
|
|
Principais órgãos oficiais
Screen Australia
www.screenaustralia.gov.au
Australian Film Institute
www.afi.org.au
Ausfilm
www.ausfilm.com.au
om uma população de altíssimo poder aquisitivo, a Austrália tem um dos cinco maiores índices de venda de ingressos per capita do mundo – cada habitante do país vai, em média, 4 vezes por ano ao cinema. Enquanto o preço médio do ingresso também está entre um dos mais altos do mundo, em torno de US$ 8. Um outro exemplo bem particular deste mercado é que os aparelhos de DVD estão presentes em 100% dos lares.
Depois de ter alcançado reconhecimento nacional e internacional nos anos 1990 com as comédias Vem dançar comigo (1992), de Baz Luhrmann; O casamento de Muriel (1994), de P. J. Hoogan, e As aventuras de Priscilla, rainha do deserto (1994), de Stephan Elliot, o cinema australiano atravessa uma crise. Apesar do grande incentivo do estado, a média de filmes lançados por ano caiu pela metade dos anos 90 para os anos 2000, de aproximadamente 30 para cerca de 15 títulos anuais, e mesmo assim sem nenhum grande destaque. O market share nacional é um dos mais baixos do mundo, sempre por volta dos 5%. Em 30 anos ele foi superior a 10% apenas seis vezes e em 2004 chegou ao índice mais baixo da história, apenas 1,5%.
Entre os motivos apontados para o mau desempenho do filme nacional estão a falta de identidade da produção local, falada em inglês mas pouco representativa do país, pouca visibilidade internacional dos títulos, que viajam pouco e não têm grandes participações em festivais, e a tática, por parte das agências de fomento locais, de investimento em filmes de baixo orçamento.
O governo australiano dá amplo apoio à produção audiovisual do país, concentrando suas ações em três órgãos principais: a recém criada Screen Australia, superagência do audiovisual estatal que agrupou as funções dos antigos Film Finance Corporation (FFC), criado em 1988, voltado para o financiamento de obras audiovisuais, e da Australian Film Comission (AFC), um agência estatal criada em 1975 que se dedicava à promoção nacional e internacional dos filmes australianos e ao seu desenvolvimento; o Australian Film Institute (AFI), criado em 1958, mais dedicado ao apoio institucional ao filme australiano; e a Ausfilm, um órgão mantido pelo governo em parceria com o setor de produção privado que tem como objetivo atrair para o país produções estrangeiras para a utilização de infra-estrutura e mão-de-obra locais, por meio de um formato de co-produção, com o atrativo de generosas leis de incentivo.
O AFI é responsável, por exemplo, pela organização e entrega do maior prêmio anual do cinema feito na Austrália, o AFI Awards. A maior crítica que se faz hoje ao sistema de apoio australiano está em sua dificuldade de reconhecer e estimular o surgimento de novos talentos.
Extinto em julho de 2008, quando entrou em vigor a Screen Australia, o Australian Film Comission era uma agência governamental responsável por programas voltados para a correção de problemas estruturais da indústria, mas um de seus focos principais é o desenvolvimento da produção em seus estágios iniciais, com a finalidade de qualificar os projetos para a obtenção de financiamento. Em 2004, o AFC instituiu o programa IndiVision, voltado para o financiamento direto de longas-metragens de baixo orçamento. O órgão também era responsável pela divulgação das produções locais em festivais internacionais e pelo investimento em curtas-metragens, animações e programas televisivos de conteúdo educativo. A nova Screen Australia irá exercer todas estas funções.
Também extinta em julho de 2008, pelo mesmo motivo, a Film Finance Corporation era uma companhia estatal que apoiava produções australianas ou aquelas certificadas pelo Programa Oficial de Co-Produções. A nova Screen Australia está em vias de lançar seu primeiro programa de incentivos, que entrará em vigor em 2009.
Vale então destacar aqui como atuava o FFC, que desde sua criação investiu AUS 2,58 bilhões (o equivalente a aproximadamente US$ 2 bilhões) em 1.079 projetos. Para garantir a diversidade, o FFC distribuía fundos para produções de vários formatos, como longas-metragens para cinema, minisséries, filmes para a televisão e documentários.Em geral, o FFC não investia mais que 40% do valor total do orçamento de um filme, com um teto de AUS 5 milhões. O restante do financiamento devia ser obtido por meio de parcerias com distribuidoras ou redes de TV (por meio da pré-venda), e tais parcerias precisavam cobrir pelo menos 25% do orçamento para que o projeto seja apreciado pelo FFC. No caso das co-produções, como elas já possuem acesso a mercados além do doméstico, as parcerias precisavam responder por 30% do orçamento, e nesse caso a participação do FFC tinha um teto de até 30%. A recuperação do investimento do FFC era feita da seguinte forma: quando sua contribuição for igual ou superior a 40% dos custos do filme, os dividendos serão repartidos entre o produtor (20%) e o FFC (80%). Quando a contribuição for menor que 40%, a parte do produtor aumenta (para até, no máximo, 25%).
A avaliação de cada projeto era feita a partir de três critérios principais: potencial criativo (análise de currículos, qualidade do roteiro), potencial de mercado (distribuição local, possibilidade de distribuição internacional, tamanho do orçamento e possibilidade de retorno financeiro) e potencial de público (chances de atingir o público alvo, chances de obter carreira internacional). Outros critérios secundários também eram levados em conta, como o equilíbrio entre profissionais experientes e novatos nas equipes técnica e criativa ligada ao projeto, a possibilidade de privilegiar algum gênero a fim de obter um equilíbrio anual da produção, e a possibilidade de financiar projetos considerados de alcance comercial limitado, com base apenas em seu mérito artístico. Cada projeto aprovado recebia uma carta de comprometimento do FFC, cabendo então ao produtor assegurar o patamar mínimo de investimento do distribuidor e de outros co-produtores. Todos os projetos deviam ter um distribuidor doméstico e um representante para vendas internacionais. Uma vez comprovado o comprometimento de todos os parceiros, é iniciado o processo de liberação de verba.
|
|

|
Baz Luhrmann,
Fred Schepisi,
George Miller,
John Polson,
P.J. Hogan,
Paul Cox,
Peter Weir,
Phillip Noyce,
Rolf de Heer,
Stephan Elliot
|
|

|