epois de ter alcançado reconhecimento nacional e internacional nos anos 1990 com as comédias Vem dançar comigo (1992), de Baz Luhrmann; O casamento de Muriel (1994), de P. J. Hoogan, e As aventuras de Priscilla, rainha do deserto (1994), de Stephan Elliot, o cinema australiano atravessa uma crise. Apesar do grande incentivo do estado, nenhum dos 16 filmes lançados em 2004 alcançou grande sucesso de bilheteria. O market share nacional chegou ao fim do ano em apenas 1,5%.
O governo australiano dá amplo apoio à produção audiovisual do país, concentrando suas ações em trêss órgãos principais: o Film Finance Corporation, criado em 1988, voltado para o financiamento de obras audiovisuais; o Australian Film Institute, criado em 1958, mais dedicado ao apoio institucional ao filme australiano; e o Australian Film Comission, um órgão estatal criado em 1975 que se dedica à promoção nacional e internacional dos filmes australianos e ao seu desenvolvimento. O AFI é responsável, por exemplo, pela organização e entrega do maior prêmio anual do cinema feito na Austrália, o AFI Awards. A maior crítica que se faz hoje ao sistema de apoio australiano está em sua dificuldade de reconhecer e estimular o surgimento de novos talentos.
O Australian Film Comission é uma agência governamental responsável por programas voltados para a correção de problemas estruturais da indústria, mas um de seus focos principais é o desenvolvimento da produção em seus estágios iniciais, com a finalidade de qualificar os projetos para a obtenção de financiamento. Em 2004, o AFC instituiu o programa IndiVision, voltado para o financiamento direto de longas-metragens de baixo orçamento. O órgão também é responsável pela divulgação das produções locais em festivais internacionais e pelo investimento em curtas-metragens, animações e programas televisivos de conteúdo educativo.
O Film Finance Corporation é uma companhia estatal que apóia produções australianas ou que tenham sido certificadas pelo Programa Oficial de Co-Produções. Para garantir a diversidade, o FFC distribui fundos para produções de vários formatos, como longas-metragens para cinema, minisséries, filmes para a televisão e documentários.
Desde sua criação, o FFC investiu 2,1 bilhões de dólares australianos (o equivalente a 1,60 bilhão de dólares americanos) em 931 projetos. Em 2004, 62 milhões de dólares australianos foram distribuídos entre 56 novos projetos: 10 longas-metragens para o cinema (que consumiram 45,4 milhões do total), 12 filmes para a televisão e 34 documentários.
Em geral, o FFC não investe mais que 40% do valor total do orçamento de um filme, com um teto de cinco milhões de dólares australianos. O restante do financiamento deve ser obtido por meio de parcerias de mercado com distribuidoras ou redes de TV (por meio da pré-venda), e tais parcerias precisam cobrir pelo menos 25% do orçamento para que o projeto seja apreciado pelo FFC. No caso das co-produções, como elas já possuem acesso a mais de um mercado doméstico, as parcerias de mercado precisam responder por 30% do orçamento, e nesse caso a participação do FFC terá um teto de até 30%.
A recuperação do investimento do FFC se dá da seguinte forma: quando sua contribuição for igual ou superior a 40% dos custos do filme, os dividendos serão repartidos entre o produtor (20%) e o FFC (80%). Quando a contribuição for menor que 40%, a parte do produtor aumenta (para até, no máximo, 25%).
A avaliação de cada projeto é feita a partir de três critérios principais: potencial criativo (análise de currículos, qualidade do roteiro), potencial de mercado (distribuição local, possibilidade de distribuição internacional, tamanho do orçamento e possibilidade de retorno financeiro) e potencial de público (chances de atingir o público alvo, chances de obter carreira internacional).
Outros critérios secundários também são levados em conta, como o equilíbrio entre profissionais experientes e novatos nas equipes técnica e criativa ligada ao projeto, a possibilidade de privilegiar algum gênero de filme a fim de obter um equilíbrio anual da produção, e a possibilidade de financiar projetos considerados de alcance comercial limitado, com base apenas em seu mérito artístico. Cada projeto aprovado recebe uma carta de comprometimento do FFC, cabendo então ao produtor assegurar o patamar mínimo de investimento do distribuidor e de outros co-produtores. Todos os projetos devem ter um distribuidor doméstico e um representante para vendas internacionais. Uma vez comprovado o comprometimento de todos os parceiros, é iniciado o processo de liberação de verba.