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Principais órgãos oficiais

Instituto de la Cinematografía y de las Artes Audiovisuales (ICAA)
www.mcu.es/cine/index.html



Q

uarto maior mercado da Europa, atrás da França, do Reino Unido e da Alemanha, a Espanha vive um momento de otimismo. Em 2005, o market share dos filmes espanhóis alcançou a marca de 16,7%, uma das mais altas dos últimos dez anos. Além de produzir alguns filmes de mercado que têm encontrado ressonância junto ao grande público, como o grande sucesso de 2003 Mortadelo e Salaminho (com mais de oito milhões de ingressos vendidos), a Espanha tem também cineastas de importância internacional: Pedro Almodóvar e, mais recentemente, Alejandro Amenabar.

O órgão estatal responsável pelo planejamento das políticas de apoio ao setor cinematográfico e à produção audiovisual é o Instituto de la Cinematografía y de las Artes Audiovisuales (ICAA), organismo autônomo ligado ao Ministério da Cultura. Em 2005, o ICAA teve um orçamento de € 40 milhões.

A legislação de apoio ao cinema foi reformulada recentemente, com a aprovação, em 2001, do novo Ato de Promoção da Indústria e do Setor Audiovisual. Essa nova lei estabeleceu uma cota de tela para filmes europeus nos cinemas, determinando que, anualmente, para cada três dias de exibição de um filme não-europeu, os cinemas exibam um dia de produções européias dubladas em espanhol ou em línguas consideradas co-oficiais de partes da Espanha, como basco, catalão e galego.

Há também uma cota de exibição de programas europeus para os canais de televisão, que ainda devem destinar 5% de seu faturamento anual para o financiamento de filmes (incluindo filmes para a TV), sendo que 60% deste valor devem ser destinados a filmes falados em espanhol ou em línguas co-oficiais do país. Em 2007 a nova lei de cinema aumentou para até 12% o valor que as TVs devem investir na produção local, mas este percentual varia de acordo com o canal e com o tipo de projetos que devem ser incentivados.

Novas regras para o apoio estatal ao cinema espanhol foram estabelecidas em 7 de agosto de 2003 por intermédio de uma nova lei que estabelece múltiplos subsídios, determina as regras para a sua aplicação e os procedimentos para a obtenção de certificados para filmes de nacionalidade espanhola.

Os subsídios são calculados a partir de uma série de fatores, como o orçamento do filme, o retorno financeiro do produtor executivo, os custos de negativo e cópias, despesas com publicidade e promoção (até o máximo de 30%), além de custos de dublagem e legendagem (se for o caso), entre outros. Há sempre a exigência de uma contrapartida do produtor, sendo que o apoio do Estado não pode representar mais do que 50% do custo total, com um teto de 300 mil euros. As principais formas de apoio são:

- Subsídios de amortização: dado ao produtor de um filme espanhol e calculado a partir do percentual de 15% da renda dos primeiros 12 meses de exibição do filme-referência;
- Para novos diretores, apoio de até 180 mil euros, dado a projetos de cineastas que não tenham realizado mais de dois longas;
- Para filmes de baixo orçamento, ou de caráter cultural, documentários e programas-piloto de séries de televisão.
- Para diminuir os riscos de um empréstimo;
- Para o desenvolvimento de roteiros;
- Para curtas-metragens;
- Para distribuição (até 50% do custo total de cópias e publicidade);
- Para a participação de filmes espanhóis em festivais internacionais;
- Para a organização e realização de festivais nacionais;
- Para a restauração de filmes;
- Para a renovação ou construção de salas de cinema e dos setores de infra-estrutura.

Em outubro de 2006, o governo passou um esboço de uma nova lei do cinema e deu partida a uma grande discussão sobre as mudanças propostas. Apesar de alguns protestos, a lei foi aprovada em junho de 2007. Entre as principais mudanças estão novas regras para a cota de tela (que passou a ser baseada em sessões e não mais em dias – filmes espanhóis ou da União Européia devem ser exibidos em 25% das sessões); novas taxas de comercialização para novas mídias, como telefonia móvel e internet, e para a licença de dublagem; e mudanças na relação de investimentos das TVs. Anteriormente, os canais de televisão já tinham que destinar 5% de seu faturamento anual para o financiamento de filmes; agora, este percentual poderá chegar até 12%, mas varia de acordo com a programação do canal.

Os distribuidores também protestaram contra a nova lei, pois ela impõe novas taxas de comercialização para novas mídias, como telefonia móvel e internet, e para a licença de dublagem. Os mais contentes com a mudança são os produtores, já que a lei visa justamente aumentar o orçamento disponível para a produção. A lei também instituiu um novo sistema de incentivos fiscais para atrair capital privado, que permite dedução de 18% de impostos.

A Espanha é atualmente o único país da União Européia a ter cota de tela de exibição.

Uma das iniciativas de sucesso do ICAA para alavancar a produção foi um aumento da verba destinada para o financiamento público através do Fondo de Protección, e um maior envolvimento com os canais de TV no financiamento de filmes. Em 2006, por exemplo, o orçamento do Fondo de Protección de la Industria Cinematografica foi de EUR 64 milhões.

Outro fator que contribuiu para o aquecimento do setor de produção foi o acordo do ICAA com o ICO (Instituição de Crédito Oficial). Assinado em 2005 e iniciado em 2006, o acordo tem como objetivo facilitar o acesso a empréstimos bancários para pequenos e médios empresários e produtores para financiar empreendimentos no setor da produção, exibição e distribuição. A aplicação foi melhor do que o esperado e os empréstimos a juros facilitados atingiram os EUR 40 milhões já em 2006.


 




Cineastas de destaque

Alejandro Amenabar
Alex de la Iglesia
Bigas Luna
Carlos Saura
Fernando Trueba
Javier Fesser
José Luis Guerín
Julio Medem
Pedro Almodóvar
Vicente Aranda



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