té 2003, as políticas do governo colombiano para o apoio à indústria cinematográfica tiveram como base uma lei datada de 1942. Seu desenvolvimento compreendeu diversas fases, entre as quais deve-se destacar as do período 1979-1990, que inicialmente consistiu no oferecimento de uma linha de créditos de fomento mediante a criação de um fundo, paulatinamente convertido em uma política de produção direta por parte do estado. Nos anos 1981-1985, a média de filmes produzidos chegou a nove, caindo para apenas uma ou duas produções anuais no início da década posterior. A cinematografia colombiana conta com cerca de 180 longas-metragens realizados ao longo de sua história. No que diz respeito à distribuição, trata-se de um mercado altamente concentrado, com o domínio de apenas quatro empresas.
A Dirección de Cinematografia del Ministerio de Cultura é o órgão encarregado de assessorar o ministério na elaboração de políticas e programas voltados para a cinematografia nacional, e também pelo desenho dos mecanismos para a ativação, dinamização, harmonização e equilíbrio das diferentes áreas da indústria.
Com a promulgação da Lei 814 (conhecida como Lei do Cinema), em 2003, o governo colombiano criou uma nova leva de incentivos e gerou mecanismos que têm como fim desenvolver integralmente o setor e promover toda a cadeia de produção cinematográfica colombiana: desde os produtores, distribuidores e exibidores, até a preservação do patrimônio audiovisual, a formação e o desenvolvimento tecnológico, entre outros. Vale mencionar que a lei é produto de um processo de elaboração e debate de mais de quatro anos entre os principais atores da indústria cinematográfica colombiana.
A lei prevê três mecanismos principais de fomento ao cinema colombiano:
1. A criação do Fondo para el Desarrollo Cinematográfico, um fundo pára-fiscal constituído por contribuições dos exibidores, distribuidores e produtores. Além do imposto de 10% cobrado desde 1932, os exibidores se comprometem a converter para o fundo uma contribuição de 8,5% sobre a venda de ingressos de filmes estrangeiros exibidos no país. Há uma redução de 6,25 pontos percentuais para as salas que exibirem curtas-metragens colombianos. Sobre os distribuidores recai uma contribuição também de 8,5% sobre os ingressos vendidos; os produtores de filmes nacionais devem, por sua vez, destinar 5% da arrecadação para o fundo.
Para evitar que cada componente da cadeia pague separadamente sua contribuição, a Lei estabelece que os exibidores devem depositar no fundo a parcela de contribuição correspondente aos distribuidores, e também dos produtores (no caso de negociação direta com o exibidor).
O montante destinado ao fundo retorna ao setor da seguinte forma: 70% é destinado à produção cinematográfica, por meio de subvenções a fundo perdido (prêmios e becas) e créditos reembolsáveis através do sistema bancário. Em 2004, por exemplo, 23 projetos de longa-metragem receberam prêmios e empréstimos destinados à promoção, finalização e desenvolvimento, com valores que variam entre 250 milhões e 840 milhões de pesos colombianos. Somando curtas e documentários, os projetos premiados chegam a 67. Os 30% restantes são investidos em cinco linhas de ação: o fortalecimento de um sistema de informação (SIREC), que inclui o fluxo de dados de arrecadação e uma base de dados confiável e atualizada com todas as informações do setor; ações para a formação de públicos; apoio tecnológico a indústrias relacionadas com a produção cinematográfica (som, fotografia, laboratórios); a preservação da memória; e o apoio à distribuição e acesso a mercados.
O fundo é dirigido pelo Consejo Nacional de las Artes y la Cultura en Cinematografia, uma entidade constituída por representantes dos diversos setores da cadeia produtiva e do poder público, e presidida pelo Ministério da Cultura. O conselho decide sobre a destinação dos recursos obtidos pelo fundo através do Proimágenes en Movimiento, uma instituição sem fins lucrativos que conta com participação pública e privada criada em 1997. O conselho abre convocatórias públicas anuais em diversos campos, e os projetos são avaliados e selecionados por comitês nomeados pelo conselho.
2. A outorga de estímulos tributários para investimentos e doações a projetos cinematográficos. Empresas contribuintes do imposto de renda podem deduzir 125% do valor real investido ou doado para projetos cinematográficos (com um limite de 30% da renda líquida no caso das doações).
3. A titularização de projetos cinematográficos. Cada produtor pode levar seu projeto ao mercado para que possa ser adquirido por compradores privados através da aquisição de ações na bolsa de valores.
As duas primeiras edições do concurso para o Fondo para el Desarollo Cinematografico, realizadas em 2004 e 2005, tiveram uma procura que impressionou seus próprios realizadores do ministério da cultura, mais de mil projetos se candidataram para as diferentes categorias do concurso, que premiou 145 projetos, entre longas, curtas, pós-produção e exibição, num valor total de 7,83 bilhões de pesos colombianos.
A terceira edição do Fondo para el Desarollo Cinematográfico, realizada em 2006, ganhou novas categorias e mais verba, disponibilizando um total de 4,39 bilhões de pesos colombianos para concursos de projetos em seis categorias, e mais duas de estímulo direto, para divulgação internacional dos filmes. As novas categorias são: desenvolvimento de roteiro, produção de longa-metragem e produção de documentários. As três modalidades que já existiam (curtas, pós-produção de longas e projetos de formação de púbico) ganharam valores mais altos nesta edição do concurso.
Desde 2003, ano em que foi aprovada a Lei do Cinema, o setor vive um bom momento na Colômbia. Em 2006, o mercado cinematográfico cresceu impressionantes 72%, passando de 11,7 milhões de espectadores em 2005, para 20,2 milhões.
Um dado que mostra a vitalidade recente da produção local é que, de 1993 a 2003, 38 filmes nacionais foram lançados, enquanto 26 títulos já estrearam desde 2003, após a aprovação da Lei de Cinema. Estima-se que 50 projetos estejam em diferentes fases de produção em 2007.
O sucesso da produção nacional está ligado também ao crescente apoio das redes de televisão. As duas principais redes de TV, RCN e Caracol, se comprometeram com apoios à produção nacional e fizeram promoção e publicidade de alguns títulos durante o ano. Além disso, seis dos oito lançamentos de 2005 foram exibidos na RCN em 2006.
Com o desenvolvimento do setor de produção o governo comemora também o aumento de produções internacionais filmadas no pais, como O amor nos tempos do cólera, de Mike Newell, filmado em Cartagena. Uma nova film commission colombiana foi lançada em 2007 para estimular o setor.
Neste período, o cinema nacional tem emplacado pelo menos um grande filme por ano: em 2004 foi Maria cheia de graça, que, mesmo não tendo sido um grande sucesso de bilheteria, teve distribuição internacional e indicação ao Oscar de melhor atriz, ajudando a melhorar a imagem do cinema nacional; em 2005, o box office geral do ano foi liderado por Rosário Tijeras, que teve 1,05 milhão de espectadores e se tornou o maior sucesso colombiano desde a década de 1990, recorde que seria quebrado logo depois com Soñar no cuesta nada, que, com 1,19 milhão de espectadores, foi o filme mais visto de 2006.