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Principais órgãos oficiais

Motion Pictures Association of America (MPAA)
www.mpaa.org

American Film Institute
www.afi.com

Academy of Motion Pictures Arts and Ciences
www.oscars.org



H

egemônico nos Estados Unidos e no mundo, o cinema americano estabeleceu-se desde seu início como parte da cultura e do hábito dos cidadãos, sob a forma de um poderoso contador de histórias e fabricador de mitos. Fortaleceu-se graças a uma série de fatores históricos e obteve um sólido embasamento institucional e industrial que, junto com suas funções culturais, justificam sua enorme força atual.

Apesar de não dispor de nenhum órgão federal centralizador da regulação audiovisual, o setor sempre foi considerado pelo governo como uma atividade estratégica e prioritária. O principal pólo de produção está na Califórnia, onde ficam as sedes dos grandes estúdios que dominam a produção e a distribuição: Fox, Warner, Sony (Columbia), Disney, Universal, Paramount e DreamWorks. Do ponto de vista do desenvolvimento econômico, o cinema sempre recebeu investimentos de igual peso em seus três pilares básicos: produção, distribuição, e exibição. Do ponto de vista institucional, a atividade se auto-organizou em entidades representativas de grande influência, dentre as quais se destacam a Motion Pictures Association of America (MPAA), que junta os sete maiores estúdios e defende seus interesses econômicos e políticos interna e externamente, e a Academia de Artes e Ciências Cinematografias de Hollywood, que criou um dos prêmios de maior influência mundial, o Oscar.

Um dos indícios mais significativos da importância que o cinema ganhou nos Estados Unidos está na média de ingressos vendidos per capita no país. Em 2004, por exemplo, foram 5,7 bilhetes por habitante, somando um público total de 1,5 bilhão. Números comparáveis apenas aos do mercado da Índia, mas com uma diferença, que evidencia o abismo econômico entre os dois países: na Índia, o preço médio do ingresso é de centavos de dólar, enquanto nos Estados Unidos o p.m.i. está em US$ 6. Por isso, a economia do cinema norte-americano gerou, em 2003, uma renda de US$ 9,5 bilhões, enquanto o cinema na Índia ficou em US$ 642 milhões (uma quantia quatorze vezes menor).

Ao longo dos anos, o cinema americano se reinventou para não perder sua hegemonia. Internamente, sobreviveu à competição da televisão, a partir dos anos 60, e do homevideo, nos anos 90. Ao mesmo tempo em que os filmes se transformaram como espetáculo (com a era dos grandes blockbusters), foi estabelecido um novo formato de exibição, o multiplex, que otimizou investimentos e aumentou a lucratividade do cinema como produto. Pouco depois, com o DVD, criou-se uma nova e poderosa fonte de receita, já que os discos digitais passaram a oferecer o filme diretamente ao consumidor (sendo vendidos, mais do que alugados). O cinema independente, produzido fora do grande sistema, também ganhou espaço com o imenso sucesso de filmes de baixo orçamento, forçando uma reestruturação das próprias majors, que criaram novas divisões especializadas em filmes menores.

Mas a manutenção da hegemonia teve um preço caro. Fornecer grandes produções anuais gerou uma alta significativa dos custos de produção e dos investimentos em marketing. Conseqüentemente, o mercado interno passou a ser insuficiente para cobrir todos os custos da indústria. Em função disso, foi montada uma estratégia de investimento para que o cinema americano ampliasse sua arrecadação, e a principal medida dessa estratégia foi o investimento pesado na construção de salas do estilo multiplex, tanto interna quanto externamente.

Se externamente essa medida trouxe resultados efetivos, com o aumento da arrecadação em vários continentes (principalmente Europa, Ásia e América Latina), internamente criou-se um problema. Essa busca incessante pela expansão do mercado acabou gerando um excesso na oferta de salas, levando a uma crise do setor de exibição que explodiu no começo dos anos 2000. Com mais de 36 mil telas, a exibição nos Estados Unidos passou por um processo de enxugamento, com o fechamento de vários cinemas. Apenas recentemente a situação se estabilizou.

Se os filmes americanos detêm cerca de 95% de seu próprio mercado (uma percentagem que não se altera há anos), o mercado externo passou a representar 65% do faturamento total da indústria. A arrecadação interna, portanto, representa 35% da arrecadação total.

Segundo dados da MPAA, a soma dos gastos de produção e lançamento dos filmes das majors alcançou a média de US$ 102,9 milhões em 2003, um aumento de 15% em relação a 2002. O custo médio de produção foi de US$ 63,8 milhões, e os custos de marketing chegaram a US$ 39 milhões por filme, alta de 28% em relação ao ano anterior. A alta dos custos de produção, e principalmente de marketing, em 2003 assustou o mercado e desde de então estes valores já baixaram 6,5%. Ainda que referentes a investimentos domésticos, os números dão uma boa dimensão do vulto do cinema americano e uma amostra das dificuldades que outras cinematografias encontram para competir com ele, interna e externamente.

Além do desafio interno de controlar gastos em produção e marketing, o cinema norte-americano discute a ameaça da expansão da pirataria, que hoje é uma realidade mundial, e a revolução da tecnologia digital. A determinação e a escolha de novos padrões e os investimentos em tecnologia vão determinar o futuro do cinema, tanto em redução de custos como na conquista de novos públicos, e não só nos Estados Unidos, mas também no mundo.

Ainda que não exista uma legislação ou entidade federal centralizando o apoio ao cinema, vários estados possuem leis regionais. Cada estado tem seu próprio conjunto de taxas e isenções para estimular a produção local.

Nos últimos anos, no intuito de fugir dos altos custos de produção local, muitos produtores americanos estão optando por rodar seus filmes em outros países – como por exemplo Canadá, Inglaterra e Itália –, onde eles podem reduzir os custos de realização de um longa-metragem entre 7% e 15%. Este fenômeno ficou conhecido como runaway film production (“fuga da produção”). Para tentar trazer as produções de volta para os Estados Unidos, no dia 22 de outubro de 2004 o presidente George W. Bush assinou uma lei de isenção fiscal que vai permitir que produções audiovisuais “de qualidade”, com custos entre US$ 1 milhão e US$ 15 milhões, e que tenham no mínimo 75% do orçamento gastos dentro dos Estados Unidos, deduzam os gastos de impostos. O limite de gastos pode ir até US$ 20 milhões se a produção optar por trabalhar em uma área de baixa renda.  Essa nova lei foi comemorada pelos produtores independentes que, na prática, serão os mais beneficiados.



 




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