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Principais órgãos oficiais

Korean Film Comission (Kofic)
www.koreanfilm.or.kr



A

Coréia do Sul é considerada hoje um pólo de produção tanto do ponto de vista mercadológico como cultural. Nos últimos seis anos, o market share do filme nacional pulou de 21,3% para mais de 50%, uma das taxas mais altas do mundo. Paralelamente, o cinema coreano tem obtido destaque em festivais de prestígio e em mercados internacionais. No Festival de Cannes de 2004, por exemplo, duas produções coreanas participaram da competição oficial: Oldboy, de Park Chan-Wook (vencedor do Grande Prêmio do Júri), e The Woman is the Future of Man, de Hong Sang-Soo.

A principal fonte de financiamento de filmes de longa-metragem na Coréia do Sul está em fundos de financiamento privado. O estado dá suporte parcial ao cinema, equivalente a cerca de 20% do total dos recursos investidos pelos produtores, por intermédio da Korean Film Council (Kofic) e da Associação para o Financiamento e Promoção de Filmes. Os recursos vêm do Fundo para Promoção da Arte e Cultura Coreana, parcialmente sustentado por uma taxa sobre o preço do ingresso de cinema (em janeiro de 2004, a taxa foi extinta). O homevideo não é taxado, mas a televisão sim, porém a arrecadação da TV não é disponibilizada para o audiovisual.

A Kofic foi criada em 1999, substituindo o antigo órgão governamental voltado para o cinema, que era praticamente inoperante. A Kofic incentiva o cinema por meio de investimentos diretos, empréstimos com taxas de juros mais baixas e programas de investimento especiais concebidos para estimular produções independentes, animações e curtas. Ele também organiza concursos de roteiro, com prêmios em dinheiro, e que chegam a receber mais de 400 inscrições por ano.

A Coréia possui uma série de fundos privados – cerca de 20, em atividade desde 1999 – especializados na produção de filmes de mercado, principalmente de ação e de artes marciais. Esses fundos atraem recursos do capital especulativo (venture capital), da própria indústria cinematográfica, de investidores comuns e também de fundos públicos. A Kofic pode investir até 20% do total de um fundo para alimentar este mesmo fundo e incentivar a participação de um maior número de investidores. O estado só recupera seu investimento depois dos investidores privados. Esses fundos têm como princípio garantir uma quantidade mínima de investidores de forma a amortecer o risco e possibilitar também a diversificação dos investimentos. Como a Coréia é um dos países com mais forte penetração da Internet (60% das casas têm conexão de banda larga), boa parte dos fundos arrecada dinheiro por esse meio.

Em relação à regulamentação cinematográfica, a principal medida do governo coreano é a cota de tela, que acaba de sofrer uma mudança que levou anos em discussão. A lei, que previa, até julho de 2006, a obrigatoriedade de exibição de filmes coreanos por 146 dias (o equivalente a 40% dos dias do ano), existe desde 1966, mas só entrou em vigor de fato a partir de 1993.

Em 1988, a importação de filmes, que até então era rigorosamente limitada no país, foi liberada pelo governo. Com a chegada das grandes distribuidoras norte-americanas, o market share, que era de cerca de 35% neste período, caiu para 15% em 1993. Foi a partir daí que o governo começou a estudar medidas para efetivar a cota de tela, instituindo um sistema de fiscalização batizado de “Screen Quota Watchers”, responsável pelo monitoramento da atividade dos exibidores em todo o país.

Apesar de tudo, em 2006 o governo cedeu às pressões dos EUA para reduzir a cota de tela pela metade, medida que passou a vigorar em 1º de julho de 2006. Os 146 dias obrigatórios para a exibição de produções coreanas foram reduzidos para 73. Um dos fatores levados em consideração pelo governo foi a estabilidade do market share dos filmes coreanos nos últimos anos, que passou de 35,1% em 2000 para 60% em 2004, e manteve-se praticamente estável nos anos subsequentes. Analistas de mercado acreditam que os efeitos da redução ainda não poderão ser devidamente percebidos nos dois primeiros anos de aplicação da nova cota.

Para contrabalançar a medida pouco popular da redução da cota de tela, o governo lançou, quase simultaneamente, um novo fundo de apoio à produção, voltado para filmes independentes ou de arte, no montante de US$ 400 milhões, a serem liberados ao longo de cinco anos. A verba do fundo será proveniente, em parte, de uma nova taxa de 3% a 5% no preço dos ingressos, prevista para entrar em vigor a partir de julho de 2007. O novo fundo foi lançado pelo Ministério da Cultura e do Turismo aparentemente sem a participação do Kofic, o órgão de regulamentação do cinema coreano, que também teria ficado de fora das negociações da diminuição da cota de tela. Ao mesmo tempo, o Kofic teve seu orçamento anual de US$ 52 milhões aumentado para US$ 80 milhões por ano.

No entanto o novo fundo esbarrou na resistência dos exibidores que alegaram que a nova taxa poderia inflacionar o preço do ingresso e era inconstitucional. O governo continua tentando colocar a medida em prática, mas uma série de protestos está atrasando sua aplicação e o setor cinematográfico encontra-se dividido.



 




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