranianos começaram sua carreira no instituto ou fizeram filmes para a instituição, como Bahram Baizai e Abbas Kiarostami.

Em 1983, o governo criou a Farabi Cinema Foundation para cobrir todas as atividades relacionadas à indústria cinematográfica, como produção de filmes, empréstimos a juros baixos, fornecimento de material bruto, empréstimo de câmeras e equipamentos, pós-produção, publicação de estudos, patrocínio de festivais de cinema e promoção e divulgação do cinema iraniano no mundo.

A Farabi é a responsável pela venda de filmes iranianos no mundo inteiro e pela participação de produções nacionais em festivais e mercados internacionais, além de participar de co-produções internacionais. A Farabi é também a única importadora e distribuidora de filmes estrangeiros no Irã.

Desde a revolução islâmica de 1979, a população iraniana pulou de 37 milhões para 65 milhões de habitantes, o que fez o país possuir uma das maiores populações jovens do mundo. Muitos destes jovens nascidos depois da revolução já estão em idade ativa e o número de cineastas iranianos com menos de 30 anos é acima da média. Em 2002, um festival de curtas-metragens do país teve nada menos que 600 títulos inscritos.

As produções iranianas em geral obedecem a um padrão de baixo orçamento. Recentemente, muitos filmes têm sido realizados com tecnologia digital, o que facilita ainda mais a realização de filmes baratos por jovens cineastas.

Em 2002 foram produzidos 75 filmes no Irã. Como a distribuição do filme estrangeiro é controlada pelo governo e a importação de filmes norte-americanos é proibida, o market share do filme nacional é de cerca de 90%. O público total está em torno de oito milhões de espectadores.

As leis iranianas não permitem a importação de filmes de nenhuma nacionalidade. Entretanto, o governo concede permissões anualmente ao Farabi Cinema Foundation, com o objetivo de financiar produções locais com a arrecadação das bilheterias. Apesar de sua posição geográfica e das afinidades culturais, o Irã não importou nenhum filme árabe ou indiano nos últimos oito anos.

Embora uma média de apenas seis ou oito filmes de Hollywood sejam exibidos anualmente no Irã, praticamente todos os blockbusters podem ser encontrados em CD, DVD ou VHS. Uma boa parcela do público assiste aos filmes americanos em canais de TV via satélite, oficialmente proibidos.

O Irã tem poucas salas de exibição em relação à importância que o cinema tem no país e ao tamanho de seu mercado. São apenas 250 salas, a maioria delas em condições precárias. Estima-se que cerca de 40% destas salas deverão ser fechadas por falta de conservação e as restantes necessitam de reformas urgentes. Principalmente devido a esse baixo número de salas, nem todos os filmes produzidos conseguem ser lançados.

As salas de cinema urbanas são em geral dominadas por produções locais freqüentemente inspiradas por fórmulas de Hollywood, como filmes de ação, comédias românticas e melodramas.

O setor privado praticamente não investe em salas de cinema, cabendo ao Estado esta função. As empresas estrangeiras estão prontas para investir na construção de novas salas no país. Os primeiros multiplex internacionais já começaram a ser construídos em Teerã e em outras grandes cidades.  Segundo pesquisas, o Irã tem capacidade para absorver cerca de duas a três mil novas salas.

Nos últimos anos, estabeleceu-se um intenso debate político no Irã, que tem oscilado entre governos mais liberais e outros mais ortodoxos. Essa instabilidade vem afetando tanto o mercado interno de cinema como a repercussão internacional dos filmes. Desde o começo de 2003 estão acontecendo mudanças institucionais que tentam tirar o cinema iraniano da crise que se instituiu nos últimos anos. O governo liberou orçamento para empréstimos para compra de equipamentos e pretende atrair capital estrangeiro para a criação de uma cidade do cinema a 70 quilômetros da capital.



 




Cineastas de destaque

Abbas Kiarostami
Babak Payami
Bahman Ghobadi
Bahram Beyzai
Dariush Mehrjui
Jafar Panahi
Majid Majidi
Mohsen Makhmalbaf
Samira Makhmalbaf
Tahmineh Milani




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